Augusto Diniz
Augusto Diniz

Quem é o eleitor que irá votar hoje em Goiânia?

Eleitorado da capital cresceu pouco nos últimos quatro anos. Maioria dos goianienses que vai às urnas tem de 25 a 54 anos e um terço concluiu o ensino médio

Poder de decisão é do eleitor. Se você optar por não votar, terá de aceitar a escolha que os outros fizeram para os próximos 4 anos no seu lugar | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O goianiense que vai sair de casa hoje para votar em seus candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador vive um momento de incertezas. A inflação de outubro atingiu 0,86%, a maior nos últimos 18 anos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é sentido na compra de supermercado e na hora de abastecer o carro ou a moto. As passagens aéreas, para aqueles que precisam viajar a trabalho ou têm coragem de se arriscar em um transporte fechado e com ar condicionado durante a pandemia da Covid-19, tiveram alta de 39,83% nos preços durante o mês passado.

Em 2020, a inflação acumulada chegou à casa dos 2,22%. Nos últimos 12 meses, o IPCA ficou em 3,92%. Os dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda estão abaixo da meta do Banco Central, que espera fechar o ano com 4% de inflação. Mas os preços do quilo do arroz e da carne assustam a cada nova compra. Com as negociações do governo federal que sugerem transformar o auxílio emergencial em uma linha de microcrédito a partir de 2021, as preocupações de parte dos moradores de Goiânia só aumentam.

Com 1.794 mortes em Goiânia e 6.029 vítimas da Covid-19 no Estado – até o fechamento desta edição –, 971.221 eleitores da capital escolhem hoje, das 7 às 17 horas, o prefeito, o vice-prefeito e os 35 vereadores que trabalharão para a população da cidade nos próximos quatro anos. Nem todos terão coragem de sair de casa durante a pandemia para votar. Mas talvez não seja este o maior problema das eleições de 2020.

A campanha não pegou. O goianiense discute tudo, até a vitória do ex-vice-presidente democrata Joe Biden nos Estados Unidos e os pedidos de recontagem de votos e acusações infundadas do presidente derrotado Donald Trump, mas parece não querer saber do pleito em sua própria cidade.

Descrença na política

Os cientistas políticos apostam que a descrença no processo político pode ser agravada em abstenção nas urnas hoje com a pandemia. A impressão que fica é a de que as campanhas não empolgaram. Aquele engajamento dos goianienses de 2018, quando as pessoas na cidade entravam em discussões acaloradas e intermináveis para defender o candidato no qual escolheram votar, passou longe de se repetir dois anos depois. Este é um dos fatores que é apontado como fundamental para ter beneficiado os nomes mais conhecidos.

Nas principais pesquisas de intenção de votos, os nomes do senador Vanderlan Cardoso (PSD), do ex-governador Maguito Vilela (MDB), da deputada estadual Delegada Adriana Accorsi (PT), do deputado federal Elias Vaz (PSB) e do deputado estadual Major Araújo (PSL) aparecem nas cinco primeiras colocações na preferência do eleitorado da capital.

Todos os outros 11 candidatos a prefeito de Goiânia aparecem com menos de 3% das intenções de votos. A tendência é de segundo turno entre Vanderlan e Maguito, com alguma chance, mas pouca, de crescimento de Adriana nas urnas. Mas a resposta cabe ao eleitor, não a cenários apontados por institutos de pesquisa, apesar de serem um bom termômetro do momento eleitoral.

O eleitor de Goiânia que irá votar hoje é formado em sua maioria por pessoas com idade entre 25 e 54 anos, com mais de 599 mil eleitores. A faixa etária com mais goianienses aptos a votar está de 35 a 39 anos, com 112.165 eleitores. Esta parcela da população representa 11,55% do eleitorado da capital. Aqueles com idade entre 30 e 34 anos são 10,99% dos que podem ir às urnas hoje, totalizam 106.710. São seguidos por 105.162 eleitores que têm de 40 a 44 (10,83%). As faixas etárias com mais de 100 mil pessoas aptas a votar em Goiânia ainda incluem os jovens entre 25 e 29 anos, que somam 102.750 (10,58%).

Ex-governador Maguito Vilela (MDB), senador Vanderlan Cardoso (PSD) e deputada estadual Delegada Adriana Accorsi (PT) são os candidatos com mais chances de estarem no segundo turno, com maior possibilidade de disputa final entre Maguito e Vanderlan | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção e Divulgação/Campanha Adriana Accorsi

Juventude em pequeno número

Apesar de engajado e influente no meio virtual, a juventude dos 16 aos 24 anos representa apenas 11,57% dos eleitores de Goiânia. Somados, aqueles registrados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO) que podem votar em 2020 na capital são 112.381. A partir dos 45 anos, as faixas etárias têm menos de 100 mil eleitores. De 45 a 49 (9,28%), os eleitores são 90.084. E caem para 82.152 (8,46%) nos que têm idade entre 50 e 54. Aqueles com idade mais avançada, com 100 anos ou mais, são apenas 118 eleitores (0,01%).

A parcela dos eleitores que não são obrigados votar também é pequena. Os goianienses a partir dos 70 anos representam 8,03% do eleitorado (78.029). Entre os menores de 18 anos, 0,22% tem idade entre 16 e 17 (2.141). Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até as 23h04 de 10 de setembro de 2020 apontam um crescimento no eleitorado goiano em quatro anos de 14.060 pessoas aptas a votar de 2016 (957.161) a 2020 (971.221).

Com estas informações, é possível perceber que o peso na decisão do próximo prefeito de Goiânia passa principalmente pela escolha dos eleitores da capital no final da juventude e que estão a seis anos de atingirem os 60 anos.

Outro dado importante do eleitorado de Goiânia é a divisão das pessoas com direito a voto por sexo. 54,5% dos que irão às urnas hoje na capital são mulheres. São 528.950 as eleitoras goianienses, maioria em todas as idades. Mesmo assim, a Câmara tem apenas cinco das 35 cadeiras são ocupadas por mulheres. Outro fato curioso é o de que a capital nunca foi governada por uma representante do sexo feminino. As mulheres são maioria entre os eleitores, mas a cidade nunca teve uma prefeita.

Só homens eleitos

Só homens ocuparam o Paço Municipal desde 1935, quando Venerando de Freitas Borges se tornou o primeiro prefeito em 20 de novembro. O nome social, direito dos eleitores transexuais, ainda é pouco utilizado em Goiânia. Apenas 74 goianienses solicitaram o uso no título de eleitor.

7.099 pessoas com direito a voto na capital têm algum tipo de deficiência. O eleitorado com deficiência de locomoção é de 3.245, superado apenas por deficiências não especificadas, que somam 3.565 goianienses. Os eleitores com deficiência visual são 966 e auditiva 151. Aqueles com dificuldade para exercer o direito do voto chegam a 50.

Os solteiros são mais da metade dos eleitores da capital, com 491.885 eleitores, que representam 50,6% dos que irão às urnas hoje. Em seguida aparecem os 378.502 casados (39%).

No nível de escolaridade, é pequeno o total de eleitores goianos que não tem o voto como algo obrigatório. São os 7.803 analfabetos, que atingem 0,8% daqueles que podem votar. 31,84% do eleitorado da capital concluiu o ensino médio (309.230). Na sequência surgem aqueles que terminaram um curso superior, com 187.166 (19,27%).

Os eleitores com o ensino fundamental incompleto totalizam 146.707 goianienses, 15,11% daqueles que votam na capital. Logo depois vem o eleitorado com ensino médio incompleto (128.498), de 13,23%, e superior incompleto (103.519), 10,66%. A partir dos que pararam os estudos no ensino fundamental completo (58.261), 6%, a quantidade de eleitores em Goiânia cai bastante. Os goianienses que só leem e escrevem são 30.037 (3,09%).

Dicas

Lembre-se que os eleitores com mais de 60 anos têm preferência de votação das 7 às 10 horas. As sessões eleitorais ficam abertas até as 17 horas, quando os colégios serão fechados. Leve um documento oficial de identificação com foto, baixe o aplicativo e-título para conferir o endereço do seu local de votação e, de preferência, uma caneta para preencher o comprovante de votação.

Como estamos na pandemia da Covid-19, as urnas não utilizarão o sistema de biometria. A máscara é de uso obrigatório para entrar na zona e na sessão eleitoral. Se precisar, o mesário pedirá para que você retire a máscara apenas para reconhecimento. Os locais de votação contarão com distanciamento marcado no chão e álcool em gel para ser utilizado antes e depois de votar na urna eletrônica.

Não leve comida ou qualquer bebida para o local de votação. A máscara só poderá ser retirada rapidamente se o mesário solicitar. Caso apresente sintoma suspeito de Covid-19 no dia de hoje, não vá votar. A permanência no colégio eleitoral é permitida apenas pelo tempo necessário para votar. Se puder ir sozinho votar, ajudará a evitar aglomerações no local de votação. E não deixe para votar na última hora. Se você abrir mão de votar, alguém irá escolher por você.

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