Afonso Lopes
Afonso Lopes

Goiás se desgarra da crise

Dados oficiais do Caged, do Ministério do Trabalho, mostram que o Estado de Goiás é o primeiro do país a gerar saldo positivo nos últimos 12 meses, com referência a julho

Indústria de transformação em Goiás foi a maior propulsora na geação de empregos nos últimos meses | Foto: Milton Cury

Mergulhado na mais profunda recessão econômica de sua história, desde o segundo semestre de 2014, o Brasil produziu um estoque de desempregados impressionante. No auge da redução no número de vagas de trabalho, pelo menos 14 milhões de pessoas enfrentaram o pior efeito da recessão: a falta de trabalho. Aparentemente, o pior momento pode ter sido vencido. De uma forma geral, salvo exceções localizadas, como do Rio de Janeiro, o desemprego vem caindo, embora em níveis bastante leves. É um alento, sem dúvida, após o desastre total.

O Estado de Goiás é protagonista nessa superação. De janeiro a julho deste ano, Goiás ficou em terceiro lugar em número absoluto de vagas de emprego geradas a mais que o número de demissões, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Proporcionalmente, a diferença favorável a Goiás impressiona. Enquanto 45.142 goianos conseguiram retornar ao mercado de trabalho de janeiro e julho, 86 mil paulistas e 68 mil mineiros também voltaram a ter carteira de trabalho registrada em alguma empresa. São Paulo e Minas são os Estados mais populosos do país.

Além desse quadro proporcional, outro aspecto é revelador quanto ao início da superação do pior momento do desemprego em Goiás. Nos últimos 12 meses, o saldo de empregos novos em Goiás e de 6.849 vagas. Em São Paulo, esse saldo ainda é negativo em mais de 165 mil vagas, enquanto Minas Gerais tem saldo no vermelho de 30 mil vagas. Dentre os dez Estados com melhor desempenho na geração de empregos de janeiro a julho, o saldo positivo nos 12 meses só foi conseguido em Goiás e por Santa Catarina, que registrou 2.700 novas vagas. O Estado de Mato Grosso, outra potência dentre os geradores de empregos este ano, quase empatou no saldo de 12 meses com fechamento em julho, ficando negativo em somente 204.

Economias regionais muito mais fortes do que a goiana ainda derrapam nessa comparação. O Paraná gerou cerca de 24 mil novas vagas este ano, mas tem saldo negativo de quase 15 mil empregos nos últimos 12 meses. Rio Grande do Sul, quarta maior economia do país, praticamente não gerou novas vagas, e tem estoque negativo de quase 30 mil vagas nos últimos 12 meses.

Por que, afinal, Goiás está conseguindo superar a crise do desemprego antes dos demais Estados, incluindo todos das regiões Sul-Sudeste, as duas mais desenvolvidas do país, e também seus vizinhos do Centro-Oeste? Para entender esse processo, é necessário mergulhar um pouco mais profundamente no quadro de empregos gerados pela atividade econômica de Goiás.

A maior recuperação de empregos foi registrada entre janeiro e julho deste ano na indústria de transformação. Só nesse setor foram gerados quase 14 mil novos empregos, com maior destaque para a indústria química e farmacêutica e a indústria de produção de alimentos e bebidas. O segundo setor com mais empregos em 2017 no Estado é o agronegócio, com mais de 11 mil novas vagas. O cruzamento dessas duas informações é interessante. A agropecuária goiana produziu mais, e por essa razão gerou mais empregos, e a indústria de produtos alimentícios também teve importante desempenho, situando-se como segundo maior gerador de empregos dentro da indústria de transformação. Ou seja, Goiás não é apenas a fazenda produtora de commodities, mas também industrializa boa parte dessa produção.

O setor de serviços também atingiu um bom saldo de novas vagas, 13.401, nos primeiros sete meses de 2017. O destaque vai para o subsetor da alimentação e alojamento, que recebeu 5.386 novos empregados. Novamente aqui entra a cadeia de produção iniciada no agronegócio.

Dos mais de 45 mil novos empregos gerados em Goiás em 2017, mais de 7 mil surgiram na indústria química e farmacêutica. Há anos o governo do Estado vem aplicando incentivos fiscais através do programa Produzir para consolidar esse subsetor da indústria de transformação. A resposta positiva para esse esforço se mostra com esse desempenho tão importante no quadro geral do desemprego e da superação dele.

É claro que Goiás não é uma ilha. O Estado também sofre com a situação geral da economia do país, mas é bastante positivo perceber que ao menor sinal de superação da recessão nacional o Estado responde de maneira bastante positiva. É bom demais da conta desejar um “xô, desemprego”. Em Goiás, se Brasília não atrapalhar, esse desejo será cada vez maior. O caminho é esse. l

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