Augusto Diniz
Augusto Diniz

Ainda há chance de eleição para governador chegar ao segundo turno?

Pesquisas apontam possibilidade de o senador Ronaldo Caiado (DEM) ser eleito no próximo domingo (7/10), mas outros candidatos dizem que disputa está longe do fim 

Cinco dos sete candidatos a governador se reencontraram no debate da RecordTV na noite de sexta (28/9) | Foto: Reprodução/RecordTV

A pergunta que norteará os últimos sete dias de campanha até a votação no primeiro turno, no domingo (7/10), entre as equipes de coordenação de campanha dos principais candidatos a governador em Goiás é se há ainda chance de levar a disputa para a urna no dia 28 de outubro. Hoje, as pesquisas mostram que a possibilidade de termos mais três semanas de corrida eleitoral pelo gabinete no 10° andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira é praticamente remota – para não dizer quase nula.

O senador Ronaldo Caiado (DEM), que percebeu nas pesquisas qualitativas que o eleitor enxergou nele a imagem de um político honesto, tem mantido em seus programas eleitorais de TV e rádio o tom ameno e otimista acompanhado de mensagens esperançosas para um novo amanhã a partir do dia 1° de janeiro de 2019 em Goiás. “São 30 anos na política, 43 na medicina. Não tem um fato que desabona o Caiado.”

Sem apresentar muitas propostas, Caiado tem mostrado que, para tentar vencer a disputa no primeiro turno, não entrar em embates mais duros e se colocar como um político centrado e calmo vale mais do que comprar a briga e o desgaste que isso pode trazer.

Tanto que, ao ser confrontado na primeira pergunta do debate realizado pela RecordTV na sexta-feira (28/9), se acabaria com os colégios militares, o candidato do Democratas não caiu na armadilha do governador José Eliton (PSDB), que tentou mostrar uma certa incoerência documentada das posições de Caiado sobre as escolas da rede estadual de ensino administradas pela Polícia Militar.

José Eliton, que mostrou-se corajoso ao encarar o debate no mesmo dia em que seu então coordenador de campanha na capital, Jayme Rincón, foi preso provisoriamente na Operação Cash Delivery, do Ministério Público Federal (MPF), que investiga papamento de propina pela Odebrecht à campanha de Marconi Perillo (PSDB) em 2010 e 2014 no valor de R$ 12 milhões, o candidato a reeleição e manteve a postura firme e crente na inocência de de Rincón e de seu aliado, o ex-governador e concorrente ao Senado Marconi.

Na primeira pergunta que foi obrigado a responder, Weslei Garcia (PSOL) questionou o tucano se já havia visitado Rincón na prisão. Enquanto Caiado falava ao eleitor toda vez que era apertado por concorrentes, José Eliton tinha uma missão mais dura, que é a de defender o legado de seu grupo político, há 19 anos e 9 meses no governo, e com um esquema de pagamento de propina, pessoas próximas presas e outras acusadas de participar do recebimento de recursos ilegais nas duas campanhas anteriores.

O governador se pautou pelo princípio profissional de advogado eleitoral e defendeu o direito a ampla defesa e à presunção de inocência dos investigados, já que ainda não foram condenados. Adotou o mesmo discurso de Marconi, que defendeu tratar-se de interesses eleitoreiros na reta final do primeiro turno para tirá-lo do Senado, e falou da investigação como uma oportunidade para que a verdade prevaleça contra casos que ainda padecem de explicações mais contundentes.

Foi difícil para José Eliton – e seria para qualquer pessoa no lugar dele – ter de defender uma gestão em uma semana conturbada de acusações de falta de repasses às Organizações Sociais (OSs) da saúde, atrasos nos pagamentos do programa Bolsa Universitária e a prisão de seu coordenador de campanha. Mas o tucano manteve-se firme e soube, dentro do possível, defender o legado de seu grupo político e suas ações de governo, cargo que assumiu no início de abril.

Ainda há a possibilidade – pequena – de que José Eliton ou o deputado federal Daniel Vilela (MDB) vá ao segundo turno com Caiado. Mesmo que isso não aconteça, o governador cumpre com hombridade sua função, que é tentar resolver eventuais problemas de gestão nos últimos três meses do mandato 2015-2018 e defender as ações que tem implementado, com olhar no cidadão que precisa ter serviços públicos bem prestados, como é o caso dos programas 3º Tempo, na saúde, e Batalhão de Terminal, no Eixo Anhanguera.

Outros nomes
A professora Kátia Maria (PT), presidente estadual do partido, tem demostrado boa articulação e se postado bem nos debates. Cumpre o papel – não assumido publicamente pela sigla – de garantir palanque forte ao candidato a presidente Fernando Haddad (PT) em Goiás, mas aproveita para se mostrar como uma alternativa viável na disputa ao governo.

Kátia se coloca como uma via possível, diferente dos grupos Caiado, Vilela e a base aliada, “que já tiveram a oportunidade de governar por tanto tempo”. A petista reforça que o candidato do DEM “fala de forma genérica” sobre geração de emprego e outras propostas apresentadas ao longo da campanha. E se posiciona como mulher, e que por isso tem capacidade de corrigir a falha nas políticas de combate ao feminicídio em Goiás. “Nós não tivemos ações efetivas.”

Quando Caiado fala em recriar a Secretaria Estadual da Cultura, Kátia retruca com a crítica de que só gerar uma pasta “parece muito pouco” para resolver os gargalos do setor, com atrasos nos repasses do Fundo Estadual de Arte e Cultura e na Lei Goyazes. A petista se apresenta como a candidata que, como governadora, cuidará das pessoas, como defende que os governos do PT no Executivo nacional fizeram.

Ao contrário da participação ruim no debate realizado pelo jornal O Popular e a rádio CBN Goiânia, no encontro exibido pela RecordTV Daniel Vilela conseguiu se posicionar como um candidato viável de oposição, com acusações fortes e discursos contundentes na defesa de sua candidatura como diferente do grupo de Caiado e José Eliton. Disse que os candidatos do DEM e PSDB são responsáveis pelo descaso de sempre com a região do Entorno do Distrito Federal.

Daniel se saiu bem ao debater com José Eliton sobre saúde e responder que não importa quem cuida da regulação do setor, mas que a população seja bem atendida. E criticou o programa 3º Tempo, que “foi criado para acabar com a fila que o governo criou”. Fez destaques sobre o plano de governo de Caiado, que defende o aumento de impostos. “Caiado deveria reconhecer os 20 anos que passou ao lado do Marconi.”

O candidato do MDB disse que nos períodos eleitorais DEM e PSDB prometem construir escolas “da noite para o dia” e nunca cumprem. Nas considerações finais, Daniel citou aplicativos e plataformas tecnológicas para mostrar que o mundo mudou, menos a política goiana, com os mesmos nomes e grupos na disputa pelo governo.

Contra tudo e todos
O debate realizado pela RecordTV foi o que trouxe o professor Weslei Garcia (PSOL) em sua melhor aparição na campanha. Nos moldes da participação do presidenciável Guilherme Boulos (PSOL) no debate do SBT, quando confrontou o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) sobre onde estaria o dinheiro da merenda escolar, Weslei questionou José Eliton se o governador já havia visitado seu ex-coordenador de campanha, o que esquentou o debate no seu começo.

Ao defender que sua “experiência é a do povo”, o candidato a governador pelo PSOL mostrou que tem coragem e estava preparado para fazer os questionamentos sobre falhas e incoerências dos principais adversários: Caiado, José Eliton e Daniel. Weslei, inclusive, defendeu que Marconi não está preso por força da lei eleitoral, que não permite detenções 15 dias antes das eleições e até dois dias depois do pleito.

Weslei disse que Caiado não tem idoneidade moral para falar de outros candidatos quanto o democrata também já recebeu doações de empreiteiras em outras campanhas. Weslei, assim como Daniel, critica problemas causados ao Estado por governantes, e inclui o MDB em sua fala. “Para de mentira, para de balela”, respondeu o psolista a Daniel ao comentar o apoio do partido do deputado à Emenda 95, que criou teto de gastos na União.

O candidato do PSOL voltou a dizer que vai acabar com o contrato das OSs na saúde. Criticou Caiado como parte da bancada ruralista, “um dos responsáveis pela crise hídrica em Goiás”. Disse ser “hipocrisia” o democrata se apresentar como solução para o Estado quando representa tudo que mais aponta para o atraso.

Assim como na corrida presidencial, mesmo os candidatos que dizem não acreditar em “pesquisas fraudulentas” se pautam pelos números apresentados pelos institutos no Estado. Enquanto José Eliton tentou mostrar possíveis incoerência de Caiado na primeira oportunidade e defender o legado de um governo que o coloca na segunda posição, o democrata trouxe o discurso de otimismo e esperança para evitar embates que pudessem o prejudicar na hora do voto.

Daniel apostou no ataque aos dois candidatos que estão na sua frente nas intenções de votos, Kátia se apresentou como a alternativa aos três e Weslei, o franco atirador, apontou a mira aos maiores e tentou evidenciar que todos eles têm telhado de vidro. Na terça-feira (2/10), os eleitores terão mais uma oportunidade de ver, no debate da TV Anhanguera, o que os candidatos a governador tem a dizer ao povo goiano.

E a última semana é a mais importante na definição do voto. Há apenas mais um debate, inserções e dois dias de propaganda eleitoral de rádio e TV – segunda e quarta – para sabermos se os eleitores querem liquidar a fatura no próximo domingo ou deixar a escolha amadurecer no segundo turno.

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