O total de 3.357 casos de sífilis registrados neste ano em Goiás acende o alerta para além de um levantamento preocupante, mas nos leva a um questionamento básico: por que quase não ouvimos falar sobre prevenção e até mesmo sobre como buscar tratamento dessas Infecção Sexualmente Transmissível (IST) no poder público?

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), no ano passado, Goiás somou 12.091 casos de sífilis adquirida, 3.894 em gestantes e 712 de sífilis congênita – que é aquela transmitida de mãe para filho. Apesar do número ser menor do que a parcial registrada em 2026, a própria secretaria reconhece o crescimento gradual no número de casos.

Entretanto, se a gente for em qualquer unidade básica de saúde, a divulgação sobre a IST é quase nula. O que ainda pode ser encontrado é um cartaz velho, com quase nada de informação, dizendo apenas que a sífilis é transmissível. Mas o que fazer pra prevenir e o que a sífilis pode causar no organismo de um ser humano? Questionamentos que deveriam ganhar mais espaço nas campanhas de conscientização.

Só para situar quem está lendo esse texto: a sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável, causada pela bactéria Treponema pallidum. O microrganismo é sensível ao tratamento padrão com penicilina. A boa notícia – e para algumas pessoas que possam ainda não saber -, é que ele pode ser feito gratuitamente no SUS.

O que muita gente não fala é que, muitas vezes, não apresenta sintomas evidentes, mas pode causar feridas nos órgãos genitais, manchas no corpo ou até passar despercebida. Além disso, falta de diagnóstico precoce e a interrupção do tratamento acaba colocando em risco à cura total do paciente.

E aí que entra a minha crítica: a campanha de conscientização deve incentivar a população a se testar. Não é possível falar sobre IST apenas no dezembro vermelho, mês dedicado à prevenção do HIV. Um mês é pouco para se falar de um problema que atinge vários brasileiros durante todo ano.

E estou citando a sífilis e o HIV, mas há outras ISTs que sequer são faladas, como clamídia, gonorreia, HPV, herpes genital, tricomoníase e hepatites virais (B e C). Algumas não são muito difundidas e sequer mesmo ganham o devido espaço no noticiário para alertar a população sobre os riscos que elas trazem.

Algumas pessoas podem ler o texto e pensar que o número está estabilizado ou que já vivemos situações piores, mas é importante destacar que, se uma pessoa está infectada, há uma falha ainda a ser reparada nas ações que visam à prevenção de qualquer IST. O poder público deve olhar com mais atenção nisso para evitar que o sistema de saúde fique sobrecarregado e, até mesmo, venha chegar ao colapso.

E vale a pena deixar o velho ensinamento que deve ser propagado de geração em geração: sexo apenas com camisinha.

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