Bastidores
O trade turístico avalia que, no ano da Copa do Mundo de Futebol, com jogos em Brasília, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), equivoca-se ao propor a extinção da Secretaria de Turismo. Não parece, mas Goiânia é uma cidade turística, sobretudo com o lucrativo turismo de negócios. Empresários e agentes do setor de turismo pressionam o petista para manter a pasta.
Conta-se que o deputado federal Sandro Mabel não vai disputar a reeleição este ano porque pretende ser candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia ou de Goiânia em 2016 e que planeja morar um ano no exterior. Uma líder do PR apresenta outra versão: “Ao migrar para o PMDB, deixando o PR, Mabel não levou a maioria dos integrantes de sua base. Hoje, sua antiga base apoia o governador Marconi Perillo e é controlada pela empresária Magda Mofatto — pré-candidata a deputada federal. As bases do PMDB, que não apoiam o ex-dono da fábrica de bolachas Mabel, estão controladas por Iris Araújo, Pedro Chaves, Daniel Vilela e Marcelo Melo. Sem espaço, optou por abandonar a disputa deste ano.”
O advogado e ex-vereador Willian Machado mantém sua pré-candidatura a governador pelo DEM. “Mas a prioridade é mesmo o deputado federal Ronaldo Caiado.” Mestre em Direito, Willian Machado sugere que alguns setores da base do governador Marconi Perillo “respeitem” Caiado. “Trata-se de um político e homem de valor. Ele acrescenta. Outros acrescentavam quando estavam próximos do deputado.”
Aos que não apostam numa aliança entre Marconi Perillo (PSDB) e Ronaldo Caiado (DEM) recomenda-se a leitura de uma frase do presidente Getúlio Vargas: “Nunca tive um amigo que não pudesse tornar-se um inimigo ou um inimigo que não pudesse tornar-se amigo”. A frase tem uma variante, também atribuída ao político gaúcho: “Inimigos, não sei se os tenho. Mas se os tiver, não serão jamais tão inimigos que não possam vir a ser amigos”.
Veja-se um caso curioso, para lembrar os 50 anos do golpe militar de 1964. Quando prefeito de Goiânia na década de 1960, Iris Rezende foi cassado a pedido do governador Otávio Lage (Arena). Este enviou uma carta pedindo sua cassação. Mesmo assim, tucanos que um dia foram peemedebistas (e, alguns, perseguidos pela ditadura) se tornaram aliados de Jalles Fontoura e Otavinho Lage, filhos de um udeno-arenista que apoiou todos os atos mais cruentos da ditadura civil-militar e sem fazer nenhuma ressalva. Cadê a crítica de Otávio Lage às torturas e ao AI-5? Síndrome de Estocolmo? Na certa! Lembrar o passado não significa sugerir que Jalles e Otavinho não são bons políticos. São políticos e empresários modernos, competentes e íntegros.
Uma chapa majoritária com Marconi Perillo (governador), Vilmar Rocha (vice) e Ronaldo Caiado (senador) é mesmo muito forte. Rocha e Caiado são políticos qualificados e acrescentam muito para o tucano-chefe. Mas é preciso considerar duas coisas: o vice-governador José Eliton não jogou a toalha e, entre os jovens, é uma das apostas do governador Marconi Perillo. Vilmar Rocha também diz que prefere disputar mandato de senador. Ele e José Eliton, antes adversários, agora são aliados.
De um irista cáustico: “Numa reunião, um peemedebista disse que, se derrotar Iris Rezende na convenção, Júnior Friboi teria uma vitória de Pirro. O empresário, intrigado, perguntou: ‘Espirro? Alguém está gripado?’”
Em Porangatu não se comenta outra coisa: o prefeito Eronildo Valadares é sério, mas não está conseguindo administrar a cidade. O que parecia impossível está ocorrendo: o povão começa a sentir saudade do ex-prefeito José Osvaldo. “A gente era feliz, apesar de todos os desmandos, e não sabia.” Nem tanto, é claro. Eronildo Valadares herdou, vale ressaltar, uma dívida de 30 milhões de reais. Um papagaio desse engessa qualquer gestão. Mas nenhum prefeito deve ser eleito para ficar reclamando.
O empresário Jalles Fontoura (PSDB) foi eleito prefeito de Goianésia propondo duas coisas que avaliava como fundamentais. Primeiro, propôs a construção de 2 mil casas. Segundo, sugeriu a criação de uma faculdade de medicina. Segundo sua equipe, mil casas estão em fase de construção e/ou contratação. Ele assegura que, até 2016, no fim da gestão, terá edificado 2 mil casas. O tucano garante que a faculdade vai sair do papel.
[caption id="attachment_1049" align="alignleft" width="300"]
Presidente do PRTB em Morrinhos, Arzírio Vieira, e o vice, Renato Melanias[/caption]
Arzírio Vieira, do ramo da construção civil, é o novo presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro em Morrinhos. Junto com ele, assumiram novos integrantes.
Arzírio frisa que sua “missão é organizar o partido” com vistas “às eleições de 2014 e 2016”. O político pretende constituir um grupo forte para “apresentar projetos e soluções para Morrinhos”.
“Vamos filiar nomes importantes no partido. Iniciamos as conversações e desde já traremos companheiros para ajudar a promover uma política voltada para o interesse de todos”, afirma Arzírio. O agente comercial Renato Melanias, de família tradicional na cidade, é o vice-presidente do PRTB.
Renato assegura que vai dialogar com vários segmentos da sociedade. “Atendendo um pedido do presidente regional, Denes Pereira, e do presidente do diretório metropolitano, Júnior Café, eu, o presidente Arzírio e os demais companheiros de partido vamos procurar toda a sociedade organizada e apresentar um novo modelo de gestão política para a cidade de Morrinhos. O nosso povo precisa ter representantes à sua altura, e é essa política que queremos para a nossa cidade”, enfatizou .
[caption id="attachment_534" align="alignleft" width="620"]
José Eliton: prestigiado pelo governador Marconi Perillo, o vice pode ir tanto para o TJ quanto para o TCE ou para o TCM[/caption]
Pergunta que não quer calar-se: o que a base aliada vai fazer com o vice-governador José Eliton (PP)? O governador Marconi Perillo aprecia o advogado e gostaria de mantê-lo como seu vice. Chega-se a falar, até, que, se o tucano-chefe não for candidato, o presidente do PP pode disputar o governo de Goiás. Porém, nos bastidores, há outra discussão, que passa ao largo de apreço pessoal e lealdade: o que, de fato, José Eliton acrescenta à chapa majoritária em termos de votos? O Jornal Opção ouviu dezenas de integrantes da base governista e todos, exceto uma política e um político, teceram os maiores elogios ao vice, mas disseram que “não tem votos”. Em 2012, transformou Posse em sua Ítaca, passando a despachar na cidade, mas não conseguiu eleger o pai a prefeito (perdeu para o amador José Gouveia).
Entretanto, se não permanecer na vice, José Eliton não ficará desguarnecido. Cogita-se quatro coisas. Primeiro, pode disputar a vaga do desembargador Geraldo Gonçalves — se este decidir mesmo se aposentar —, possivelmente com o apoio de Marconi e do presidente da OAB-Goiás, Henrique Tibúrcio. Há quem diga, especialmente no meio advocatício, que a maior ambição do vice é se tornar desembargador.
Segundo, pode “ganhar” uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE). A vaga do TCE, a do conselheiro Milton Alves, estaria “reservada” para o presidente da Assembleia Legislativa, Helder Valin (PSDB). José Eliton “atropelaria” o amigo? Improvável.
Terceiro, entre 2014 e 2015, dois conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Sebastião “Caroço” Monteiro e Virmondes Cruvinel, devem se aposentar. O deputado Daniel Messac (PSDB) e o secretário de Articulação Institucional, Joaquim de Castro, são os nomes mais cotados para substitui-los. Mas um acordão pode reservar uma vaga para José Eliton.
Quarto, José Eliton é “candidato” a assumir a coordenação geral da campanha do governador Marconi Perillo.
O PMDB, se o candidato a governador for Iris Rezende, pode perder o apoio de alguns partidos que apoiam a candidatura de Júnior Friboi — e não necessariamente uma candidatura peemedebista. É possível que, se Iris for confirmado e se Friboi não bancá-lo, partidos como PTN, de Francisco Gedda, e PC do B, de Isaura Lemos, passem a militar ao lado do pré-candidato do PT a governador, Antônio Gomide.
Até quarta-feira, 26, o vice-governador José Eliton (PP) lutava sozinho contra a indicação do deputado federal Ronaldo Caiado para compor a chapa majoritária articulada pelo governador Marconi Perillo (PSDB). Se Caiado for candidato a senador na chapa do tucano-chefe, a tendência é que o deputado federal Vilmar Rocha seja indicado para vice e, com isso, José Eliton perderia espaço na chapa. Mas agora um peso-pesado, o prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura (PSDB), entrou em campo contra a indicação de Caiado. Em artigo publicado em "O Popular", o tucano diz que, se apoiar Caiado, a coligação governista estará dando prova de que sofre da síndrome de estocolmo. Jalles Fontoura não está defendendo José Eliton, e sim seu aliado e amigo Vilmar Rocha (PSD). Vilmar, cotado para vice, prefere ser candidato a senador. Há também uma vingança histórica: em 2002, Jalles Fontoura queria ser candidato a senador, mas Caiado bancou o então secretário de Segurança Pública, o procurador de justiça Demóstenes Torres, para a disputa. Na época, Jalles era filiado ao DEM (ex-PFL). E há um contencioso histórico entre os Caiado e a família de Jalles Fontoura e Otavinho Lage. Não é coisa recente, portanto.
O Partido Ecológico Nacional (PEN) decidiu compor com o governador Marconi Perillo (PSDB) e vai apoiar sua reeleição. O presidente do PEN, Airton Barroso, e seu guru, Alfredo Bambu, devem indicar aliados para participar do governo de Goiás. Barroso interrompeu, no início desta semana, as conversações com o grupo do pré-candidato do PMDB a governador de Goiás, empresário Júnior Friboi.
De um integrante do DEM goiano: "O deputado estadual Simeyzon Silveira, até onde se sabe, não é porta-voz do DEM nem do deputado federal Ronaldo Caiado". O democrata acrescenta: "Simeyzon deveria se apresentar como porta-voz de seu partido, o PSC. No entanto, quem manda mesmo no PSC é o pré-candidato a governador pelo PSB, Vanderlan Cardoso". O "conflito" entre Simeyzon e o democrata tem origem na "informação" do primeiro de que o deputado federal não vai compor com o governador de Goiás, Marconi Perillo. Convém esperar a manifestação do próprio Caiado. O que ele tem sugerido não bate, de fato, com o que diz Simeyzon.

