Bastidores
Dois marqueteiros experimentados, supostamente procurados por integrantes da família de Iris Rezende, em 2015, teriam dito que não têm interesse em fazer a campanha do decano peemedebista para prefeito de Goiânia na eleição de 2 de outubro. Os nomes? Peemedebistas dizem que são Hamilton Carneiro (foto acima) e Luiz Felipe Gabriel. Eles já trabalharam para o ex-prefeito. Luiz Felipe Gabriel, profissional experimentado, é conhecido como "marqueteiro do PMDB" (o que não procede. Ele é um profissional).
Qual é o problema-chave? Primeiro, é muito difícil receber dinheiro de candidatos peemedebistas. Segundo, Iris Rezende, nas campanhas, não costuma respeitar as táticas formuladas pelos marqueteiros. Ele costuma seguir sua própria intuição, dando pouca importância às pesquisas e às orientação de marqueteiros experimentados.
De um irista juramentado: “Quero ver o que os adeptos de Daniel Vilela vão fazer se Iris Rezende não disputar a Prefeitura de Goiânia e o PMDB não conseguir eleger o próximo gestor da capital. Sem Goiânia, e só com Aparecida de Goiânia e Jataí, o próximo candidato a governador de Goiás pelo partido terá pouca musculatura”.
Por que Iris Rezende desistiria da disputa, contrariando de políticos a cientistas políticos, que apostam que vai concorrer? “Por vingança”, afirma o irista. “Iris foi traído por políticos que, durante anos, ajudou com cargos”.
De um dos articuladores do nome do presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Anselmo Pereira, para a disputa da prefeitura da capital: “Não há a menor dúvida de que Anselmo é político competente e conhece a cidade como poucos. Mas, com sua pré-candidatura posta, o homem vai curtir lua de mel na Rússia! Assim, ninguém vira candidato a nada”.
O prefeito de Aparecida de Goiânia, o moderado Maguito Vilela, pode contribuir para amortecer as críticas de Daniel Vilela, seu filho, ao governador Marconi Perillo.
Na verdade, o veterano político não vai impedi-lo de fazer oposição, mas vai orientá-lo a fazer uma oposição mais qualitativa e, diferentemente de Iris Rezende, sem ranço raivoso.
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Daniel Vilela: novo líder do PMDB Foto: Alexandre Parrode/Jornal Opção[/caption]
Os formuladores da linha política do marconismo avaliam que a eleição de Daniel Vilela para presidente do PMDB é positiva.
Primeiro, porque o deputado federal, ao contrário de Iris Rezende, não tem ódio pelo governador Marconi Perillo (PSDB).
Segundo, porque é um político tido como moderno, com o qual dá para dialogar.
A decadência do irismo pode acabar com o ódio extremado na política de Goiás.
O governador Marconi Perillo visita, na Austrália, um dos maiores exportadores de carne do mundo. Lá, um dos grupos dominantes é o brasileiro (na verdade, uma multinacional) JBS — exportador para a China e a Malásia. Os restaurantes australianos “prestigiam” a carne do Friboi.
A senadora Lúcia Vânia não esquece que, em 1994, quando precisou do apoio de Ronaldo Caiado, no segundo turno, o democrata, na época no PFL, desapareceu do mapa — contribuindo para a vitória do peemedebista Maguito Vilela para o governo de Goiás.
Analistas políticos e luas pretas dos partidos avaliam que três forças vão disputar o governo do Estado em 2018: José Eliton, pela base governista; Daniel Vilela, pelo PMDB; e Ronaldo Caiado, pelo DEM.
Mas, se ficar sozinho no páreo, o líder do Democratas pode acabar desistindo da disputa para se não se tornar o Demóstenes Torres de 2006.
De um peemedebista dos mais heterodoxos: “O senador Ronaldo Caiado torceu e trabalhou contra a eleição do deputado federal Daniel Vilela para presidente do PMDB. O líder do DEM sabe que a ascensão do jovem peemedebista tende a barrar sua candidatura a governador em 2018”. Um integrante do DEM afirma que Caiado ficou fora do processo.
Segundo o mesmo peemedebista, Iris Rezende teria prometido a Ronaldo Caiado que, se se filiar ao PMDB, seria o candidato do partido a governador de Goiás em 2018. No entanto, com a indicação de Daniel Vilela para presidente do PMDB, a jogada foi para o espaço. O candidato a governador tende a ser o jovem parlamentar.
Caiado sempre diz que a aliança do DEM é com o PMDB. Porém, se definido que Daniel Vilela será o candidato a governador do PMDB em 2018, a tendência é que permaneça no Senado. Mas também há a possibilidade de ele ser candidato a vice de um candidato a presidente, talvez Aécio Neves, se este não for detonado pelos delatores da Operação Lava Jato.
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Governador Marconi Perillo e o prefeito de Anápolis, João Gomes[/caption]
Aliados do prefeito de Anápolis, João Gomes, do PT, admitem que não está descartada a hipótese de seu vice ser o vereador Fernando Cunha Neto, do PSDB. Este não concorda com a tese e garante que vai disputar a prefeitura.
O PT não quer aliança com o PSDB. Porém, em nome da realpolitik, tudo é aceitável. Desde que o PT mantenha a cabeça de chapa.
O deputado federal Alexandre Baldy (PSDB) disse ao Jornal Opção que realmente saiu do páreo, abrindo espaço para o aliado Fernando Cunha Neto, e garante que não há nenhuma grande jogada para, adiante, voltar a postular a Prefeitura de Anápolis. Ele é, desde já, o principal conselheiro político do vereador Cunha Neto.
Alexandre Baldy vai se concentrar na Câmara dos Deputados. Pretende ser um dos parlamentares mais atuantes do país, contribuindo para o velório, o enterro e a missa de sétimo dia do PT. Depois, vai pensar na disputa pelo governo do Estado. Em 2018? É possível.
Definido como pré-candidato do PSDB a prefeito de Anápolis, o vereador Fernando Cunha Neto viajou para Miami para pedir a bênção do empresário Marcelo “Neoquímica” Limírio, sogro e padrinho do deputado federal Alexandre Baldy.
Fernando Cunha Neto está fazendo o dever de casa — conversando com políticos, líderes de bairros e empresários. O tucano sabe que será muito difícil disputar com o prefeito João Gomes, do PT, que tem o controle da máquina, e com o deputado Carlos Antônio, do Solidariedade, que é popular na cidade. Mas permanece animado e buscando formatar uma aliança política forte.
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Frederico Jayme: ex-presidente do TCE e ex-deputado estadual [/caption]
O chefe de gabinete do governador Marconi Perillo, ex-deputado Frederico Jayme, pode ser a grande aposta do PSDB para prefeito de Anápolis.
Primeiro, porque é consistente e, nos debates, tende a dar um banho nos adversários.
Segundo, por ser ligado ao governador Marconi Perillo, acabará com o mito de que o tucano-chefe apoia, por debaixo dos panos, o prefeito João Gomes, do PT.
Proclamado como pré-candidato do PSDB a prefeito de Anápolis, o vereador Fernando Cunha Neto está articulando com políticos e empresários. Mas, se não emplacar, sairia do páreo tanto para o deputado federal Alexandre Baldy quanto para Frederico Jayme. Há quem o avalie com o perfil mais de vice do que de candidato a prefeito.
O ex-prefeito de Inhumas Abelardo Vaz e o empresário Vanderlan Cardoso se tornaram amigos na política e permaneceram amigos fora da política. O primeiro pertence ao PP e o segundo, ao PSB.
Vanderlan Cardoso é pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PSB. Para alguns, é um postulante relutante. A um político chegou a dizer que não gostaria de perder eleição pela terceira vez. Ele foi derrotado para o governo do Estado em 2010 e 2014 e teme não ser eleito em Goiânia. Abelardo Vaz o avalia como um “político de excelente nível e um gestor preparado e dos mais eficientes”.
Numa conversa com Abelardo Vaz, Vanderlan Cardoso disse que pretende disputar a Prefeitura de Goiânia. Mas lamentou a falta de apoio político — não há uma frente forte na capital que o banque — e de uma estrutura financeira adequada. Ele pode não ser candidato? “Não sei. Mas as campanhas de 2010 e 2014 deram-lhe um recado: é muito difícil ganhar uma eleição sem estrutura política e sem estrutura financeira.”
Vanderlan Cardoso estaria mais preocupado com Senador Canedo do que com Goiânia? Abelardo Vaz diz que não é bem assim. “Na verdade, como líder político em Senador Canedo, onde foi prefeito, não há como não participar das articulações municipais. As pessoas do município o procuram e o querem participando do processo local. Como se trata de um político com dimensão estadual, nada mais apropriado. Mas procede que, como deve disputar a Prefeitura de Goiânia, deve articular mais na capital.”
Sobre o conflito entre o prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira, do PDT, e Vanderlan Cardoso, Abelardo Vaz não quis tecer maiores comentários. “O que posso dizer é que são políticos de valor, experimentados. É possível que o rompimento prejudique os dois. Se tivesse o apoio de Vanderlan, Misael estaria praticamente eleito. Se tivesse o apoio de Misael, Vanderlan poderia se concentrar mais na política de Goiânia e ainda teria o apoio de um prefeito de uma cidade importante. Em política, é sempre mais saudável agregar do que romper. Mas não tenho informações suficientes para me envolver no conflito entre os dois.”
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Abelardo Vaz: advogado e ex-prefeito de Inhumas Foto: Fernando Leite[/caption]
O advogado Abelardo Vaz tem um lugar garantido na história de Inhumas como um de seus melhores prefeitos. Filiado ao PP, poderia ter disputado mandato de deputado estadual em 2014 e dificilmente não seria eleito. Mas o pepista parece ser um líder relutante. Ou melhor: não é relutante, mas não quer mais ser político, ao menos nos próximos anos. Com um azeitado escritório de advocacia, ele prefere ficar na iniciativa privada e não planeja disputar a prefeitura na eleição de 2 de outubro. Apontado como favorito por seus aliados, aclamado nas ruas, não demonstra entusiasmo algum pela disputa.
Entrevistado pelo Jornal Opção na sexta-feira, 12, Abelardo diz que, de fato, o escritório de advocacia vai bem. “Mas, em termos políticos, admito que não estou entusiasmado, não quero disputar a prefeitura. Até tentei me empolgar, pressionado ou incentivado pelo amigos e correligionários, mas o fato é que não estou motivado. Prefiro ficar fora e apoiar outro candidato.”
O grupo de Roberto Balestra e Abelardo Vaz, os líderes mais expressivos da oposição ao prefeito Dioji Ikeda (PDT), tem outros nomes? “Nós temos vários nomes de qualidade. São políticos que têm capacidade gestora. Posso citar João Antônio, do PSD, Celsinho Borges, do PP, e Edivaldo da Cosmed, do PHS. Edivaldo é vice de Dioji Ikeda, mas rompeu com o prefeito e agora pertence à nossa base política. Qualquer um deles tem condições de ganhar a eleição e, em seguida, de administrar a prefeitura, mesmo num ambiente de crise econômica do país.”
Abelardo Vaz frisa que seu grupo deve bancar João Antônio, Celsinho Borges ou Edivaldo da Cosmed. “Trata-se de uma turma boa e que tem credibilidade na cidade. O importante é o grupo permanecer unido.”


