Augusto Diniz
Augusto Diniz

Caiado tenta usar aprovação de governo na reta final da campanha

A apenas 28 dias do primeiro turno, governador intensifica agenda de campanha nos municípios em que seus candidatos têm chance de vitória

Se conseguir eleger o prefeito da capital, o governador Ronaldo Caiado (DEM) quebrará uma escrita de derrotas palacianas nos últimos 28 anos | Foto: Divulgação/Governo de Goiás

Assim como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quase toda semana faz propaganda, mesmo sem dizer nomes, para seus candidatos a prefeito em algumas cidades nas lives pelo Facebook e YouTube, o governador Ronaldo Caiado (DEM) entrou de vez na campanha eleitoral neste final de semana. Goiânia, Aragoiânia e Trindade estão na mira do democrata nos últimos dias do primeiro turno.

Mas como assim? A campanha eleitoral não começou há menos de um mês? Parece confuso dizer isso porque a propaganda eleitoral no rádio e na TV só passou a ser veiculada no dia 9 de outubro. As atividades de rua e na internet dos candidatos foram iniciadas em 27 de setembro. Estamos há apenas 21 dias da primeira data de eventos eleitorais daqueles que concorrem aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador. Só que restam só 28 dias para convencer o eleitor de que o seu nome e as suas propostas são melhores do que os planos de governo dos adversários.

Em Goiânia, a disputa tem 16 candidatos a prefeito e vice-prefeito, além de 1.106 concorrentes a cadeiras no Legislativo. Para chegar à vitória ou ao segundo turno na noite de 15 de novembro, os apoios são mais do que importantes. Ainda mais se o cabo eleitoral for o governador do Estado. Na capital, Caiado costurou aliança com o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que lançou como candidato a vice-prefeito o escolhido do democrata, o ex-senador Wilder Morais (PSC). Não que isso esteja diretamente relacionado com o resultado das primeiras pesquisas de intenção de votos, mas, até aqui, Vanderlan aparece em primeiro na maioria dos levantamentos realizados pelos institutos na capital.

Aliança forte

Vanderlan não poderia ter apostado em aliança melhor. Caiado tem gestão bem avaliada por 53,4% dos eleitores de Goiânia na pesquisa Serpes/O Popular divulgada em 27 de setembro e 64% na primeira rodada da Real Time Big Data de 8 de outubro. Ter na campanha um gestor com mais aprovação do que rejeição no exercício do mandato é uma bela ajuda em uma campanha tão curta. Tudo que foi apresentado garante que o candidato a prefeito pelo PSD será eleito em Goiânia? Não podemos dizer. Eleição só é decidida no dia da votação. Nem sempre toda estrutura, recursos financeiros e apoios importantes resultam em vitória nas urnas.

Caiado tem um currículo eleitoral invejável. Aos 71 anos, o democrata já foi candidato a presidente da República em 1989, cinco vezes eleito deputado federal, uma vez senador e chegou ao governo no primeiro turno em 2018 na sua segunda disputa ao Executivo estadual. Ir atrás de um apoio e impedir a continuidade da aliança DEM e MDB firmada na eleição de 2014 foi um trunfo de Vanderlan. Ganhou um poderosíssimo cabo eleitoral e talvez tenha enfraquecido um dos principais adversários, o ex-governador Maguito Vilela (MDB).

Não só o pessedista tem interesse em barrar uma eleição do MDB na capital. Para o projeto político do governador, a reeleição pode – se o cenário apresentado em 2022 for semelhante ao de hoje – ser facilitada sem um Vilela no comando da capital. Basta lembrar que o filho de Maguito, o ex-deputado federal Daniel Vilela (MDB), foi um incômodo opositor a Caiado nas eleições de 2018. Mesmo com a vitória fácil no primeiro turno, o governador teve de rebater críticas duras do adversário emedebista durante os debates e toda a campanha estadual.

Escrita eleitoral

A última vez que o chefe do Executivo ajudou a eleger o prefeito de Goiânia foi no ano de 1988, quando Nion Albernaz ainda era do MDB e Henrique Santillo, do mesmo partido, ocupava o Palácio das Esmeraldas | Foto: Divulgação/Governo de Goiás

Para ajudar a eleger Vanderlan, Caiado terá de superar uma escrita eleitoral complicada para o governador na capital. A última vez que o chefe do Executivo estadual ajudou a eleger o prefeito de Goiânia foi no ano de 1988, quando Nion Albernaz ainda era do MDB e Henrique Santillo, do mesmo partido, ocupava o Palácio das Esmeraldas. A partir de 1992, o inquilino da Praça Cívica passou a amargar derrotas seguidas na capital. Naquele ano, o então governador Iris Rezende (MDB) nada pôde fazer para levar Sandro Mabel (MDB) à vitória. Darci Accorsi (PT) chegou à prefeitura com o apoio do PSDB, que lançou o ex-deputado Jovair Arantes como vice.

Com a eleição de Darci, Goiás entrou em um período de 28 anos sem o governador conseguir eleger seu candidato na capital. Já no PSDB, Nion Albernaz voltou a ser eleito prefeito em 1996 com apoio do partido de Caiado, o PFL, que depois foi extinto para dar vida ao DEM, com Maria Valadão de vice. Naquela eleição, o então governador Maguito não conseguiu transferir sua aprovação em votos para o ex-deputado Luiz Bittencourt (MDB).

Veio a campanha municipal de 2000. O jovem governador Marconi Perillo (PSDB), de 37 anos, tinha acabado de derrotar o favorito Iris Rezende em 1998 nas urnas e tinha na disputa a então deputada federal Lúcia Vânia (PSDB) para prefeita e o ex-deputado estadual Helder Valin (PSDB) na vice. Caiado também tinha seu candidato. Na época deputado federal, o parlamentar do PFL apostou no ex-prefeito Darci Accorsi, agora pelo PTB e no ex-presidente da Câmara de Goiânia, Marcelo Augusto (PFL).

Vitória do PT

O candidato de Caiado chegou ao segundo turno. A prefeitável do PSDB ficou de fora da disputa final. Mas quem levou a eleição foi o petista Pedro Wilson, que hoje é candidato a vice na chapa da deputada Adriana Accorsi (PT), com Linda Monteiro (PPS) como vice-prefeita eleita em 2000. Pedro Wilson tentou a reeleição em 2004, já no segundo mandato de governador de Marconi. O tucano apostou no ex-deputado federal Sandes Júnior (PP), que hoje é candidato a vereador, e para vice-prefeito o deputado federal João Campos, à época no PSDB, hoje no Republicanos.

Nem o PT ou o PSDB se deram bem. O ex-governador Iris Rezende voltou a disputar a Prefeitura de Goiânia e foi eleito com o ex-deputado federal Valdivino de Oliveira, que também era do MDB em 2004, na vice. A chapa do PFL, com a ex-deputada Raquel Azeredo de candidata e na vice Coronel Efigêncio, terminou a eleição em quinto lugar. Quatro anos depois, com duas chapas de oposição municipal formadas por partidos da base marconista e caiadista, que era aliado do governador, Sandes e Gilvane Felipe (PPS) foram derrotados no primeiro turno por Iris, que se aliou ao PT e lançou Paulo Garcia como vice.

Ao assumir a prefeitura quando Iris Rezende tentou se eleger governador em 2010, sem sucesso – com nova derrota para Marconi –, Paulo Garcia se reelegeu com facilidade no primeiro turno em 2012. Foi o ano da deflagração da Operação Monte Carlo, da cassação no Senado do mandato de Demóstenes Torres, que era do DEM e havia sido reeleito senador em 2010, e uma candidatura enfraquecida à prefeitura do então petebista e deputado federal Jovair Arantes. Candidato de Caiado e Vanderlan, o ex-deputado estadual Simeyzon Silveira (PSD), que estava no PSC, terminou atrás de Jovair no terceiro lugar nas urnas.

Marconi e Vanderlan

Em 2016, o candidato a prefeito da capital apoiado de última hora no quarto mandato de Marconi como governador foi Vanderlan Cardoso. Então no PSB, o nome apoiado pelo tucano chegou ao segundo turno com Thiago Albernaz, à época no PSDB, na vice. Mas não conseguiu derrotar Iris Rezende, que chegou à sua quarta eleição em Goiânia com o deputado estadual Major Araújo (PSL), ainda no PRP (hoje Patriota), lançado como vice-prefeito. Durante a campanha, Araújo desistiu da eleição e não assumiu o cargo. Hoje faz oposição a Iris e Caiado na eleição como candidato a prefeito pelo PSL. O governador Ronaldo Caiado, que era senador, retribuiu o gesto irista de 2014 e apoiou o emedebista na capital.

Sem Iris Rezende na disputa, Caiado precisou negociar com dois dos principais candidatos. Para tentar minar o poder dos Vilela em 2022, o governador optou por acreditar na lealdade oferecida por Vanderlan. Mas a história dos últimos 28 anos de Goiânia indaga o democrata: será Caiado o responsável por quebrar a lógica das últimas sete campanhas? Terá o governador força para ajudar seu candidato a vencer a barreira de oposição ao gestor estadual que Goiânia representa? Só saberemos no dia 15. Ou em 29 de novembro, pela forte tendência indicada pelas pesquisas de que a disputa irá para o segundo turno.

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