Augusto Diniz
Augusto Diniz

Quando é chegada a hora de entrar em pânico com novo coronavírus?

Desespero em nada ajuda na prevenção de novos casos da doença Covid-19, que exige busca de informação, higiene e prudência

Brasil chega a mais de cem casos confirmados em março, com primeiros pacientes da Covid-19 em Goiás | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Farmácias e supermercados já começam a conviver com a falta de álcool em gel 70% disponível para venda nas prateleiras. A busca por máscaras disparou. Mas será que as pessoas têm se lembrado da medida principal na prevenção ao novo coronavírus?

Lavar as mãos com água e sabão com frequência continua a ser o método mais eficaz para evitar o contágio da doença Covid-19. A lavagem deve ser feita com cuidado. É preciso lembrar-se de esfregar bem os dedos, as pontas dos dedos, a palma e as costas das mãos, os pulsos e parte do antebraço. Água corrente tratada e sabonete. Não precisa mais do que isso para higienizar as mãos.

Somos calorosos por natureza. Temos o costume do contato com a mão do outro, de cumprimentar com abraços e beijos no rosto. Pode até parecer chato, mas, neste momento, o melhor é não fazer uso do cumprimento com contato físico na hora de falar com alguém. E não se trata de pânico. É uma questão de higiene.

Enquanto a lavagem das mãos com água e sabão deve ser feita a cada duas horas, a máscara só é recomendada para profissionais de saúde ou parentes que mantêm contato com pacientes do Covid-19. Além, é claro, da pessoa que teve a confirmação do contágio pelo novo coronavírus.

E para que serve a máscara? Para diminuir a propagação das gotículas contaminadas de saliva ou qualquer secreção do nariz. Quem tem sintomas de uma gripe ou doença respiratória, seja tosse ou espirro, deve se lembrar de cobrir a boca e o nariz com um lenço ou a própria camisa, blusa ou camiseta.

Muitas pessoas falam que o ideal é levar a mão à boca ou nariz para tampar na hora de tossir ou espirrar. Se você não fizer isso na direção de alguém e puder lavar a mão com água e sabão em seguida, menos mal. Mesmo assim, o ideal é evitar o contato das mãos ou cotovelos com a tosse ou espirro. Repito: não se trata de pânico, apenas medidas de precaução, prevenção e higiene pessoal.

Aglomerações

Produtoras, contratantes, governos, órgãos públicos e entidades esportivas em todo o mundo têm adotado medidas que proíbem a participação de plateia, torcedores ou multidões nos eventos. Até mesmo têm optado por adiar ou cancelar a realização de shows, reuniões, audiências públicas, encontros ou manifestações.

Por mais que caiba crítica ou elogios à ação, até o presidente da República, que inicialmente tratou o novo coronavírus como uma “fantasia” e um problema “superestimado”, pediu que as pessoas que desejam defender o governo ou protestar contra deputados, senadores e ministros fiquem em casa para evitar uma eventual proliferação em larga escala da Covid-19. Neste momento, evitar aglomerações é algo mais do que necessário. Trata-se de uma questão de saúde pública.

Pense na seguinte situação: você está preocupado com um parente ou amigo pegar a doença respiratória do vírus Sars-Cov-2 (novo coronavírus) na arquibancada de um jogo de futebol ou festival de música, como o Lollapalooza Brasil, mas vai à rua participar de um protesto, seja o de hoje ou o do dia 18 de março? Não faz sentido.

Você se preocupa com pessoas próximas, mas não toma as precauções mínimas para evitar que você mesmo seja mais um paciente confirmado da Covid-19? É dar muita sorte ao azar em praça pública com centenas ou milhares ao seu lado a optar pela mesma imprudência.

Isso no momento em que o governo do Estado precisou decretar estado de emergência em saúde pública para fazer contratações sem a necessidade de abrir processos licitatórios para estar pronto para a demanda de atendimento de pacientes que pode surgir.

Na mesma proporção do pânico, a despreocupação total com medidas de prevenção pode tornar a pessoa mais vulnerável. Enquanto seu vizinho lava as mãos com frequência e evita multidões sempre que possível em um momento de alerta, você resolve arriscar e, depois de ir a um evento com grande número de pessoas, não sente nada nos próximos dez dias.

Letalidade

O problema está no tempo de pico da doença no Estado. Confirmados os primeiros casos na quinta-feira, 12, a alta no número de pacientes confirmados com Covid-19 só virá de dez a 15 dias. A sua despreocupação pode se tornar uma gripe leve. Mas, a depender da idade, a doença pode chegar a um quadro respiratório grave.

Enquanto o índice de letalidade da Covid-19 é de 3,4% entre as pessoas que pegaram a doença, a taxa varia de acordo com a idade. De zero a 9 anos, a mortalidade é de 0%, o que muda para 0,2% nas faixas etárias de 10 a 12, 20 a 29 e 30 a 39 anos. Mas, ao chegar nas pessoas com 40 a 49 anos, a letalidade sobe para 0,4%.

Ainda parece pouco. Só que a escala da letalidade da doença causada pelo novo coronavírus começa a crescer de forma preocupante a partir dos 60, quando o índice de mortalidade sobe para 3,6% até os 69 anos. E dispara para 8% entre os infectados de 70 a 79 anos.

A maior preocupação está com os idosos a partir dos 80 anos. Aqui, a letalidade do Covid-19 atinge o seu percentual mais grave: 14%. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para uma realidade que descarta a possibilidade de ser tratada como piada, motivo de pânico ou compartilhamento indiscriminado de informações falsas nos aplicativos de mensagem.

É hora de encarar a seriedade da doença, adotar medidas de precaução e cuidar da saúde. E a higiene pessoal é sempre a forma mais eficaz de diminuir a chance de contágio da Covid-19. Mas não podemos de esquecer da vacinação contra o sarampo e outros tipos de gripe, que também matam e têm sintomas parecidos com os iniciais manifestados em pacientes da nova doença respiratória.

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