A campanha de Lula parece finalmente ter encontrado o tom certo para se comunicar com a população. A guinada veio depois do choque do primeiro turno, quando o petista ficou atrás de Flávio Bolsonaro, do PL, ainda que por uma margem pequena (a menor da história entre dois candidatos à Presidência).

Em vez de atos com artistas, cirandas e apelos de “mais amor, por favor”, Lula e seu entorno partiram para a guerra digital, algo que deveria ter acontecido há muito tempo.

Os vídeos perfeitamente editados, frios e distantes deram lugar a vídeos em formato de selfie. Os incentivadores da mobilização digital, antes concentrados em lideranças petistas da “velha guarda” e nomes do meio artístico, agora são os novos rostos da esquerda e influenciadores capazes de alcançar grandes massas.

Lula, que nem sequer usava celular, agora está diretamente engajado nos meios digitais, e os resultados já podem ser sentidos. Cada vídeo, cada “chamado” do “exército de Lula”, como ficou conhecida a rede de mobilização criada pela campanha, tem alcançado números estratosféricos de curtidas, comentários e compartilhamentos.

Para se ter uma ideia, a última publicação de Lula no Instagram, uma foto do petista vestindo verde e amarelo, acompanhada de um remix do bordão de Janones (“Pessoal, urgente!”), registrou, em apenas duas horas, 1,3 milhão de curtidas, 248 mil comentários e 266 mil compartilhamentos.

E a virada de chave da campanha pode já estar surtindo efeitos. As últimas pesquisas de intenção de voto, como a PoderData/Aya e a CNT/MDA, já apontam empate numérico ou técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Foi um pouco tarde, mas a campanha lulista acordou. A virada vai acontecer? Isso só as urnas vão dizer.

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