Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Jornalistas atacam Bolsonaro com tanta raiva que devem temer um infarto

Imprensa trata conservadores como “ruins”. Se são “progressistas”, isto é, promovem o “progresso” que se pode comprovar em Cuba e na Venezuela, são bons

Sou leitor assíduo das páginas de opinião de vários jornais pátrios. Aprecio os artigos bem escritos, em bom português e com clareza. Colunas como a de Ruy Castro, quando escreve sobre nossa música, nosso cinema ou nosso futebol, são deliciosas. Sempre acompanho Miriam Leitão quando quero me ilustrar sobre os problemas econômicos que nos afligem. E como afligem, sempre! Aprecio os comentários de Eliane Cantanhêde sobre nossa política, nossa intrincada política. Ocorre que ultimamente tenho me preocupado com esses competentes jornalistas. E com muitos outros menos votados, como Janio de Freitas, Luis Fernando Verissimo (escritor) ou Elio Gaspari.

Jair Bolsonaro: a imprensa não o trata com equilíbrio | Foto: Reprodução

Essa preocupação vem desde a posse do presidente Jair Bolsonaro. Nossos colunistas, predominantemente, para dizer o mínimo, de esquerda, têm deixado de lado todo o equilíbrio quando se trata de noticiar sobre o Poder Executivo, e mais ainda sobre a pessoa do presidente Bolsonaro. Deixam-se levar pelo fervor ideológico, e com isso perdem a credibilidade que detêm em seus campos próprios de conhecimento. Preocupo-me mesmo com a saúde deles, já que estão tão furiosos com o presidente.

A Ruy Castro, que investe, nos jornais nacionais onde escreve, e também nos estrangeiros (pelo menos no “Diário de Notícias”, português), contra o presidente Bolsonaro, gostaria de lembrar um chorinho chamado “Falam Tanto de Mim” (ouça abaixo), de Ivon Curi, sucesso também na voz de Isaurinha Garcia, dos saudosos anos de 1960. Ruy, que talvez seja o maior conhecedor de nossa história musical, deve conhecê-lo. Sua primeira estrofe é: “Insistem tanto em falar mal de mim/ Se não sou bom também não sou mau assim/Não tenho raiva de ninguém/Raiva incomoda somente a quem a tem”. Raiva faz mal ao fígado, Ruyi. Cuide-se, você já é um setentão, o fígado nessa idade já se fragiliza. Você ainda tem muito o que escrever sobre a MBP, para nosso deleite.

Miriam Leitão, do ano passado para cá, já não sabe falar de economia sem misturar Jair Bolsonaro com mercado, com alta do dólar, com risco Brasil ou com recessão. É como se o presidente provocasse, deliberadamente, todos os males que afligem nossa economia. E Miriam, visivelmente contrariada, parece ter envelhecido dez anos em um ano e meio. É ou não o caso de nos preocuparmos com ela?

Fiquei também preocupado, dias atrás, com o sumiço de Eliane Cantanhêde. Ficou pelo menos uma semana sem aparecer na GloboNews, onde pontua diariamente, e sem apresentar sua coluna no “Estadão”. Nem pensei em Covid-19. Temi que tivesse sofrido um infarto, pois nos últimos dias, principalmente após declarada a pandemia, ela parecia à beira de um, quando falava do presidente. Numa de suas últimas colunas, ainda que curta, menciona 24 vezes “Bolsonaro” ou “O presidente”, sempre muito brava. Calma, Eliane, devemos cuidar não só do coronavírus, como também das coronárias, tanto mais frágeis quanto mais passa o tempo.

A direita é tratada com mais rigor do que a esquerda

Aprecio nossas revistas, quando inovadoras, pesquisadoras, aprofundando questões que merecem exame da sociedade, principalmente quando essas questões são menosprezadas por quem delas deve cuidar, entre os poderes constituídos.

A revista “Piauí” fez uma das reportagens mais importantes a meu ver, em nossa história recente, sobre a quebra da operadora Oi. Uma reportagem que por si só deveria ocasionar um grande processo de responsabilização de pessoas importantes ligadas aos governos do PT e do PSDB por prejuízos ao BNDES e ao Tesouro. Mas que deu em nada, não por culpa da revista, claro, mas pela omissão de quem deve zelar pelo bem público.

Quando falo da “Piauí”, lembro-me de Mario Sergio Conti, que a dirigiu com competência. Mas leio suas crônicas recentes, em que ataca com fúria e desrespeito o presidente, e também me preocupo com sua saúde. Cuidado, Conti: um acidente vascular cerebral tanto pode ser fatal quanto deixar sequelas graves. Modere também sua raiva. Já é sinal de fragilidade cerebral entrevistar sósias de Felipão e Neymar e não perceber que são “fake”. Mesmo de posse de cartão de visita com a identidade verdadeira. Ou descrever o enterro da arquiteta Lucia Carvalho, e receber dela uma carta escrita à moda de Mark Twain, dizendo que a notícia da sua morte é “um tanto exagerada”. Cuide-se.

Tenho visto em nossas televisões repetidas notícias de que a imagem externa do governo é ruim. Não são poucos os jornalistas que apresentam essa notícia, muitas vezes ostentando um ar de verdadeira satisfação. Ora, quem faz a imagem do Brasil lá fora? Não são as notícias? E quem as produz, senão nossos próprios jornalistas ideologicamente engajados? Não é o presidente Bolsonaro o responsável por essa imagem, mas as notícias irresponsavelmente distorcidas que são veiculadas, e que visando atingir o presidente, acabam atingindo o País.

Se desejarem, pode o leitor fazer uma comprovação: veja no noticiário internacional as referências aos vários líderes conservadores, como: o americano Donald Trump, Bolsonaro, o húngaro Viktor Orbán ou o austríaco Sebastian Kurz. Os epítetos são os mesmos, para todos. Para a imprensa internacional (engajada) nem Nicolás Maduro é pior que eles. Se são conservadores, são ruins. Se são “progressistas”, isto é, promovem o “progresso” que se pode comprovar em Cuba e na Venezuela, são bons.

2 respostas para “Jornalistas atacam Bolsonaro com tanta raiva que devem temer um infarto”

  1. VANILDO MALDI disse:

    Esquerdopatia poderia tanto ter compatibilidade direta com coronopatia…se completariam: um na insanidade e o outro na patogenicidade

  2. Mauro Camara disse:

    Excelente texto. Parabens Irapuan!

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