Augusto Diniz
Augusto Diniz

Dados da Covid-19 em Goiás comparados com dengue e H1N1 mostram que novo coronavírus é bem mais do que uma “gripezinha” ou um “resfriadinho”

Enquanto vírus como H3N2 e Influenza B não registraram mortes no Estado em 12 semanas, Covid-19 levou uma pessoa a óbito e tem mais casos confirmados em 16 dias

Dados de 16 dias desde os três primeiros casos confirmados da Covid-19 em Goiás apontam que gravidade da doença é bem maior do que outras síndromes respiratórias agudas graves, como H1N1, Influenza B e H3N2, em 12 semanas

Dados de 16 dias desde os três primeiros casos confirmados da Covid-19 em Goiás apontam que gravidade da doença é bem maior do que de outras síndromes respiratórias agudas graves, como H1N1, Influenza B e H3N2, em 12 semanas | Foto: Reprodução/TV Brasil

No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito acometido de uma gripezinha ou resfriadinho”, disse o presidente da República Jair Messias Bolsonaro (sem partido) em seu pronunciamento na tentativa de minimizar o impacto dos casos de Covid-19 na terça-feira, 24.

Ao voltar a tratar a pandemia da nova doença, causada pelo coronavírus Sars-Cov-2, como uma histeria criada pelo discurso de terra arrasada de governadores, prefeitos e da mídia, Bolsonaro esqueceu de se atentar aos números. O primeiro caso foi confirmado na noite de 26 de março em São Paulo, na terça-feira de Carnaval. 30 dias depois, o País já registrava a 3.417 pessoas com a Covid-19 e 92 mortes até a noite de sexta-feira, 27.

Goiás, que só entrou na rota do novo coronavírus no dia 12 de março, quando foram confirmados três casos, dois em Goiânia e um em Rio Verde, viu o crescimento de casos subir bastante em menos de um mês. 15 dias depois, já eram 49 as pessoas com resultado positivo para Covid-19 no Estado e uma morte, registrada na cidade de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal.

Negaciosismo

Muitos são os gritos contrários à preocupação da comunidade dos profissionais da área de saúde, principalmente dos infectologistas, de negacionistas da gravidade da pandemia de Covid-19 na qual o Brasil está inserido. Todos os Estados têm casos confirmados, como a situação mais grave em São Paulo, que concentra a maior parte dos pacientes.

Mesmo assim, o presidente Jair Bolsonaro disse em mais de uma entrevista na sexa-feira que o governo paulista tem superdimensionado as confirmações de casos e de mortes causadas pela nova doença. Ao optar pela negação da crise de saúde, Bolsonaro atrasa as medidas necessárias para conter o avanço descontrolado do número de contaminados e vítimas. Tudo para defender o discurso de que as pessoas precisam voltar às ruas.

Se a discussão entre a saúde das pessoas, o CPF citado pelo governador Ronaldo Caiado (DEM), e o CNPJ das empresas em dificuldades sem produzir e gerar receita, diminui a gravidade do impacto da pandemia ao Sistema Único de Saúde (SUS), as redes sociais, em parte, reverberam o pensamento, sem qualquer embasamento técnico, do presidente.

H1N1 maior em 2009?

Inclusive com mentiras sobre os danos causados pelo H1N1 em 2009, quando os dados de 18 meses são usados para comparar as primeiras semanas de registro de casos do novo coronavírus no Brasil em 2020. Para verificar a situação em Goiás, a coluna Conexão verificou os dados das primeiras 12 semanas de 2020 em casos e mortes por Covid-19, H1N1, H3N2, Influenza B e dengue.

Lembremos que, até sexta-feira, o novo coronavírus tinha apenas 15 dias com casos confirmados no Estado. Com 49 pacientes da Covid-19 que passaram por exame e uma morte em pouco mais de duas semanas, a doença tem média de 3,26 casos confirmados diariamente. Já o único óbito representa, até aqui, 0,066 morte na média diária em meio mês do vírus em Goiás.

Dengue

De fato a dengue é a doença que chama mais atenção e preocupa até o momento no Estado, com 13.936 casos confirmados da doença e 28.348 notificações. Só que o número representa o total nos municípios goianos em 12 semanas, ou seja, 84 dias. A média de confirmações de pessoas com dengue em Goiás chega a 165,9 casos por dia. As notificações atingem marca de 337,4 diariamente.

Mas a dengue tem 21 notificações de morte, o que significa que os óbitos ainda não foram confirmados como causa do falecimento a doença. Mesmo assim, a taxa média é de 0,25 vítima a cada dia no intervalo de 12 semanas.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Goiás tem, nas primeiras 12 semanas do ano, 232 casos confirmados de síndromes respiratórias agudas graves, que incluem doenças como H1N1, H3N2 e Influenza B. Com vacinação anual, como a campanha iniciada na segunda-feira, 23, o Estado registrou em 84 dias três pessoas com H1N1, dois positivos para H3N2 e cinco com Influenza B.

Mortes por H1N1

Nas 12 primeiras semanas do ano, duas pessoas morreram com H1N1, o que coloca a doença com média de 0,035 caso confirmado por dia e 0,032 óbito diário em 84 dias. O H3N2 não causou morte, com taxa diária média de pacientes em 0,023. Já o Influenza B, como cinco pessoas com teste positivo, a média fica em 0,059 caso por dia em 12 semanas. Não há morte em 2020 entre pacientes com Influenza B.

O total das síndromes respiratórias agudas graves, que incluem H1N1, H3N2 e Influenza B, atinge média diária de 2,72 caso confirmado em um período 84 dias. As 17 mortes representam uma taxa de 0,20 óbito diariamente em 12 semanas. A tendência é de que o número não cresça absurdamente até o final do ano, já que foi encerrada a primeira semana de vacinação das gripes influenza, com a dose trivalente contra as Influenzas A – H1N1, H3N2 – e Influenza B.

Projeção otimista e irreal

Na projeção mais otimista possível e completamente irreal, imaginemos que a Covid-19 dobre o número de casos confirmados a cada 15 dias e também a quantidade de mortos. No dia 11 de abril, 30 dias depois dos primeiros resultados positivos do novo coronavírus no Estado, teríamos 98 pacientes e duas vítimas.

Mas, ainda abaixo das possibilidades levantadas pelos pesquisadores do Sars-Cov-2 pelo mundo, Goiás triplicaria o número de casos a cada 15 dias. Neste cenário, teremos 147 pessoas com Covid-19 e três mortes em 11 de abril, 441 e nove óbitos no dia 26 do próximo mês e 1.323 casos e 27 vítimas quando chegarmos a 11 de maio. Ainda bem abaixo das 12 semanas das outras doenças.

Mais letal

Em qualquer um dos cenários, as notificações de morte por dengue, os óbitos causados pela H1N1 ou os casos confirmados de H2N3 ou Influenza B ficam bem distantes e tendem a ser ultrapassados pelo novo coronavírus no Estado. O que pode se manter superior à Covid-19 é o total de casos de dengue, com seus quatro tipos em circulação.

Ainda mais porque entramos na fase das chuvas torrenciais e altas temperaturas, que tornam o ambiente perfeito para a proliferação do mosquito Aedis aegypti, vetor da dengue, chikungunya, febre amarela e zika. Em todo o Brasil no ano passado, a dengue atingiu 1.544.987 pessoas e causou a morte de 782 em 12 meses. Em apenas 30 dias, a Covid-19 já levou a óbito 92 pacientes.

“Gripezinha”?

Não, presidente, o novo coronavírus não causa apenas uma “gripezinha” ou “resfriadinho”. Trata-se de uma doença respiratória grave que mata e já mostrou em todo o mundo a sua letalidade. Até a noite de sexta-feira, o número de casos confirmados da Covid-19 chegava a 596.723, com 27.352 mortes ao redor do planeta.

Bolsonaro, o sr. tem 65 anos, não é mais um atleta, como nos tempos de “Cavalão” no Exército, e tem domicílio eleitoral no Rio de Janeiro, onde a maior parte das internações é de pacientes entre 30 e 39 anos.

Um chefe de Estado que se nega a assumir seu papel de guiar a nação no enfrentamento à pandemia insiste na briga política de olho em 2022. Mas, ao elogiar os buzinaços na sexta-feira durante entrevista a José Luiz Datena na Band, tossiu duas vezes seguidas no ar.

Por que o sr. não revela logo os resultados dos três exames aos quais foi submetido de novo coronavírus? Ainda mais porque o sr. insiste em dizer que tudo não passa de um “resfriadinho”. Está com medo de uma “gripezinha”?

Uma resposta para “Dados da Covid-19 em Goiás comparados com dengue e H1N1 mostram que novo coronavírus é bem mais do que uma “gripezinha” ou um “resfriadinho””

  1. Khayte Profeta disse:

    Para serem honestos, vocês deveriam mencionar que o termo foi usado em clara referência à fala do Dráuzio Varella, que foi um dos primeiros profissionais de saúde a disseminarem tal qualificação para a Covid-19

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