Afonso Lopes
Afonso Lopes

Incertezas dominam cenário oposicionista

O que parecia perfeito para a oposição em 2018 começa a se transformar em pesadelo. A reação administrativa do governo embaralha o destino de candidaturas ao governo entre os opositores. Pode sobrar para Iris Rezende?

Iris Rezende deixaria a prefeitura com pouco mais de um ano para disputar o governo estadual em 2018? | Foto: Fernando Leite

Na fase de ajustes em 2015 e 2016, as principais lideranças da oposição em Goiás, principalmente no maior partido, o PMDB, disputaram poder interno palmo a palmo visando reforçar o posicionamento de seus candidatos potenciais. O irismo apostou no senador Ronaldo Caiado, e chegou a sonhar com a possibilidade de ele abandonar o DEM e ingressar no PMDB, o que respaldaria ainda mais a sua indicação pelos caciques do grupo. O maguitismo jogou as fichas que dispunha numa candidatura do deputado federal e presidente regional do partido, Daniel Vilela. E a fome era imensa porque o governo estadual atravessava o duríssimo período de rearranjo da estrutura da máquina administrativa, atingida pelo tsunami da pior recessão da economia brasileira de toda a história.

O clima mudou. Com os ajustes fiscais e financeiros, o governo voltou à condição de principal protagonista do investimento do Estado, e o programa Goiás na Frente, que prevê aplicação direta de recursos acima de 6 bilhões de reais até o final de 2018, se tornou uma grande vitrine. Além disso, no campo político propriamente dito, a base aliada evitou turbulências futuras ao definir imediatamente a natural candidatura do vice-governador José Eliton, que estará no exercício pleno do governo durante o processo eleitoral como candidato à reeleição. Essa escolha, anunciada pelo governador Marconi Perillo, ocorreu no momento certo. Já havia aliados sassaricando em torno da possibilidade de se lançarem candidatos à sucessão. O nome de José Eliton, respaldado por Marconi desde já, provocou mudanças nos planos dos pretendentes, e pacificou pelo menos a cabeça de chapa.

Tudo somado, o cenário imaginado pela oposição para 2018 se alterou completamente. Nem o senador Ronaldo Caiado nem o deputado Daniel Vilela vivem mais aquela certeza interna que tinham quanto à facilidade de enfrentar a eleição do ano que vem. Eles sabem que a chapa governista irá com força máxima para a disputa, e isso significa que a maior e melhor azeitada máquina eleitoral entrará na guerra pelos votos com ótimo posicionamento.

Com cenário incerto para os opositores, que perderam dois anos numa disputa à beira da fogueira de vaidades em vez de discutir propostas alternativas de governo, o PMDB começa a perceber que existem dois veteranos que podem entrar no processo eleitoral do ano que vem exatamente por terem um recall bem maior que os demais: Iris Rezende e Maguito Vilela. O problema de Maguito é exatamente seu filho Daniel. Se sai um e entra o outro como candidato, ficará a impressão que a família faz qualquer coisa para alcançar o poder.

Mas, afinal, Iris Rezende será mais uma vez candidato a governador e, para isso, abandonará de no­vo mandato de prefeito de Goiânia? Inicialmente, não. Essa tal­vez seja a candidatura mais complicada para o PMDB no ano que vem. E essa complicação começa em casa. Dona Iris Araújo não cabe no tradicional traje a rigor de primeira-dama. Ela se sente muito mais a vontade com o uniforme de combatente eleitoral. O sonho imediato dela é exatamente voltar a ser deputada federal. Em 2014, a dupla Iris-Iris acabou perdendo as eleições nas duas pontas: para o governo e para a Câmara dos Deputados. Embora cada eleição reúna uma porção de fatores inéditos que se entrelaçam para se formar um quadro de definição, é certo que fazer a mesma coisa em 2018 pode ter o mesmo resultado negativo. Em outras palavras, entrar na disputa com a dupla
Iris governador/Iris deputada é dar muita sopa pro azar. Ou é um, ou é outra.

Apesar de tanta encrenca à vista, ainda assim há peemedebista sonhando com a possibilidade de Iris Rezende refazer seus projetos pessoais e se lançar candidato a governador. No entendimento desse grupo, em 2018 será a melhor chance de Iris finalmente conseguir retornar ao Palácio das Esmeraldas. Pode ser, mas talvez o que motive esses peemedebistas seja a falta de ânimo em torno de Daniel ou de Ronaldo. O PMDB chega à véspera do ano eleitoral sem candidato. Isso é inédito.

Para matar logo qualquer possibilidade de a bola ir parar em seus pés, o prefeito Iris Rezende teria que se posicionar imediatamente de maneira convincente de que não deixará a Prefeitura de Goiânia em abril do ano que vem, e reafirmar seu compromisso de concluir seu mandato no tempo certo. De outra forma, do jeito que as coisas estão indo, e na falta de rumos que se apresenta, a candidatura do PMDB ao governo pode, sim, sobrar para Iris. Difícil? Sim, muito difícil, mas impossível não existe no dicionário político.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.