Política de espetáculo: entre picanha, abóbora e o vazio de propostas
14 abril 2026 às 12h36

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Começo esse artigo te perguntando: qual é a postura que um político deve tomar para ser levado a sério e ter respeito? Porque, na minha humilde opinião, o que nós vemos atualmente é um bando de gravatinhas indo ao plenário somente para defender ideias que não agregam a nada para a sociedade. E sabe o que ainda me choca -mas não deveria- é ver pessoas apoiando tais ideias e posicionamentos.
Um exemplo é a “brincadeira” que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) fez no último sábado, 11, em Goiânia. Ao visitar um frigorifico na capital, durante sua passagem na cidade para o evento “Acorda, Goiás”, o direitista soltou: “para a direita, picanha; para petista, abóbora”. Muito provavelmente, o comentário dele é uma ironia a fala do presidente Lula que, durante seu discurso em um debate político em 2022, prometeu picanha à população.
O que acontece é que esses comentários mostram o quão sem maturidade ele pode ser. Ao invés de alimentar rivalidade, por que não gastar o tempo pensando em propostas que possam engrandecer o país, resolver problemas reais e buscar ajudar aqueles que necessitam? Brigar na internet, mandar indiretas e perder o tempo produzindo conteúdos para atacar o coleguinha revelam não apenas a falta de propostas, mas o desserviço que ele presta à população
“Ah, mas o momento não era ele como político. Era um momento de distração”. Não importa, o Nikolas é uma figura pública e ele sabe muito bem o peso de suas palavras, e ele usa você para engajamento.
A “política de lacração” cria um ciclo vicioso e bastante perigoso. Enquanto debate público se resume a quem faz piada mais ácida ou tem o vídeo mais viral na internet, os problemas estruturais do Brasil – e olha que não são poucos – continuam aguardando soluções que não cabem em um reels de 2 minuto.
A população quer resposta e resultados. Se quisessem piadinhas, eles iriam para um stand-up comedy. O mandato parlamentar não é um palco, o plenário não deveria ser uma extensão das redes sociais onde o conflito vale mais que o consenso.
Quando aplaudimos ironia vazia e ignoramos a ausência de projetos de lei relevantes, estamos assinando um atestado de que aceitamos ser governados por influenciadores, não por estadistas. Depois não adianta reclamar que o problema da segurança pública não é resolvido, que o desemprego cresce ou que a educação não é boa.
No fim das contas, o que eu deixo de pergunta a você, nosso leitor, é: até quando vamos nos contentar com migalhas de entretenimento político enquanto o que realmente importa é deixado de lado?
A picanha e a abóbora passam, mas o que fica, ou o que deixa de ser feito, é o que realmente molda o nosso futuro. É hora de exigir postura e que o discurso venha acompanhado com trabalho e resultados positivos para a população.
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