Augusto Diniz
Augusto Diniz

Enquanto campanha de Maguito agradece votos e orações, Vanderlan tenta destacar problemas para apresentar propostas

Candidatos a prefeito de Goiânia iniciaram propaganda de rádio e TV com objetivos diferentes. Emedebista quer manter liderança e pessedista busca recuperação

Propaganda de Maguito Vilela (MDB) agradeceu por orações e votos recebidos no primeiro turno. Tempo de TV de Vanderlan Cardoso (PSD) foi usado para fazer críticas a problemas na saúde e apresentar propostas | Foto: Reprodução/Propaganda eleitoral obrigatória

Os candidatos a prefeito de Goiânia voltaram ao rádio e à TV na propaganda eleitoral obrigatória em dois blocos de dez minutos e 25 pílulas de 30 segundos cada na sexta-feira, 20. Restam apenas cinco dias para o ex-governador Maguito Vilela (MDB) e o senador Vanderlan Cardoso (PSD) apresentarem o que os cacifa a chefe do Executivo na capital na propaganda.

Com um segundo turno de apenas 14 dias, qualquer erro de estratégia, por menor que seja, pode prejudicar o resultado esperado nas urnas na noite do próximo domingo, 29. Ainda envolto em dúvidas, o início da semana foi marcado por mentiras compartilhadas em aplicativos de mensagem sobre a morte do emedebista Maguito Vilela. O responsável pela invenção ainda não foi identificado. Mas as trocas de acusações entre as duas campanhas em decorrência do episódio criminoso marcou o fim do primeiro turno na capital.

A situação foi intensificada a partir da entrevista que o senador Vanderlan Cardoso concedeu à Rádio Sagres 730 na manhã de terça-feira, 17, na qual acusou a campanha do MDB de estelionato eleitoral, de mentir sobre os boletins que informam o quadro de saúde de Maguito Vilela no Hospital Albert Einstein em São Paulo e por questionar a suposta ausência do candidato a vice-prefeito Rogério Cruz (Republicanos) na campanha do emedebista.

Tom inadequado

Como era de se esperar, o tom inadequado adotado pelo pessedista na ocasião teve uma repercussão muito negativa no meio político e entre a população. Nas entrevistas seguintes, como a concedida na sexta-feira, 20, para a Rádio Interativa, Vanderlan amenizou as críticas e tentou apresentar propostas. Mas voltou a deixar no ar que a invenção de que Maguito teria morrido na noite de domingo pode ter partido de um apoiador ou alguém ligado à campanha adversária.

Dada a repercussão negativa da primeira entrevista, a campanha de Vanderlan precisava reagir. E marcou para a noite de sexta o lançamento do movimento “Sou Iris, Voto 55”, com apoio dos emedebistas Bruno Peixoto, deputado estadual e líder do governo Ronaldo Caiado (DEM) na Assembleia Legislativa, e do senador Luiz Carlos do Carmo (MDB), que assumiu o cargo quando o democrata foi eleito governador em 2018.

Não é possível afirmar que os dois eventos tenham ligação, mas o incômodo revelado nos bastidores pelo prefeito Iris Rezende (MDB) com as dúvidas levantadas por Vanderlan sobre o estado de saúde de Maguito e o anúncio do “Sou Iris, Voto 55” convenceram o chefe do Executivo municipal, que tinha decidido manter neutralidade na campanha, a gravar um vídeo na noite de quinta-feira, 19, no qual chama o prefeitável do MDB de “nosso candidato”. Era tudo que a campanha emedebista precisava. E o que o pessedista não queria que ocorresse.

Declaração de Iris

Declaração de Iris Rezende (MDB), definida no dia seguinte pelo prefeito como “força de expressão”, incomodou a campanha do candidato do PSD | Foto: Divulgação/Campanha Maguito Vilela

Pressionado de todos os lados por maguitistas e apoiadores de Vanderlan, o prefeito de Goiânia tentou minimizar o clima elevado na disputa da capital na manhã seguinte. Na sexta-feira, Iris Rezende resolveu dizer que o “nosso candidato” usado em sua fala do dia anterior era apenas uma “força de expressão”. Mas revelou a aliados que votou em Maguito e repetirá o voto no próximo domingo.

No mesmo dia, a campanha do PSD no rádio e na TV adotou tom propositivo para situações críticas que passou a apontar na cidade. E o primeiro tema escolhido foi a saúde, o ponto mais frágil da gestão Iris. Na Rádio Interativa, Vanderlan se referiu ao prefeito como “Seu Iris”, em tom incomodado com a postura do emedebista na noite anterior. O senador parecia ter acusado o golpe das críticas que têm recebido desde que adotou posicionamento agressivo ao falar sobre o estado de saúde de Maguito.

Mas começou na TV com tom propositivo, o que pode agradar o eleitor, que espera ver o que o candidato tem a propor para a cidade. A propaganda de rádio e TV de Vanderlan na sexta-feira se apoiou em depoimentos de goianienses que tiveram dificuldade e demoraram a conseguir serviços públicos de saúde ou que temem que o eleitor da capital se arrependa da escolha que fizer. Tudo sem citar nomes.

Foco na saúde

Nas propostas, Vanderlan dedicou tempo considerável para descrever a intenção de fortalecer e aumentar a rede de atendimento do Programa Saúde da Família (PSF). O candidato do PSD já tinha citado os 8% de votos válidos recebidos pelo prefeitável Gustavo Gayer (DC) no primeiro turno como “uma boa surpresa” na entrevista da manhã de sexta-feira. Em seguida, na propaganda de TV, Vanderlan dobrou a aposta.

Ao falar do auxílio emergencial do governo federal, do qual faz parte da base no Senado, a campanha do pessedista anunciou que no dia 31 de dezembro o benefício irá acabar. Mas tratou de apresentar uma solução: criar o auxílio emergencial municipal no valor de R$ 300, mesma quantia entregue hoje aos beneficiários em todo o País. A proposta é praticamente igual à apresentada por Maguito no início do primeiro turno, inclusive com os mesmos R$ 300.

A aposta de Vanderlan visa os votos que o candidato do DC recebeu no primeiro turno. O senador prometeu que a vacina contra a Covid-19 será garantida em Goiânia para todos. Mas cada todos os mais de 1,5 milhão de goianienses irão tomar a vacina quando estiver disponível? Não. Só aqueles que quiserem receber a dose. A estratégia, do ponto de vista sanitário, pode criar um problema, que é não atingir o mínimo de 70% de imunização para tentar erradicar ou diminuir bastante a chance de novas infecções.

Na volta da propaganda de rádio e TV, Vanderlan Cardoso (PSD) dedicou sua atenção aos problemas da saúde em Goiânia | Foto: Reprodução/Propaganda eleitoral obrigatória

Aposta na pandemia

Mas a mira do pessedista está voltada para o eleitor que se colocou contra a vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac Biotech, a Coronavac, e contrário às medidas de isolamento social ou fechamento das atividades consideradas não essenciais durante a pandemia. Em seguida, Vanderlan prometeu que Goiânia não adotará lockdown (tranca rua) se o candidato do PSD for eleito prefeito.

Vale lembrar que não houve lockdown em momento algum no Estado de Goiás, mas o fechamento de atividades não essenciais durante a pandemia da Covid-19 na segunda quinzena de março, medida que começou a ser afrouxada a partir de 20 de abril e foi abandonada no dia 14 de julho. São poucas as atividade que ainda não tiveram o funcionamento autorizado.

O problema é que o primeiro gestor em Goiás a adotar medidas de controle da propagação da doença com o fechamento das atividades não essenciais foi o governador Ronaldo Caiado (DEM), que não só apoia a candidatura de Vanderlan como lançou o vice do pessedista, o ex-senador Wilder Morais (PSC). O senador precisa avaliar se a medida não é uma crítica indireta ao chefe do Executivo estadual que lhe ofereceu parceria eleitoral em Goiânia.

Efeito esperado

Já o apelo ao eleitor de Gayer pode não se efetivar. Em live recente no YouTube, o candidato no primeiro turno pelo DC disse que seria natural quem votou em sua candidatura optar por Vanderlan Cardoso no segundo turno.

Mas, como fez enquanto estava na disputa eleitoral, Gustavo Gayer voltou a criticar como inaceitável a defesa que o senador fez em áudio do também parlamentar Chico Rodrigues, do DEM de Roraima, que estava com R$ 33 mil escondidos em casa, a maior parte na cueca, entre as nádegas, como constatou a Polícia Federal em investigação por suspeita de desvio de recursos destinado ao enfrentamento da pandemia naquele Estado.

É compreensível que a campanha de Vanderlan tente encontrar uma direção que indique a chance de reverter o quadro constatado no primeiro turno. A coordenação da chapa do prefeitável tinha a convicção de que o pessedista terminaria a votação de 15 de novembro na primeira posição. Mas as urnas confirmaram o que as pesquisas de intenção de votos apontavam: vitória de Maguito com 217.194 votos, 36,02% da votação válida em Goiânia.

Trabalho complicado

Vanderlan conquistou 148.739 votos e ficou com 24,67% do eleitorado válido, bem distante do que um dos materiais de campanha divulgados na segunda-feira apontava, uma possibilidade de vitória do PSD no primeiro turno. Por ser uma campanha curta no segundo turno, o trabalho mais complicado fica com quem sai atrás na corrida pela preferência do eleitor. E, para sermos educados, a tática escolhida nos dois primeiros dias de retomada da campanha foi equivocada e trouxe prejuízos para o resto da disputa.

Tanto que abriu espaço para que a campanha do adversário trabalhasse nos primeiros programas de rádio e TV uma mensagem de esperança, fé e confiança na recuperação do candidato Maguito Vilela. O tom otimista de agradecimento e promessa de uma Goiânia bem gerida a continuar nas mãos do MDB foi fácil de apresentar. No segundo turno, o maior adversário de Vanderlan foi apenas ele mesmo. Pouco a coordenação emedebista precisou fazer, só observar os tropeços do PSD na capital em questionamentos que foram absorvidos como exagerados e fora do tom.

É possível tirar 68.455 votos de vantagem de Maguito em uma semana? Só a campanha de Vanderlan Cardoso poderá dar a resposta. A coligação tem nomes capacitados e material humano de qualidade para apresentar ao eleitor da capital. Mas não pode errar novamente como fez na terça-feira, quando praticamente jogou tudo a perder com questionamentos no mínimo indelicados.

Erros de estratégia da campanha do PSD deixaram coordenação do candidato Maguito Vilela (MDB) em situação confortável para apenas agradecer na TV e no rádio a confiança dos votos e as orações pela recuperação do prefeitável, o que não significa que a eleição está decidida | Foto: Reprodução/Propaganda eleitoral obrigatória

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