Afonso Lopes
Afonso Lopes

Caiado tenta, mas apoio do PMDB está cada vez mais complicado

Lideranças peemedebistas retomam o antigo discurso de que o partido é grande demais para não lançar candidatura própria ao governo do Estado

Desde a redemocratização, no início da década de 1980, já foram realizadas nove eleições para governador. Em todas elas, o PMDB, partido que detém ainda hoje o maior número oficial de filiados dentre todas as legendas estabelecidas em Goiás, lançou candidatos próprios ao Palácio das Es­meraldas. Venceu as quatro primeiras e perdeu as demais.

Além de manter em seus quadros expressivas lideranças regionais, os peemedebistas sempre afirmaram que a legenda é grande demais para deixar de bancar seus candidatos. Aliás, nas nove eleições, em apenas duas disputas o PMDB não lançou chapa completa, com candidato a governador e a vice do próprio partido. Com um detalhe, em uma dessas duas eleições, o vice estava no PSD, mas era peemedebista.

Em 1982, Iris Rezende disputou o governo com o empresário Onofre Quinan, indicado por Henrique Santillo, como vice. Em 86, o candidato foi Santillo, cumprindo assim o rodízio previamente acertado na alta cúpula do partido na composição da eleição anterior, com Joaquim Roriz, que também era ligado ao santillismo, na vice. Em 1990, Santillo e Iris romperam politicamente. Como dissidente, Santillo liderou o nascimento do PSDB em Goiás. Iris foi o candidato ao governo e o então deputado federal Maguito Vilela, irista de carteirinha, foi seu companheiro de chapa. Em 94, Maguito e o então deputado federal Naphtali Alves travaram um duelo interno bastante empolgante. Naphtali tinha maior apoio entre as centenas de prefeitos do PMDB. Maguito ganhou ao articular muito bem na cúpula irista. Maguito disputou o governo e Naphtali foi vice.

Em 1998, ano que iniciou a série de derrotas do PMDB no Estado, Maguito seria um candidato fortíssimo à reeleição, mas o desgaste com os iristas o inviabilizou. Não completamente, mas o suficiente para deixar a ele a indicação do vice, Romilton Moraes, jataiense como Maguito. Romilton estava no PSD depois de sempre ter sido filiado ao PMDB. Tratava-se de ocupação de espaço somente, tanto que em 2001 ele retornou ao berço peemedebista. A eleição foi vencida por Marconi Perillo, santillista, compondo chapa com Alcides Rodrigues, do PP. Maguito disputou e venceu com muita tranquilidade a disputa pela única vaga de senador naquela eleição.

Em 2002, mais uma vez o PMDB lançou chapa pura para enfrentar a candidatura à reeleição de Marconi e Alcides, com Maguito e Ruy Rocha. Em 2006, nova chapa pura, com Maguito e a ex-deputada e ex-primeira-dama de Anápolis Onaide Santillo. Em 2010, Iris deixou a Prefeitura de Goiânia, após ter sido reeleito em 2008, e disputou o governo tendo o então deputado estadual Marcelo Melo, de Luziânia, como vice.

Em 2014, com o DEM de Ronaldo Caiado definitivamente afastado da base aliada estadual liderada por Marconi Perillo, o PMDB repetiu a candidatura de Iris tendo Armando Vergílio, do Solidariedade, como candidato a vice-governador. Vergílio, ao contrário de Romilton Moraes, não tinha histórico peemedebista. Ao contrário, ele foi da base aliada e rompeu definitivamente em 2014. Ele chegou a ser filiado do PTB até fundar o SD em Goiás.
Esse histórico do PMDB goiano mostra que o partido sempre teve muitas dificuldades para compor chapa de governador e vice com seus aliados. Isso ocorre pelo antigo discurso sobre a exuberância dos números do partido no Estado, principalmente em se tratando de filiados. Para se ter uma ideia do tamanho desse patrimônio partidário, basta uma rápida comparação com o PSDB, que venceu diretamente quatro das cinco disputas desde 1998, além de ter sido fundamental na eleição do pepista Alcides Rodrigues, em 2006. São 140 mil peemedebistas contra 77 mil tucanos.

O senador Ronaldo Caiado, presidente estadual do DEM, que se tornou o principal aliado do prefeito Iris Rezende, não tem grande estrutura partidária no Estado. Não há deputados estaduais ou federais, e apenas um dos seus candidatos se elegeu vereador em Goiânia. Não há qualquer dúvida de que Caiado tem muito boa performance eleitoral, mas ele precisa contar também com a tal estrutura partidária para aumentar as suas chances de disputar o governo. Ter apoio do PMDB é o sonho de consumo dele, mas até aqui a situação interna dos peemedebistas é de mais uma vez lançar candidatura própria ao governo. Uma frase dita por dona Iris, primeira-dama de Goiânia e candidatíssima a deputada federal, sintetiza essa vocação peemedebista: o partido é grande demais para não ter candidato próprio.

No início do ano que vem, é possível que apareça uma saída para o senador democrata, com a abertura de uma janela partidária. Ele poderia deixar o DEM sem correr o risco de ter seu mandato de senador, que vai até 2022, questionado pelo comando nacional. Em compensação, Ronaldo Caiado deixaria o pacificado DEM goiano para entrar no caldeirão fervilhante do PMDB, dividido principalmente entre maguitistas e iristas. Essa é uma baita encruzilhada no horizonte próximo do senador.

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