A grande novela que envolve ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganha novas nuances e personagens a cada dia. Alexandre de Moraes e André Mendonça aparecem como protagonistas. Edson Fachin surge com um papel central capaz de mudar muita coisa no curso dessa história, enquanto Flávio Dino ocupa o papel de coadjuvante, mas também com sua parcela de impacto nos desdobramentos.

Entretanto, fica uma pergunta: essa crise pode impactar o processo eleitoral do dia 4 de outubro? Segundo pesquisa Datafolha, 85% dos 2.002 entrevistados afirmaram não ter mudado a preferência eleitoral por causa das acusações contra o ministro Alexandre de Moraes. Para outros 86%, o que vem sendo atribuído a André Mendonça também não interfere na escolha nas urnas.

O levantamento foi realizado em 125 cidades, entre terça-feira, 8, e quinta-feira, 10, com margem de erro de dois pontos percentuais. Chama a atenção, porém, que o assunto já tenha entrado no campo eleitoral. Flávio Bolsonaro (PL) tem explorado a aproximação entre Lula e Alexandre de Moraes como um fator de alerta ao eleitor na tentativa de conquistar votos. O PT, por sua vez, busca reacender os desdobramentos do caso Dark Horse e associar o filho 01 de Jair Bolsonaro a Daniel Vorcaro, personagem central de um dos maiores escândalos financeiros e institucionais recentes do país.

A pesquisa mostra ainda que 66% dos entrevistados disseram ter conhecimento do caso, enquanto 26% se consideram bem informados. Os eleitores do espectro bolsonarista são os que mais dizem conhecer o assunto: 75%, ante 61% entre aqueles que afirmam que votarão em Lula.

Sobre Mendonça, 45% disseram ter conhecimento das denúncias, sendo que 22% se consideram bem informados. Nesse recorte, os bolsonaristas também aparecem à frente: 60% dizem conhecer o assunto, ante 37% dos lulistas.

Mas, se isso não vai refletir nas eleições, pode refletir em quem? A resposta mais óbvia está na credibilidade da Corte. Afinal, como fica a confiança da sociedade em ministros que, ao mesmo tempo em que enfrentam acusações e questionamentos públicos, são responsáveis por julgar casos de corrupção e outras questões de enorme relevância para o país? É natural que parte da população passe a questionar a autoridade moral de quem terá de sentenciar outras pessoas.

Ao conversar com uma fonte do meio jurídico, ouvi que existe um conjunto de regras de conduta a ser seguido pelos magistrados, que alcança inclusive aspectos de sua vida privada. A percepção dessa fonte, entretanto, é de que essas regras parecem cada vez menos presentes em Brasília.

E ainda há muitos desdobramentos por vir. Uma nova rodada de pesquisa será divulgada na segunda-feira, 14, desta vez pela Quaest. Será o primeiro levantamento publicado após a retirada integral do sigilo do caso Master no STF.

O instituto começou a ir às ruas na última sexta-feira, 11, e continuará o trabalho de campo até domingo, 13. O levantamento é contratado pelo Grupo Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03607/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Se os escândalos envolvendo integrantes do Supremo não forem capazes de alterar significativamente o voto, a próxima pesquisa poderá dar novos indícios sobre isso. Mas uma coisa parece cada vez mais evidente: mesmo que a crise não respingue nas urnas, dificilmente passará sem deixar marcas sobre a imagem e a credibilidade das instituições.

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