Augusto Diniz
Augusto Diniz

Recuperação de Biden dá chance ao Partido Democrata evitar lavada de Trump em novembro

Queridinho dos jovens nos Estados Unidos, senador por Vermont pode ver sua pré-candidatura a presidente ficar pelo caminho mais uma vez nas prévias democratas

Resultado da Super Terça de 3 de março recolocou Joe Biden (direita) na disputa pela candidatura a presidente pelo Partido Democrata e mostrou que força de Bernie Sanders (esquerda) pode ruir se jovens não forem às urnas | Foto: Scott Olson/Getty Images

Resultado da Superterça de 3 de março recolocou Joe Biden (direita) na disputa pela candidatura a presidente pelo Partido Democrata e mostrou que força de Bernie Sanders (esquerda) pode ruir se jovens não forem às urnas | Foto: Scott Olson/Getty Images

O senador Bernie Sanders chegou à Superterça do dia 3 de março como o grande favorito nas primárias do Partido Democrata para definição do candidato a presidente que disputará as eleições de 3 de novembro contra Donald Trump. Mas o resultado surpreendeu muita gente. Inclusive Michael Bloomberg, que desistiu em seguida da busca pela vaga.

A Superterça também levou a senadora Elizabeth Warren a pular fora da corrida democrata. O ex-vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden, chegou à votação de 15 Estados e os americanos foram do país na terça-feira com pouca chance. Até ali era o grande derrotado do partido nas primárias.

As investigações por suspeita de corrupção na Ucrânia conta a empesa que de energia Burisma Holdings, que é ligada ao filho de Joe Biden, Robert Hunter Biden. Trump é acusado de ter pressionado o governo ucraniano a reabrir a investigação para prejudicar o ex-presidente dos Estados Unidos.

Buttigieg?

E a tática eleitoral, se comprovada, parecia ter dado muito certo. Joe Biden entrou praticamente derrotado nas primeiras prévias. Viu, inclusive, o ex-prefeito de South Bend, na Indiana, de sobrenome maltês complicado, Pete Buttigieg, vencer a primeira prévia, no Estado de Iowa.

Mas, antes mesmo da Superterça, o “Prefeito Pete”, nome que resolveu adotar para facilitar o eleitorado democrata, resolveu desistir da corrida do partido. Logo após a vitória, uma parcela considerável dos norte-americanos descobriu que Buttigieg é gay e casado com outro homem.

Como a homofobia é um traço cultural pesado da sociedade nos Estados Unidos, o “Prefeito Pete” viu a empolgação inicial com seu nome se diluir nas votações seguintes. Buttigieg saiu da primeira colocação em número de delegados para uma modesta quinta posição.

Milhões em vão

Bloomberg, que gastou US$ 500 milhões nas primeiras votações das primárias democratas, inclusive em comercial no intervalo do Superbowl no dia 2 de fevereiro, conquistou apenas na eleitoralmente inexpressiva Samoa Americana, território dos Estados Unidos fora do continente. Chegou a um total de 61 delegados e declarou apoio a Biden após a Superterça.

E é justamente da Samoa Americana que vem a deputada Tulsi Gabbard, a única democrata sem chance nas primárias do partido a manter sua pré-candidatura contra Joe Biden e Bernie Sanders. Bem mais jovens do que os homens brancos a partir dos 73 na disputa, a integrante da Câmara dos Representantes nascida em uma ilha da Polinésia tem eleitos dois delegados.

Elizabeth Warren, a única mulher a ir longe nas primárias do Partido Democrata, elegeu 64 delegados até a Superterça, mas não definiu – até o momento – quem apoiará. A lógica seria seguir ao lado de Sanders. Só que a entrada de Barack Obama deve arrastar vários democratas para o lado do ex-vice-presidente.

Biden de volta

Joe Biden não só voltou à disputa na Superterça como ultrapassou Sanders no número de delegados conquistados. A apuração confirmou a vitória do ex-vice-presidente em dez Estados e Sanders em apenas quatro.

Assim como Gabbard, que perdeu na Samoa Americana, onde nasceu, para Bloomberg, Biden venceu Warren em Oklahoma, berço da senadora eleita por Massachusetts, onde o aliado de Obama também saiu vitorioso da Superterça. Se seguir como pré-candidata até o dia 4 de abril, a deputada Tulsi Gabbard verá se consegue uma vitória no Havaí, que a elegeu parlamentar.

Além de derrotar Warren onde se esperava uma vitória da senadora democrata, Biden venceu em um total de dez Estados na terça-feira. Na mesma votação, Sanders conquistou quatro Estados: Vermont, Colorado, Utah e Califórnia. Com tendência mais progressista, era esperado que o senador por Vermont se desse bem na Califórnia.

Onde estão os jovens?

Só que a decepção de Sanders veio de seu maior eleitorado, que são os jovens. Eles não foram às urnas votar no senador na intensidade que o pré-candidato imaginava. Enquanto isso, Biden conquistou grande parte do eleitorado negro e idoso dos Estados Unidos.

No mesmo passo em que Sanders apoia sua esperada força eleitoral em jovens identificados com ideias radicais às propagadas pelo presidente Donald Trump e tenta polarizar ao máximo possível com o candidato a reeleição pelo Partido Republicano, o senador viu Joe Biden 651 delegados diante dos seus 573 [até as 16h53 de sexta-feira].

Se o caminho para Bernie Sanders ter chances de chegar ao mês de novembro como candidato do Partido Democrata é pela via da polarização, o mesmo percurso o condena a uma possível derrota esmagadora contra o empresário Donald Trump.

E é justamente o que o presidente dos Estados Unidos tem enfatizado nas críticas que faz ao senador por Vermont, o imaginário de uma ameaça comunista que se faz presente com a pré-candidatura de Sanders.

Única chance

Depois do republicano George W. Bush, a vaga ficou com o primeiro negro presidente dos Estados Unidos eleito em 2008: Barack Obama. Reeleito em 2012, parecia ter aberto espaço para uma mulher no cargo. Hillary Clinton não conseguiu a sucessão democrata desejada em 2016, quando Trump levou novamente o Partido Republicano à Casa Branca.

Hillary não tinha identificação com o eleitorado latino, jovem ou negro norte-americano. Trump chegou com a promessa de fazer a América grande novamente. A economia americana apresenta sinais de recuperação, o presidente comemorou a morte de um inimigo dos Estados Unidos, o general iraniano Qasem Soleimani, soube usar os desdobramentos eleitoralmente e vê em Sander a chance de se reeleger com ainda mais facilidade.

Mas Biden, também um homem branco com mais de 70 anos – Joe Biden tem 77 anos e Donald Trump 73 -, tem um perfil mais moderado, o que dificulta uma tentativa de Trump transformar a corrida eleitoral em uma batalha ideologicamente polarizada. Até a convenção nacional do Partido Democrata, marcada para o mês de julho em Milwaukee, serão disputadas primárias em 37 Estados.

Vantagem Trump

Quem chegar ao 1.991 delegados eleitos por vitórias nos Estados é escolhido o candidato do partido. Se a via escolhida for Bernie Sanders, que tem perdido força depois da Superterça, a chance de uma derrota no dia 3 de novembro contra Trump é praticamente certa.

Com a atual configuração, que é amplamente favorável a reeleição do presidente Trump, ter um ex-vice-presidente distante da polarização de um eleitorado jovem que infla as redes sociais mas não sai de casa para votar e o apoio de Obama no pleito pode ser a única chance do Partido Democrata.

Mesmo que isso signifique não ter uma mulher ou negro na disputa, como ocorreu em 2008 e 2012 com Obama e 2016 com Hillary. O único pré-candidato LGBT democrata, “Prefeito Pete”, desistiu ao ver seu apoio cair diante do preconceito da população norte-americana.

Para hoje, o que resta ao eleitor dos Estados Unidos é escolher entre dois brancos com mais de 73 anos e tentar fugir da polarização embrutecedora da militância de bolha das redes sociais.

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