A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

Lula defende mais presença do PMDB no governo antes que piore o que está ruim

O ex recomendou, em Brasília, a incorporação do vice-presidente Michel Temer ao conselho político de Dilma

Ex-presidente Lula cobra caro por seus conselhos, que podem salvar Dilma / Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Ex-presidente Lula cobra caro por seus conselhos, que podem salvar Dilma / Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

A. C. Scartezini

“Não há nada tão ruim que não possa piorar” , filosofou Lula ao criar, sem saber, uma lei natural para formar consciências. A Lei de Lula da Silva foi aplicada pelo autor na análise, em Brasília, das trapalhadas das articulações políticas feitas pelos restritos companheiros que servem à presidente Dilma.

Em suas observações brasilienses para socorrer a companheira na pacificação das relações com o Congresso, inclusive com as bancadas do PT, Lula entendeu que o ruim pode melhorar se Dilma acolher o vice-presidente Michel Temer, líder do PMDB, entre os seis companheiros que a aconselham regularmente sobre a ação política.

É querer muito. Dilma mudou a assessoria no palácio para ter apenas gente sua por perto. Retirou dois paulistas e colocou dois gaúchos: Miguel Rosseto na Secretária-Geral no lugar do lulista Gilberto Carvalho; e Pepe Vargas nas Relações Institucio­nais, onde estava Ricardo Berzoini — ainda conselheiro, mas com sala na Esplanada como ministro das Comunicações.

E agora o distante e formal Michel Temer como conselheiro político. Era só o que faltava, rumina Dilma. “Um mordomo de filme de terror”, definiu-se a figura do então deputado no círculo íntimo do presidente Sarney, nos anos 80. Hoje, o PMDB carece de provas de carinho do Planalto. Agora quer porque quer uma vaga no conselho político.

Mas Temer perturbaria a espontaneidade, rude, de Dilma na privacidade. Lula cobra caro por seus conselhos. Até parece desforra. No entanto, foi a presidente, com problemas com o PT e no prestígio popular, que voltou a tomar o avião presidencial para se aconselhar em São Paulo com o antigo padrinho, a quem reintroduziu em cena.

A sugestão de Lula pode conter uma doce revanche, porém revestida de lógica diante de uma presidente em apuros históricos e generalizados na economia, na política, no social e na ética. Seria a volta do cipó de aroeira, desmoralizante no lombo de quem quis inventar outros partidos para desmontar o velho PMDB.

“Que coalizão é esta em que o governo põe dois figurões em ministérios estratégicos e inventa partidos para destruir o PMDB, seu principal parceiro?”, revoltou-se o perplexo senador Eunício Oliveira, derrotado na eleição ao governo do Ceará ao enfrentar uma aliança entre Dilma e o então governador Cid Gomes (Pros) para eleger o petista Camilo Santana.

Um dos figurões é o próprio Gomes, nomeado para o Ministério da Educação. O outro é Gilberto Kassab, escalado no Ministério das Cidades para, depois de inventar o PSD, criar mais partidos para esvaziar o PMDB ao atrair dissidentes. Assim, como aproveitou a sigla do antigo PSD, Kassab quer ressuscitar o PL. Com o apoio de Gomes.

“O diabo sabe mais por ser velho do que por ser diabo”, citaria Ulysses Guimarães, refundador do PMDB, o adágio espanhol para classificar a falsa esperteza de Dilma. “Esperteza, quando é muita, vira bicho e come o dono”, replicaria o mineiro Aureliano Chaves com o provérbio português. Mas ambos estão mortos.

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Maria Da Paz Cintra

O que aconteceu à coluna Brasil do jornalista A.C.Scartezini?
Senti falta da reflexão inteligente, do texto bem informado, da clareza do articulista ao narrar aos leitores deste Jornal os fatos politicos mais importantes da semana.