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A.C. Scartezini

Os números não badalados da pesquisa do Ibope falam alto como a voz das ruas

Resultados como a rejeição aos presidenciáveis e a aprovação ou não ao governo possuem tanto valor quanto a cotação direta de voto em cada candidato 

Aécio Neves e Eduardo Campos: os novos números do Ibope são mais favoráveis a eles do que à adversária petista  / Foto: Roberto Pereira/PSB

Aécio Neves e Eduardo Campos: os novos números do Ibope são mais favoráveis a eles do que à adversária petista / Foto: Roberto Pereira/PSB

A queda do número de votos nulos e de eleitores indecisos indica que o mercado eleitoral está conhecendo melhor os outros dois presidenciáveis, o tucano Aécio Neves e o socialista Eduardo Campos.

A presidente Dilma há três anos busca visibilidade diária país afora com a força da máquina do governo, mas não está mais sozinha no páreo da reeleição. Os votos em branco ou nulo desceram de 24% para 14. Os indecisos, de 13% para 10.

Com a propaganda dos partidos na televisão e rádio, Aécio e Campos recebem impulsos positivos e convertem-se em alternativa viável à reeleição de Dilma, especialmente na hipótese de um segundo turno, cenário em que a presidente pouco evoluiu. Embora a propaganda do PT seja mais recente, coincidindo com a coleta de dados da pesquisa entre os últimos dias 15 e 19.

Vejamos o antivoto, aquele em que o eleitor diz o nome do candidato em quem não vota de jeito nenhum. A rejeição a Dilma permaneceu estável em relação à pesquisa anterior do Ibope, realizada um mês antes: repetiu os 33%. Mas a de Aécio caiu forte, desceu de 25% para 20. A de Campos, mais forte ainda, despencou de 21% pontos para 13.

Aécio e Campos se tornaram mais familiares ao eleitor. Ambos passaram a ser novidades no mercado, enquanto Dilma era aquela velha conhecida de todos os dias. Ansiosa, a assessoria da presidente espera que a Copa do Mundo venha logo para desviar a atenção e fazer com que Dilma ganhe algumas semanas preciosas para permanecer na liderança como está. Mas será bom que venha com as ruas em paz.

No voto direto, a cotação de Dilma voltou aos 40% que já tinha em março. De lá para cá, Aécio subiu de 13 pontos para 20. Campos dobrou, saiu de 6 para 11 numa pesquisa em que a margem de erro é de 2% para cima ou para baixo. O quarto candidato mais cotado, Pastor Everaldo (PSC), repetiu os três pontos.

Juntos, Aécio, Campos e Everaldo somam 34%. Dilma supera a soma deles em seis pontos. Em março, a diferença da presidente, com aqueles 40% que já tinha, sobre os três, era de 18%. Três vezes mais do que hoje. Em abril, a soma dos três exibia os mesmos 22 pontos de março, mas a diferença a favor de Dilma já vinha abaixo: foi a 15%.

Num segundo turno contra Aécio, Dilma subiria apenas três andares em relação aos 40% que apresenta hoje na cotação do primeiro turno contra nove concorrentes: iria a 43%. Aécio teria 24%, 19 a menos do que a presidente. Em março, a diferença a favor de Dilma era de 27%. Em abril, 21%. Contra Campos, Dilma desceria para 42% e o rival subiria para 22%.

Em cada três eleitores, um considera o governo Dilma ruim ou péssimo: 33%. Em abril, eram 30%. Pela primeira vez desde que a presidente assumiu em janeiro de 2011, a desaprovação à sua gestão ultrapassou os 30% que a consideram regular. Em abril, o regular tinha 34%. O governo é bom ou ótimo para 35% contra 34 em abril.

Observe-se. A aprovação total ao governo com os 35% de bom ou ótimo supera em escassos dois pontos os 33 que consideram a gestão ruim ou péssima. Essa diferença rala demonstra a dificuldade que Dilma terá para crescer em votos diretos. Some-se a circunstância de que, num segundo turno, a reeleição teria apenas três pontos a mais do que na primeira rodada: 43 contra 40.

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