Augusto Diniz
Augusto Diniz

Nem recorde de candidaturas a prefeito e nomes de qualidade garantem interesse do eleitor

Goianiense vive impactos da pandemia, da crise econômica, da redução do auxílio emergencial, do desemprego e da alta na compra do supermercado em período eleitoral

Elias Vaz (PSB), Vanderlan Cardoso (PSD), Adriana Accorsi (PT), Talles Barreto (PSDB), Manu Jacob (Psol) e Maguito Vilela (MDB) são seis dos 14 candidatos a prefeito de Goiânia nas eleições de novembro | Fotos: Fábio Costa e Fernando Leite/Jornal Opção, Divulgação, Maykon Cardoso/Alego e Arquivo Pessoal

O arroz subiu mais de 14%. A carne já não cabe mais no auxílio emergencial, que agora é de apenas R$ 300 e não será disponibilizado a todos os mais de 65 milhões de beneficiários. A pandemia da Covid-19 causou 4.120 mortes no Estado até a noite de sexta-feira, 18. 1.026 vítimas da doença foram confirmadas apenas nos primeiros 18 dias de setembro, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO).

Em meio a um cenário nada animador, 971.221 eleitores irão às nove zonas eleitorais de Goiânia no dia 15 de novembro escolher o novo prefeito, vice-prefeito e os 35 vereadores da capital. Se houver segundo turno, os goianienses voltarão às urnas em 29 do mesmo mês, apenas 14 dias depois. Institutos de pesquisa e cientistas políticos apontam que, além daqueles que habitualmente não saem de casa para votar a cada dois anos, o percentual de abstenção pode superar 30% em 2020. O motivo adicional seria o medo de ser infectado pelo Sars-CoV-2 (novo coronavírus).

A decisão do prefeito Iris Rezende (MDB) de, além de não disputar a reeleição, ficar de fora da campanha embaralha ainda mais as chances de cada um dos 14 candidatos que entraram na corrida eleitoral. Por ser do mesmo partido, o natural e esperado seria o emedebista apoiar o ex-governador Maguito Vilela. Mas a aliança política firmada em 2014 com o governador Ronaldo Caiado (DEM) e a aproximação da aposentadoria da vida pública distanciam cada vez mais Iris do pleito.

Sai na frente?

O fato pode favorecer a candidatura do senador Vanderlan Cardoso (PSD), que se uniu a Caiado e deixou o governador escolher seu vice, o ex-senador Wilder Morais (PSC)? Talvez. A verdade é que esse cenário torna a disputa entre Maguito e Vanderlan mais aberta, com qualquer resultado possível. Inclusive com a vitória de outro candidato entre as demais 12 candidaturas.

Todos têm chance de saírem vitorioso da disputa? Pouco provável. Tanto que as alianças com mais de um partido incluem apenas quatro chapas. Apenas Maguito, Vanderlan, o ex-deputado estadual Samuel Almeida (Pros) e o deputado federal Elias Vaz (PSB) conseguiram costurar acordos com outras legendas. Sem a certeza do apoio eleitoral de Iris, Maguito escolheu o Republicanos para sua vice, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, com o vereador e pastor Rogério Cruz na chapa.

O candidato do MDB representa os Vilela no partido, grupo que disputa espaço com os iristas na legenda. Assim como em 2018 Iris Rezende não entrou com tudo na campanha do presidente estadual emedebista Daniel Vilela ao governo do Estado, apoiar Maguito não é algo facilmente esperado. Já Vanderlan negociou o apoio a Caiado na busca pela reeleição em 2022 para sair candidato a prefeito com a estrutura estadual ao seu lado.

Cabo de guerra

Enquanto Vanderlan quer Iris fora da disputa, o que até aqui parece o mais provável, Maguito quer o prefeito em sua campanha. A concorrência é forte. Mas não fecha as portas para que outras candidaturas obtenham sucesso. Uma delas é a chapa com Elias Vaz a prefeito e o empresário e primeiro vice-presidente do PDT na capital, Genival Naves, a vice. O pessebista deixou sua marca na Câmara de Goiânia como vereador de oposição e segue na mesma linha no Congresso, onde se posiciona como crítico à gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Assim como Elias Vaz se beneficia da não participação de Iris do processo eleitoral, a deputada estadual e delegada licenciada da Polícia Civil, Adriana Accorsi (PT), também montou uma chapa forte. Depois de negociações que não levaram a acordos com Rede e PL, Adriana atraiu para a candidatura o ex-prefeito petista Pedro Wilson como nove lançado para vice-prefeito. As duas figuras têm peso, podem elevar o debate, assim como a candidatura de Elias Vaz, mas o antipetismo segue forte e pode ser verificado constantemente nas redes sociais.

Independente do desgaste da sigla, Adriana apareceu bem colocada nas primeiras pesquisas, que ainda mostram um cenário muito embolado. Disputar contra um senador e um ex-governador não é tarefa fácil, mas a petista chega à sua segunda eleição para prefeita com condições de apresentar um projeto diferente das chapas consideradas favoritas e discutir a questão da segurança pública, que foi uma das três principais pautas de 2016.

Ordenamento urbano

Mais seis candidatos a prefeito em Goiânia: Major Araújo (PSL), Cristiano Cunha (PV), Samuel Almeida (Pros), Alysson Lima (Solidariedade), Virmondes Cruvinel (Cidadania) e Fábio Júnior (UP) | Fotos: Fábio Costa e Fernando Leite/Jornal Opção, Divulgação, Maykon Cardoso/Alego e Arquivo Pessoal

Elias Vaz, por estar ligado em sua história política com o movimento do transporte alternativo de Goiânia, tem condições de incluir o transporte coletivo da capital no debate eleitoral. Assim como o pessebista, a pré-candidata Maria Ester de Souza (Rede) trazia um outro olhar para a cidade, com a discussão do planejamento pautado pelo olhar de arquiteta e urbanista inserida nas problemáticas do ordenamento da capital. Só que a Rede optou por apoiar Elias Vaz, o que não agradou Maria Ester. O resultado da disputa interna é um partido que chegará bastante rachado na sua chapa de candidatos a vereador.

No lançamento da vice de Elias, o PDT acabou por desistir da pré-candidatura a prefeito do vereador Paulinho Graus, que optou por sair da disputa. Outro nome que ficou de fora foi o do também vereador Felizberto Tavares (Podemos), que viu o partido escolher Lorena Carneiro para a vice na chapa de Samuel Almeida. Felizberto anunciou que se desfiliaria do Podemos, que ficou mesmo com o ex-deputado estadual e representante da Assembleia de Deus na disputa eleitoral.

Na mesma opção feita por Adriana Accorsi e o PT, dez partidos resolveu lançar chapas puras para prefeito e vice. O Cidadania do vice-governador Lincoln Tejota, que já tinha escolhido o deputado estadual Virmondes Cruvinel para prefeito, decidiu colocar na vice Julimária Sousa, economista e servidora pública. A aposta do Cidadania é pela renovação política, com nomes jovens.

Sem coligações proporcionais

Como não há mais, desde a eleição de 2016, a possibilidade de financiamento privado de campanhas e, em 2020, a coligação de mais partidos na chapa proporcional – de vereador -, lançar candidatos a prefeito e vice significa aumentar a chance de receber recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral. O dinheiro é distribuído entre os diretórios nacionais de acordo com regras que observam resultados de votações anteriores. O partido repassa aos diretórios estaduais, e assim para os municipais, de acordo com o número e relevância das candidaturas.

Então é vantajoso lançar chapa majoritária ou emplacar um filiado na vice de outro partido. É justamente aqui que Rede e PL inicialmente perdem, pois podem, a critérios adotados pelos diretórios estaduais, receber menos recursos para bancar as campanhas de vereador. Mesmo que não obtenha sucesso em votos na chapa majoritária, os candidatos a prefeito e vice podem fortalecer os concorrentes à Câmara de Goiânia.

É o caso do PSL, que tem o deputado estadual Major Araújo para prefeito e a pastora Rose Castelo na vice. O partido presidido em Goiás pelo deputado federal Delegado Waldir Soares optou por fortalecer sua chapa majoritária com as bandeiras da segurança pública, com um político vindo da Polícia Militar e uma representante do segmento religioso.

De vice que não assumiu a candidato a prefeito

Em 2016, Major Araújo foi candidato a vice-prefeito na chapa de Iris Rezende, mas desistiu da candidatura no meio da campanha e não tomou posse no cargo. O candidato queria enfrentar Iris, mas, assim com os outros nomes no pleito, pode se beneficiar de um cenário recorde de candidaturas para buscar a atenção do eleitor.

A segunda mulher na disputa pela Prefeitura de Goiânia é Manu Jacob (Psol). A professora participou das discussões do partido entre lançar a vice em outra campanha ou formar chapa pura. Depois de dialogar com PT e Rede, o Psol escolheu ficar com Manu para prefeita e o arquiteto e urbanista Luiz Felipe Teixeira. Assim como fez em 2016, quando lançou Flávio Sofiati, o partido fez questão de participar como protagonista da disputa majoritária. A decisão fortalece os candidatos a vereador da sigla, que não chegou ao Legislativo em Goiânia há quatro anos.

O PV, que esteve perto de fechar coligação com Virmondes Cruvinel na chapa do Cidadania, preferiu manter a candidatura do advogado Cristiano Cunha, presidente estadual do partido. Na vice, o escolhido foi Carlos Moreira, representante do teatro e do setor cultural de Goiânia. Assim como o Psol, o principal feito é fortalecer a chapa de vereadores. O que também parece mais importante para o deputado estadual Alysson Lima (Solidariedade), penúltimo candidato a anunciar o nome do vice, escolheu o coronel José Augusto Lima, do mesmo partido.

Última chapa

Quem ficou por último na corrida por um vice foi o deputado estadual Talles Barreto (PSDB), líder da oposição ao governo Caiado na Assembleia. O PSDB anunciou na quinta-feira, 17, o nome de Meirinha Valle, que foi chefe de gabinete na Secretaria Estadual de Educação em gestões tucanas. Pela demora na escolha, ficou a impressão de que foi essa a chapa possível. O que não tira o mérito da articulação, porque dá chances ao PSDB de fortalecer a chapa proporcional.

A grande novidade na política partidária e eleitoral em Goiânia é a primeira participação do Unidade Popular. Com dois estudantes universitários, a UP também decidiu sair com chapa pura para defender bandeiras discutidas no movimento estudantil para Goiânia. Fábio Júnior, estudante de Economia da Universidade Federal de Goiás (UFG), e Allyne Marinho, aluna de Relações Internacionais da UFG, saem a prefeito e vice pelo partido autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ser fundado em dezembro de 2019.

Pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), o professor Antônio Neto, da Rede Municipal de Educação, foi confirmado como candidato a prefeito em chapa pura com Guilherme Martins, que também é educador vinculado ao Cursinho Comunidade Faz Arte.

Outra chapa de extremo oposto ao PCB é a formada pelo DC. O Democracia Cristã mudou de candidato quando o professor de inglês Gustavo Gayer entrou na disputa e desbancou o deputado estadual Delegado Eduardo Prado, que desistiu da pré-candidatura. Para a vice de Gayer, da Frente Conservadora de Goiânia, o escolhido foi o presidente do DC goiano e ex-presidente da Agetul [Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer], Alexandre Magalhães.

Quem ficou de fora

Maria Ester de Souza (Rede) e Dra. Cristina Lopes (PL) reclamaram bastante da forma como foram retiradas da disputa majoritária na semana passada | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Dos pré-candidatos a prefeito que conseguiram se manter na disputa, sobrou apenas um, o ex-senador Wilder Morais. O nome do PSC virou vice na chapa do senador Vanderlan Cardoso. Outros sete concorrentes na pré-campanha não conseguiram concluir boas negociações. O primeiro caso, que transpareceu um desfecho amigável, foi a desistência do deputado federal Francisco Jr. (PSD), que abriu espaço para Vanderlan concorrer à Prefeitura de Goiânia.

Depois de terminar em quarto lugar na disputa de 2016 para o cargo de prefeito, o deputado sonhava em concorrer novamente. Mas seu nome não cresceu nas pesquisas e a força eleitoral de Vanderlan, com o apoio do governo estadual, pareceu mais interessante para o PSD. Quem corre mais risco com a aliança é o governador Ronaldo Caiado, que pode ver o acordo com Vanderlan para 2022 ser quebrado. Mas este capítulo só será contado daqui a dois anos. Aguardemos.

Comentamos antes o que ocorreu com o Delegado Eduardo Prado, que disputou por muito tempo espaço para ser candidato a prefeito, mas perdeu espaço e acabou por desistir da pré-candidatura no DC dois dias antes do prazo final das convenções. O vereador Paulinho Graus, que viu o PDT com mais chances eleitorais em uma parceria com o PSB, saiu da disputa e deu espaço a outro nome na vice de Elias Vaz.

Felizberto Tavares não saiu muito satisfeito da pré-campanha e anunciou a desfiliação do Podemos. O ex-deputado federal Sandes Júnior colocou o nome à disposição do Progressistas, que fechou apoio a Vanderlan Cardoso e ofereceu vaga na chapa de vereadores a Sandes.

Casos emblemáticos

Os dois casos que mais esquentaram o debate do final da pré-campanha em Goiânia foram as saídas, até o meio da semana passada inesperadas, de Maria Ester de Souza e Dra. Cristina Lopes da corrida majoritária. Anunciada desde o primeiro semestre como pré-candidata a prefeita da Rede, a arquiteta e urbanista queria discutir a cidade e seu ordenamento em um ano em que o projeto de revisão do Plano Diretor empacou na Câmara de Goiânia, inclusive com questionamentos do Ministério Público.

Na terça-feira, 15, um dia antes do fim do prazo das convenções partidárias, a Rede Sustentabilidade rachou. O partido se dividiu entre os que queriam manter a candidatura de Maria Ester a prefeita e os que se irritaram com a oportunidade perdida para emplacar a vice na chapa de Adriana Accorsi e de Elias Vaz.

Relatos dos filiados que participaram da tensa reunião de terça-feira dão conta de que Maria Ester, ao saber que não seria mais a candidata da Rede, não teria defendido seu projeto eleitoral. O que ocorreu depois todos viram: a ex-pré-candidata foi às redes sociais e atacou abertamente o partido. Dos dois lados ficaram mágoas do processo não muito bem resolvido. A Rede acabou na chapa de Elias Vaz, mas já sem a antes oferecida vice.

Ingenuidade ou machismo?

Maria Ester alegou que foi retirada em uma atitude machista da Rede, que a retirou do processo eleitoral se uma justificativa, depois de ter confirmado sua candidatura dias antes. Filiados do partido e analistas políticos avaliam que a pré-candidata foi ingênua, faltou fazer o que estava posto à mesa: política. E por política entenda negociação de grupo, conversar, construir um projeto conjunto.

Sem Maria Ester na disputa, a Rede ficou sem candidatura majoritária, o que representará menos dinheiro do fundo eleitoral para a chapa de vereadores do partido. O que já estava ruim com a retirada da pré-candidatura, tende a ficar ainda pior durante a campanha, com dificuldade de viabilizar recursos para a disputa.

Mas, dois dias depois, na quinta-feira, 17, Maria Ester se uniu à vereadora Dra. Cristina Lopes (PL). Com bastante dificuldade em fechar a chapa majoritária, a parlamentar se voltou para os filiados do PL para encontrar um nome que fosse adequado para lançar como vice. Depois de negociações frustradas com o PT, que não topou caminhar junto com o partido escolhido por Cristina, o jeito foi montar uma chapa pura.

Chapa pura do PL

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Ontem, vivi uma violência política que jamais pensei ser possível. Fui surpreendida com um ato antidemocrático da direção do Partido Liberal em Goiás que, à revelia do que foi decido em convenção partidária, impediu o registro da minha candidatura à prefeitura de Goiânia. Na última quarta-feira, dia 16, fui aclamada em convenção partidária como a candidata do partido ao Paço Municipal. Entretanto, na manhã do dia seguinte, os presidentes estadual @flaviopcanedo e metropolitano @valdery_jr , descumpriram o nosso acordo, não registraram a minha candidatura e enviaram uma ata que não condiz com a realidade da convenção. O evento e todo processo foi gravado e transmitido em nossas redes sociais e pode ser comprovado por todos: não há nenhum acordo em relação à participação do PL na coligação com MDB e outros partidos. A deputada @magdamofatto.goias tem afirmado que essa decisão do PL é democrática, mas sua palavra não tem veracidade com os fatos e, além das gravações, temos dezenas de testemunhas presentes. Estou tomando as medidas jurídicas possíveis. Tenho ética e compromisso moral com a política. Não faço negociatas e não aceito nada menos que respeito à democracia.

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Apoio incondicional à então pré-candidata, a maçonaria não gosta do PT e também impôs limites à aliança para se manter ao lado da Dra. Cristina. Enquanto isso, PSB e PDT fechavam acordo na chapa majoritária após a negativa de Maria Ester à vice de Elias Vaz. Restou pouco a ser feito pelo PL e pela vereadora. Na noite de quarta-feira, 16, Cristina anunciou seu vice na chapa pura: tenente-coronel Luiz, da reserva do Corpo de Bombeiros.

Enquanto isso, o partido seguia as negociações com o MDB em diversos municípios. Como as conversas avançaram, o PL preferiu apoiar Maguito Vilela em Goiânia e desistir da candidatura de Dra. Cristina à prefeitura. Houve um problema. Publicamente, a alegação foi a de que a decisão partidária foi apenas comunicada à então candidata, já confirmada na convenção, que pode ter seus membros modificados até 26 de setembro, como prevê o calendário eleitoral estabelecido pelo TSE.

Emocionada, Dra. Cristina convocou uma entrevista e alegou que foi “sabotada” pelo PL. “O PL foi o partido que me garantiu que eu seria candidata, que não haveria recuo, mas não foi isso que eu assisti hoje. Eu fui sabotada pelo Partido Liberal, eu fui sabotada pela Executiva Estadual”, desabafou a vereadora.

Resposta em vídeo

Horas depois, a deputada federal Magda Mofatto (PL) respondeu em um vídeo as acusações de Dra. Cristina: “Ela [Dra. Cristina] me acusa de ações que não foram feitas por mim. Eu não sou presidente do partido, eu sou membro do partido. Sou deputada federal. As decisões de partido não são tomadas por mim”. Magda alegou estar “extremamente chocada, comovida e preocupada” com as alegações da agora ex-candidata a prefeita.

“Foi feita a convenção e, depois de várias tentativas, vários convites para que compusessem o quadro tendo um vice prefeito, isso não aconteceu. De todas as tentativas, todas foram infrutíferas, não só com outros partidos, mas principalmente dentro do PL.” A fala de Mofatto confirma o que analistas, cientistas políticos e aliados da Dra. Cristina alertaram no final de 2019, que a vereadora teria sido ingênua demais ao acreditar na estrutura e condição que o PL a daria para ser candidata a prefeita.

Na internet, a acusação de quem se surpreendeu com a retirada de Dra. Cristina da disputa foi, quase sempre, a de que houve uma demonstração machista ao retirar duas mulheres da disputa eleitoral, ou que o ato contra a candidatura da vereadora teria sido inaceitável. Cabe sim uma possibilidade de se interpretar a forma como foi feita a comunicação às duas candidatas como machismo. Mas as duas pecaram na construção das candidaturas. E política, por mais que se imagine assim, não se faz sozinho.

Perde o debate público

O fato é que Goiânia perde, e muito, com a saída de Maria Ester e Dra. Cristina da disputa eleitoral. Por quê? Pela qualidade e os temas que as duas pré-candidatas tinham condições de trazer ao debate público. Mesmo que as chances eleitorais, no momento, fossem pequenas, o impacto da agenda de discussão da cidade poderia obrigar outros nomes mais bem posicionados na preferência do eleitorado a incluir temáticas que originalmente não fariam parte de suas plataformas de governo.

Dra. Cristina ainda tem a chance, se contar com a sorte eleitoral, de se tornar deputada estadual na suplência que ocupa na coligação de 2018. Um caso é a candidatura do parlamentar Diego Sorgatto (DEM), que disputa a Prefeitura de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. Caso seja eleito, a cadeira de Diego na Assembleia passa a ser de Cristina. Se Maguito for escolhido prefeito pelos goianiense, o PL poderá participar da gestão. Nem tudo está perdido para a ex-candidata e o partido.

Eleitor atento?

Mas e o eleitor? Está mesmo ligado na disputa eleitoral que foi iniciada no final da semana passada? O desemprego no País bateu a casa dos 13 milhões, a fome cresceu, o auxílio emergencial caiu pela metade – e muitos ficaram de fora. Daqui a pouco serão encerradas as medidas de suspensão de contratos e redução de jornada, muitas empresas não tiveram acesso ao crédito e fecharam as portas. Sem contar o pior dos males, as centenas de mortes por semana causadas pela Covid-19 no Estado.

Com uma campanha que provavelmente será bastante explorada na internet, muita gente não estará disposta a receber o candidato a prefeito, quanto mais o concorrente ao Legislativo, em casa. Quanto mais sair para votar! Os nomes conhecidos podem ter mais chance? É possível que sim. Posso afirmar isso com toda certeza? Jamais.

Mas, sem dúvida, é um processo eleitoral bastante atípico. Pela nova realidade de muitas candidaturas, mais do que o dobro das sete chapas de 2016, realizada no meio da pandemia de uma síndrome respiratória aguda grave e diante de uma crise que impõe diversas incertezas para o futuro gestor de Goiânia.

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