A “grande imprensa”, com enorme desfaçatez, elogia a diplomacia brasileira desde o primeiro governo Lula da Silva, do PT.

Uma colunista do “Estadão”, num gesto de militância explícita, classificava a diplomacia petista como “ativa e proativa”. Essa atividade limitava-se a abraçar, no Oriente Médio, tiranos como Muammar Kadafi e Mahmoud Ahmadinejad e tratar com menoscabo Israel, a única democracia local.

E na África e América Latina, a doar dinheiro do Tesouro, vale dizer, do trabalhador brasileiro, a ditaduras de esquerda, sob forma de empréstimos do BNDES que nunca eram honrados. Falamos de Moçambique, Angola, Cuba, Venezuela.

Quando não, a fazer concessões espúrias com bens brasileiros, permitindo expropriação da Petrobrás na Bolívia e triplicando o preço da energia de Itaipu paga ao Paraguai, para reforçar narco governistas “amigos”.

Diz essa “imprensa” que o Brasil, de pária internacional no governo de Jair Bolsonaro, volta agora ao protagonismo diplomático. Qual protagonismo? O do presidente que evita sair às ruas em seu próprio país e vive no exterior, quando em cada viagem comete um disparate, enquanto a esposa se diverte nos gastos?

Temos, há mais de mês (quando escrevo), um grupo considerável de brasileiros na fronteira de Gaza com o Egito, clamando por uma saída, em meio a um massacre psicológico e privações físicas as mais prementes, como falta de água, energia e alimentos.

Todos os dias uma leva de estrangeiros deixa a região, mas os brasileiros não conseguem permissão de saída. Já saíram nacionais dos EUA, do Canadá, do Reino Unido, da Alemanha, da Ucrania, da Romênia, das Filipinas e de outros países, mas os brasileiros continuam retidos. Onde o protagonismo de nossa diplomacia?

São 34 brasileiros, e mais da metade são crianças, que não conseguem uma permissão de saída, pela desimportância, para não dizer incompetência de Celso Amorim, que hoje chefia a diplomacia brasileira, embora seja apenas um assessor presidencial e exista um chanceler de direito (o embaixador Mauro Vieira) mas não de fato.

Vou lembrar um acontecido, para os leitores do Jornal Opção: na década de 1980, empreiteiras brasileiras construíam grandes obras no Iraque. Haviam vencido as concorrências e faziam seus serviços com competência, sem dar propinas. Também não havia dinheiro brasileiro envolvido. Centenas de brasileiros trabalhavam ali.

Em 1990, o Iraque invadiu o Kwait e estourou a chamada Guerra do Golfo. Era preciso retirar os brasileiros do teatro de guerra, e o Itamaraty encarregou o embaixador Paulo de Tarso Flecha de Lima da missão.

Flecha de Lima era o oposto de Celso Amorim: era muito respeitado no Itamaraty, tendo ocupado as embaixadas brasileiras mais importantes, sempre com brilho e competência, enquanto Celso Amorim nunca se destacou em nenhuma missão diplomática.

O que fez Flecha de Lima: mudou-se imediatamente para o Iraque em guerra e chamou a mulher para lá. Cuidou dos brasileiros para que nada lhes faltasse (e eram mais de quatrocentos); manteve intenso contato com as autoridades iraquianas, inclusive o vice-presidente e o genro de Saddam Hussein, que eram seus conhecidos.

Não ficou só nas autoridades diplomáticas, mas buscou todos que pudessem influir na liberação dos brasileiros. Terminou por liberar a todos, embarcá-los para o Brasil, enquanto a guerra corria, e só embarcou com a esposa no último avião, que trazia para o Brasil os últimos brasileiros. Isso sim, era uma diplomacia ativa.