Bastidores
[caption id="attachment_54211" align="alignright" width="620"]
Ex-prefeito de Goiânia, Iris Rezende | Fernando Leite[/caption]
Um peemedebista histórico diz que Iris Rezende tem sugerido que teria sido atraiçoado por políticos que considerava como de extrema confiança. O deputado Adib Elias — iristas chamam-no de Diatribe Elias — estaria entre os não-confiáveis. Bruno Peixoto é citado como político de “dupla face”. Um aliado do ex-prefeito de Goiânia é peremptório: “Iris Rezende carregou a turma nas costas, durante anos, dando-lhe empregos e prestígio. Tirou muita gente do anonimato. Elegeu vários políticos e, como pagamento, teve de engolir uma derrota humilhante. Alguns políticos iam ao seu escritório e diziam: ‘Nailton está eleito’. Em seguida, davam apoio a Daniel Vilela”.
Aos que comentam que o caso do diretório estadual do PMDB é uma questão resolvida, um irista contrapõe: “Não tem nada de resolvido. Se Iris Rezende for eleito prefeito de Goiânia, nós daremos o troco àqueles que, dizendo-se iristas, eram, na verdade, danielistas e maguitistas”.
Os pensadores-articuladores do Palácio das Esmeraldas — conhecidos como luas azuis — sugerem uma chapa que avaliam como qualitativa tanto nos aspectos políticos quanto técnicos: Giuseppe Vecci, do PSDB, e Luiz Bittencourt, do PTB. Os dois são capazes de montar discursos e programas impecáveis e, tremendamente articulados, de desmontar os discursos e projetos dos adversários. Eles se dão bem, há sintonia sobre o que pensam para a Prefeitura de Goiânia. Mas há um problema crucial: Vecci e Bittencourt querem ser cabeça de chapa. Nenhum se interessa pela vice. Mas nada que uma boa conversa, na presença do governador Marconi Perillo, não possa mexer com as certezas de ambos.
Não resta a menor dúvida de que Adib Elias é consistente, eleitoralmente, mas a gestão de Jardel Sebba começa a deslanchar e o tucano pode surpreender. Jardel Sebba é mais moderno do que Adib Elias e começa a fazer obras diferenciadas. Pode derrotar o mito da cidade.
Virmondes Cruvinel (PSD) vai fazer o discurso pela base governista na retomada dos trabalhos legislativos, na segunda-feira. O deputado vai falar do presente, do trabalho para reorganizar o Estado, e do futuro. “Vou mostrar o que foi feito e, com o enxugamento do Estado, o que será feito”. Virmondes Cruvinel diz que, como fez a lição de casa, o governo de Goiás está com a casa praticamente em ordem. “O governo do Rio Grande do Sul, do PMDB, está mais quebrado do que arroz de quinta categoria.”
O deputado José Nelto, do PMDB, vai fazer o discurso da oposição no retorno dos trabalhos da Assembleia Legislativa de Goiás na segunda-feira, às 15 horas. “Farei uma ressonância magnética dos principais problemas do Estado”, afirma Nelto. “Vou falar sobre as OSs, que não recebem do governo, dos buracos nas rodovias e da crise no Estado.” O parlamentar do PMDB anota que “o governo espera receber pelo menos 2 bilhões dos prováveis 5 bilhões da venda da Celg. Mas, para se reestruturar, precisa de pelo menos 5 bilhões. 2016 e 2017 serão anos difíceis para o governo e para os goianos”.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, e o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, se encontraram no Rio de Janeiro, durante o carnaval, e bateram um longo papo, da maneira mais amistosa possível. Quem viu garante que pareciam dois tucanos ou dois petistas, mas não um petista e um tucano. Diga-se que o encontro, segundo aliados, foi casual.
Integrantes da base governista estadual dizem que o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, planeja conversar sobre a disputa pela Prefeitura de Goiânia. Aliança à vista? Tudo é possível.
Não é mais segredo que o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, está profundamente chateado com o ex-prefeito Iris Rezende, do PMDB. O petista-chefe abre o jogo com os interlocutores e frisa que sua lealdade não foi recompensada com lealdade, e sim com ataques. Iris Rezende, segundo petistas, estaria incentivando o vice-prefeito, Agenor Mariano, e o vereador Clécio Alves a atacá-lo. Iris Rezende teria deixado um rombo de pelo menos 1 bilhão de reais, mas, apesar de pressionado por vários petistas, Paulo Garcia decidiu não pôr a boca no trombone. Hoje, sabe-se que o desgaste da gestão de Paulo Garcia advém, em larga medida, de o prefeito ter feito o impossível para cobrir os rombos deixados pela gestão de Iris na prefeitura. Para ficar ao lado de Iris Rezende, Paulo Garcia deixou de celebrar parcerias com o governo de Marconi Perillo — o que desgastou sua gestão.
Aliados de Paulo Garcia sustentam a tese de que seu candidato a prefeito de Goiânia terá pelo menos 20% dos votos. Assim, se ampliar sua aliança política, pode até chegar ao segundo turno.
Petistas ortodoxos e heterodoxos apostam que um segundo turno surpreendente pode ter um candidato do governo do Estado e um candidato bancado pelo prefeito Paulo Garcia. O petismo sugere que Iris Rezende vai sair na frente, mas, desidratado pelas bordoadas dos adversários e por não ter propostas novas para os goianienses, não chegará ao segundo turno.
“Perder em Goiânia significará o enterro político definitivo de Iris Rezende — que vem de quatro derrotas: três para o governo do Estado e uma para o Senado”, afirma um paulo-garcista. Será o enterro político também do irismo, que não terá como sobreviver sem Iris Rezende.
A ex-apresentadora da TV Anhanguera e o empresário curtem la dolce vita na Itália de Dante e Leopardi
Presidente nacional do tucanato, senador pediu para que deputado federal goiano não deixasse a sigla
Há quem aposte que Iris Rezende vai bancar Agenor Mariano para prefeito de Goiânia e vai resguardar-se para a disputa do governo de Goiás em 2018. Maluquice? Pode ser e pode não ser. Iristas sugerem que Iris Rezende costuma dizer que, sem Marconi Perillo no páreo, ele tem condições de voltar à gestão estadual.
Afinal, Vanderlan Cardoso está ou não na base do governador Marconi Perillo? A pergunta é feita todos os políticos—tanto da oposição quanto da situação.
Se o partido político vale mais do que cada indivíduo, e se o PSB, controlado pela senadora Lúcia Vânia, sua presidente, está na base do governador Marconi Perillo, é possível dizer que Vanderlan Cardoso pertence à base governista.

