Afonso Lopes
Afonso Lopes

Republicanos

Adversários e maiores referências políticas de Goiás, governador Marconi Perillo e prefeito Iris Rezende se acertam política e administrativamente, embora mantenham antagonismo eleitoral

Governador Marconi Perillo e prefeito Iris Rezende: parceria em prol de benefícios para a população | Foto: Léo Iran

O primeiro domina a cena política estadual desde a década de 1960, quando foi eleito prefeito da capital pela primeira vez. O segundo explodiu em nível estadual ao se eleger governador em 1998. Ambos começaram em patamares mais baixos. O primeiro foi ve­reador e deputado estadual antes de chegar à prefeitura. O segundo foi de­putado estadual e deputado federal.

Quis o destino que ambos se encontrassem em campos opostos na histórica eleição de 1998. O primeiro, Iris Rezende, foi derrotado pelo segundo, Marconi Perillo, na mais fantástica virada eleitoral de toda a história de Goiás. Jamais um candidato tão favorito quanto Iris perdeu daquela forma. Desde então, aquela derrota inicial deu início ao formato atual da política no Estado, sob as lideranças de Iris e Marconi. Ao ponto de a disputa entre adversários políticos por vezes ter praticamente descambado para inimizade pessoal não apenas entre eles, mas também dentro dos respectivos grupamentos.

Na semana passada, os goianos não foram surpreendidos pelo encontro oficial do prefeito de Goiânia com o governador de Goiás. Surpresa foi no início do ano, quando aconteceu o primeiro encontro entre eles. Uma grande surpresa após quase 20 anos de intensa rivalidade política e administrativa. Vá lá que essa aproximação começou ainda no ano passado, quando Iris dizia se manter disposto a “pendurar as chuteiras” e abandonar assim uma vida dedicada à política. Encontro entre pessoas muito próximas de ambos, e depois com participação do próprio Marconi, racharam o iceberg existente entre os dois líderes. Marconi se declarou, inclusive, disposto a apoiar uma nova eleição de Iris para a Prefeitura de Goiânia.

Não deu certo, obviamente. Majoritariamente, os militantes dos dois grupamentos não estavam preparados psicologicamente para uma distensão nesse nível. Ainda agora é possível encontrar bolsões isolados de um lado e do outro que não conseguem encerrar a “guerra fria” que se estabeleceu em 1998 e levantou um muro de Berlim entre os dois grupos. Mas, a persistência de ambos pôs fim à guerra e o muro caiu. Há, sim, convivência pacífica política e administrativamente entre Iris Rezende e Marconi Perillo. E isso não significa que um lado ou o outro capitulou. Não houve rendição. O que aconteceu é que o império do mal querer entre eles deu lugar aos ares republicanos da soma em prol de resultados. Isso, tudo é, sim, fazer acordo político-administrativo, muito embora se mantenha o antagonismo eleitoral.

Essa delimitação nem sempre é compreendida totalmente mesmo por setores políticos. Alguns bolsões peemedebistas que ainda vivem a “guerra fria”, não aceitam que houve um acordo político-administrativo entre Marconi e Iris. Dizem que o entendimento é somente no campo administrativo. Não é, a não ser que se entenda a política somente como uma disputa eleitoral.

Em janeiro de 2011, quando o então prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia, foi ao Palácio das Esmeraldas cumprimentar Marconi Perillo pela vitória nas eleições de 2010, seu gesto foi apontado como mera formalidade entre dois governantes, com base principalmente na máxima de que governo não faz oposição a outro governo. Ou não faz ou pelo menos não deve fazer. Mas como não reconhecer a circunstância política daquele encontro? E nem por isso pode-se dizer que Marconi e Maguito não são, ainda hoje, antagonistas nas disputas eleitorais. Vide Daniel Vilela, filho de Maguito, que é hoje um dos nomes badalados da oposição para a eleição de 2019.

Então, o que se tem hoje é exatamente o grande acordo político-administrativo entre Marconi e Iris, e isso é republicano. Uma aula de ambos para seus liderados de como as coisas devem ser em uma democracia. E o resultado que se espera é que os dois possam, o mais breve possível, entregar benefícios para a população de Goiânia resultantes dessa soma republicana de trabalho. Assim como em quase todas as 246 cidades do Estado de Goiás — apenas três prefeituras ainda não assinaram convênio dentro do programa do governo estadual Goiás na Frente. Tomara que assinem e igualmente possam levar benefícios estaduais para suas populações.

Deixe um comentário