A Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) informou, neste domingo, 3, que os suspeitos de participar do estupro coletivo de duas crianças, ocorrido no dia 21 do mês passado, na Zona Leste da capital, atraíram as vítimas com um convite para empinar pipa. O caso veio à tona após imagens do crime circularem nas redes sociais e serem vistas pela irmã de uma das vítimas, que procurou a delegacia para registrar a denúncia.

Segundo os investigadores do 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, os agressores eram vizinhos das crianças, de 7 e 10 anos, e se aproveitaram da relação de confiança para levá-las até o imóvel onde o abuso aconteceu. A delegada Janaína da Silva Dziadowczyk explicou que os suspeitos disseram que o grupo iria soltar pipa, o que convenceu os meninos a acompanhá-los.

A denúncia foi registrada três dias após o crime, no dia 24 do mês passado, quando a irmã de uma das vítimas identificou o irmão nas imagens que circulavam na internet. A família, segundo a polícia, deixou a comunidade após receber ameaças e foi acolhida em equipamentos da Prefeitura de São Paulo, com acompanhamento psicológico. O local onde estão permanece em sigilo para proteção das vítimas, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Cinco suspeitos já foram identificados. Quatro deles são adolescentes, três apreendidos e um ainda foragido. Um jovem de 15 anos foi detido nesta segunda-feira, 4. Além disso, um homem de 21 anos foi preso na cidade de Brejões, na Bahia, e deve ser transferido para São Paulo até terça-feira, 5. Ele é apontado como responsável por iniciar as gravações do crime, que foram compartilhadas por aplicativos de mensagens e posteriormente divulgadas nas redes sociais.

Os suspeitos serão indiciados por estupro de vulnerável, divulgação de imagem de menor de idade e corrupção de menores. A Polícia Civil também investiga quem divulgou o material na internet e o teor das ameaças feitas à família das vítimas.

Imagens compartilhadas

Os agentes tiveram acesso a vídeos gravados pelos agressores, que mostram as vítimas chorando e pedindo para que a violência fosse interrompida. As imagens foram compartilhadas em redes sociais e revelaram a gravidade da agressão. A denúncia só chegou ao Conselho Tutelar e à polícia três dias depois do fato, já que a família das crianças hesitou em procurar ajuda por medo de represálias.

O acompanhamento às vítimas está sendo realizado por equipes do Conselho Tutelar, profissionais de saúde e assistentes sociais. Uma das crianças foi encaminhada com a mãe para uma unidade da Vila Reencontro, enquanto a outra, junto dos irmãos, foi levada para o Serviço Institucional para Criança e Adolescente, após avaliação que constatou que a mãe, dependente química, não tinha condições de mantê-los sob sua responsabilidade. Além disso, elas recebem suporte do Projeto Bem-Me-Quer, iniciativa estadual voltada ao acolhimento de vítimas de violência sexual.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) classificou o episódio como “terrível” e destacou que a Prefeitura está oferecendo apoio às crianças. O subprefeito de São Miguel Paulista, Divaldo Rosa, reforçou que casos como este não podem ser tratados com normalidade e pediu que a população denuncie situações de abuso infantil. “O silêncio e o medo favorecem os agressores. Denunciar é proteger vidas”, disse.

Dados nacionais apontam que, nos últimos quatro anos, o Brasil registrou, em média, 15 casos de estupro coletivo por dia.

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