Bastidores
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Arquivo[/caption]
Na diplomação dos vereadores, Jorge Kajuru (PRP) apareceu com uma armação de óculos estrambótica. Uma lente era redonda (ovalada) e a outra quadrada.
O que os óculos querem dizer. Um peemedebista filosofou: “Os óculos querem dizer que o mundo devia ser redondo, mas está quadrado”.
O prefeito de Aparecida de Goiânia e o prefeito eleito Gustavo Mendanha sugerem um caminho civilizado para as divergências políticas e ideológicas
As declarações do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), de que uma aliança com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para 2018 não deve ser descartada não agradaram a ex-deputada Iris Araújo, que se apresenta como uma espécie de porta-voz informal de Iris Rezende.
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Reprodução[/caption]
Na diplomação de Iris Rezende, a sul-mato-grossense Iris Araújo, de 73 anos, mal cumprimentou Maguito Vilela. O peemedebista ficou desconcertado com o olhar abaixo de zero dado pela ex-parlamentar.
Se confirmado que Iris Araújo vai trabalhar no paço municipal de Goiânia, com direito a sala, assessores, telefones, automóveis e lanches, mas sem nomeação, o Ministério Público poderá acioná-la judicialmente (Iris Rezende também pode ser processado). Advogados informam que a usurpação de função pública é crime.
Iris Rezende terá de nomear Iris Araújo para evitar desassossego. Talvez para a Secretaria de Assistência Social.
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Foto: Henrique Luiz[/caption]
Um peemedebista e um jornalista plantaram na coluna “Giro”, de “O Popular”, que o governador Marconi Perillo, do PSDB, poderia se filiar ao PMDB. A informação é falsa — trata-se de uma “barriga” de Jarbas Rodrigues Jr. (que teria copiado a informação de Divino Olávio, do “Diário de Goiás”).
Sem saber que a “informação” era mero boato, o presidente do PMDB, deputado federal Daniel Vilela, saiu a campo e criticou duramente Marconi Perillo.
Ao saber das diatribes de Daniel Vilela — apontado como enfant terrible —, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, e o prefeito eleito do município, Gustavo Mendanha, conversaram com Marconi Perillo. Os peemedebistas estão cada vez mais próximos do tucano, o que incomoda o deputado federal.
As conversas entre Marconi Perillo e Maguito Vilela estão avançadas. Mas ninguém, talvez nem os dois, sabe para qual rumo o diálogo civilizado entre o tucano e o pemedebista se encaminhará.
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Quadro de Salvador Dali[/caption]
Um deputado estadual construiu uma teoria curiosa sobre a disputa para presidente da Câmara Municipal de Goiânia: “Só quatro vereadores não compõem com o grupo do prefeito eleito, Iris Rezende (PMDB) — Cristina Lopes, Elias Vaz, Milton Mercez e Anselmo Pereira — e só quatro vereadores não compõem com o grupo do governador Marconi Perillo (PSDB), Clécio Alves, Wellington Peixoto, Paulinho Graus e Andrey Azeredo. O restante é ‘colado’ com cuspe. Quer dizer, é manobrável”.
O que o deputado está sugerindo é que nada está definido na eleição para presidente do Legislativo. Ninguém, nem mesmo Iris Rezende, tem controle da situação.
Sua tese: sem Marconi Perillo no páreo, avalia que tem condições de derrotar qualquer outro candidato
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Arquivo[/caption]
Iris Rezende (PMDB) tem dito aos seus aliados que, no momento e nos próximos dois anos, só vai pensar numa coisa: administrar bem Goiânia.
E depois? Bem, como se sabe, o futuro a Deus pertence (há quem aposte que não pertence nem a Deus). Mas, se fizer uma administração consagradora em Goiânia — nas costas de Paulo Garcia, o prefeito petista —, Iris Rezende poderá disputar o governo do Estado.
Nas conversas reservadas, só para os mais íntimos, Iris Rezende costuma dizer que, em 2018, sem Marconi Perillo no páreo, tem condições de derrotar qualquer outro candidato. E contará com um trunfo: o apoio do senador Ronaldo Caiado, do DEM.
Mas teria energia para disputar o governo, andando por todo o Estado? Um irista responde: “O combustível de alguns homens é dinheiro, de outros é mulheres, de outros é o jogo. O de Iris é política, é seu alimento preferido”.
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Senador Ronaldo Caiado | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado[/caption]
A aposta principal do meio político em Goiás é que o senador Ronaldo Caiado será candidato ao governo do Estado, considerando que as pesquisas de intenção de voto (extemporâneas, é certo) o apontam em primeiro lugar, bem à frente dos demais candidatos.
Entretanto, nos outros Estados, notadamente em São Paulo e Rio de Janeiro, o que se diz é que Ronaldo Caiado, do DEM, será candidato a presidente da República.
O que se comenta é que, como as elites políticas do país serão destroçadas pela Operação Lava Jato, se terá espaço para um político moralista (no bom sentido, e não no mau sentido) como Ronaldo Caiado. Jair Bolsonaro tende a sair na frente, por causa da radicalidade do discurso, mas os caiadistas e democratas, como ACM Neto, prefeito de Salvador, apostam que o senador é capaz de conquistar votos do centro político, o que o deputado do Rio tende a não conseguir.
O prefeito eleito de Goiânia, Iris Rezende, do PMDB, pode ter seus rancores, mas, aos 83 anos, planeja uma guinada no seu comportamento político.
Iris Rezende já alertou seus aliados e até parentes que não vai adotar um comportamento contencioso com o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, que tem lhe estendido as mãos.
O prefeito eleito de Goiânia teria orientado os deputados do PMDB para baixarem o tom das críticas ao governador tucano.
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Cileide Alves | Foto: reprodução / Facebook Comunicação Sem Fronteiras[/caption]
Dois políticos mencionaram o nome de Cileide Alves para a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Goiânia. Iris Rezende ouviu e não fez nenhum comentário.
O problema é que Cileide Alves, embora não seja vetada pelo Grupo Jaime Câmara, maior grupo de comunicação do Estado de Goiás, não mantém um relacionamento qualitativo com a empresa e, também, com seus editores (pois considera que foi humilhada por dois deles).
Iris Rezende, por sinal, tem simpatia por Cileide Alves. Ela é autora de uma dissertação de mestrado na qual transforma o peemedebista numa espécie de Ulysses Guimarães ou Tancredo Neves do Cerrado — num evidente exagero. Ela também colhe material para uma biografia, aparentemente hagiográfica, do líder político. Como não gostar de quem diz que somos deuses?
O jornalista Filemon Pereira, que teria o apoio de Ana Paula Rezende, é o mais cotado para a Secom. Mas Urias Júnior, genro de um ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça, está cada vez mais próximo de Iris Rezende.
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Governador e prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin (PSD) durante celebração | Foto: Humberto Silva[/caption]
O governador Marconi Perillo tem duas qualidades fundamentais num político e num gestor público.
Primeiro, administra o tempo em cima dos fatos, inteirando-se de todos os fatos do governo. Sua memória prodigiosa permite que saiba tudo sobre o governo na ponta da língua. Quem não o conhece pensa que decorou. Não é bem assim. É que ele sabe das coisas mesmo, porque acompanha tudo de muito perto, e sempre quer saber os detalhes (afinal, como dizem, Deus mora nos detalhes).
Segundo, em termos políticos, é dos mais atentos. Lembra-se do nome de todo mundo e, sobretudo, atende com respeito a todos os pleitos, mesmo quando não pode atendê-los. O tucano-chefe tem uma paciência infinda para atender prefeitos e vereadores, mesmo os de oposição.
Nesta semana, Marconi Perillo vai completar 106 audiências com prefeitos eleitos ou reeleitos. Um trabalho de Hércules.
Iristas históricos (há até os pré-históricos) dão como certo um distanciamento estratégico entre Iris Rezende, prefeito eleito de Goiânia, e o senador Ronaldo Caiado depois da posse em 1º de janeiro.
Os iristas, e até os pré-históricos concordam com os históricos, avaliam que o estilo agressivo, superbelicoso de Ronaldo Caiado, não ajuda em termos de administração.
Como não tem o apoio de nenhum deputado federal, Iris Rezende contava com Ronaldo Caiado para abrir as portas do governo federal. Mas, agora, o democrata fechou as portas para si e para o próprio Iris Rezende, que, ao menos em Brasília, é visto como caiadista.
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Divulgação/Twitter[/caption]
Em Brasília, até o paciente presidente Michel Temer tem reclamado do senador Ronaldo Caiado, do DEM, que só é aliado nos bons momentos; nos maus, cai fora e começa a atirar.
O estilo Júnior Baiano e ACM (sim, o falecido, não o ACM neto) de Ronaldo Caiado não tem agradado nem mesmo os integrantes do DEM em Brasília.
“Ao defender a renúncia de Michel Temer, Ronaldo Caiado esquece que, até alguns dias, era um dos principais defensores de seu governo”, afirma um deputado do PMDB.

