Bastidores
Lucas Vergílio, formado em administração de empresas e atuante na área de seguros, será candidato a deputado federal pelo Solidariedade. Ele é filho do deputado federal Armando Vergílio. É articulado e apaixonado por política.
Se montar uma estrutura adequada, com apoio em várias cidades de Goiás, Lucas Vergílio tem chance de ser eleito. É marinheiro de primeira viagem, mas tem um pai experiente que pode guiá-los pelos novos caminhos.
Acredita-se que, com discurso moderado e amplo ouvido voltado para o que “dizem” as ruas, o deputado federal Vilmar Rocha pode sair do terceiro lugar, atrás de Ronaldo Caiado e Marina Sant’Anna, e se eleger senador.
“O crescimento de Vilmar vai ser paulatino, avançando semanalmente. Mas, se fizer uma campanha bem feita, mais propositiva do que agressiva, pode acabar sendo eleito”, afirma um marqueteiro experimentado.
O mesmo marqueteiro diz que, se as eleições fossem realizadas hoje, Ronaldo Caiado, do DEM, seria o próximo senador por Goiás. O profissional sugere que o democrata deve ter o máximo de cuidado para não ficar com a imagem de truculento.
Líder político em Aparecida de Goiânia, o ex-vice-prefeito Tanner de Melo deve ser candidato a deputado federal pelo DEM. É tido como fraco, mas tem o apoio de Ronaldo Caiado, que é forte.
Tanner de Melo tem recursos para bancar uma campanha que, sabe-se, é muito dispendiosa. Resta saber se ele e sua família querem gastar dinheiro numa campanha de resultados incertos.
Candidato a deputado estadual pelo PHS, Chiquinho Oliveira tem sido visto nos quatro cantos do Estado. Ele aparece em Morrinhos e, de repente, está em Aparecida de Goiânia.
Neste município, conseguiu o apoio do, entre outros, tucano Maione Padeiro. Este vai apoiar a reeleição do deputado federal tucano João Campos.
O ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia Marcelo Augusto, líder do PHS em Goiânia, definiu-se: “Mesmo enfrentando os tubarões, vou disputar mandato de deputado estadual”.
Marcelo Augusto diz que tem o apoio de algumas igrejas evangélicas, de parte dos integrantes do SindiGoiânia, da Legião da Boa Vontade (LBV), do vereador Zander Fábio e de dezenas de vereadores em vários municípios de Goiás. E é uma das apostas do presidente nacional do PHS, Eduardo Machado.
De um friboizista juramentado: “Se Iris Rezende não retirar a candidatura de sua mulher, Iris Araújo, da disputa para deputada federal, a história da ‘panelinha familiar’ pode voltar com força total”.
O mesmo friboizista garante que, se Iris Araújo não for candidata à reeleição, muitos aliados de Júnior Friboi, mesmo sem muita motivação, vão apoiar Iris Rezende para governador.
A ressalva é que Iris Rezende não gosta de que lhe coloquem a faça no pescoço.
O ex-pré-candidato a governador pelo PMDB Júnior Friboi não está muito satisfeito com o candidato a deputado estadual Ernesto Roller.
Aliados de Friboi estranham a repentina empolgação de Ernesto Roller com Iris Rezende. Mas o empresário não retirou o apoio político e financeiro ao ex-deputado.
Vários peemedebistas, alguns são iristas de carteirinha — para eles, o irismo é uma espécie de religião evangélica —, estranham a pouca mobilidade do candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende. Eles têm a impressão de que Iris vai tentar fazer sua campanha — uma campanha que será disputadíssima — a partir de seu escritório, com poucos contatos com os líderes em suas cidades.
Uma campanha feita a partir do escritório é vista como burocrática. Os peemedebistas temem que Iris faça sua campanha a partir, além do escritório, da produtora de vídeo que deve fazer a sua campanha na televisão. “Espera-se que Iris não esteja sendo iludido por algum marqueteiro de que será preciso fazer a campanha apenas ouvindo aliados no seu escritório, aparecendo no programa de televisão e expondo as ideias nas redes sociais. Os homens do interior querem contato físico, querem ver o candidato e ouvir diretamente deles o que pensa sobre determinados assuntos. Além do mais, a sociedade civil organizada aprecia debater as ideias dos candidatos.”
O Jornal Opção ouviu de um irista que, sim, Iris não vai ficar apenas em Goiânia. “Na verdade, Iris estava articulando a montagem da chapa majoritária e isto tinha de ser feito no escritório, em conversas reservadas. A partir de agora com a chapa definida, ele vai abrir conversações com os líderes políticos, empresariais e outros.”
Na semana passada, mesmo tendo passado a maior do tempo em sua fazenda, no município de Posse, Júnior Friboi afunilou os nomes dos candidatos a deputado federal e estadual que vai apoiar na eleição de 5 de outubro deste ano.
Para deputado federal
1 — Marcelo Melo (PMDB) — É dos políticos mais ligados e leais a Júnior Friboi. Mas está relutando em disputar. Porém, se o empresário disser “vai”, ele não hesitará dois minutos. O ex-deputado federal se converteu ao anti-irismo mais feroz.
2 — Denis Pereira (PRTB) — Este é daqueles políticos que são da cota de Friboi. Suas eleitorais são mínimas, mas terá estrutura suficiente para fazer uma campanha de médio a grande porte.
3 — Pedro Chaves (PMDB) — É a principal aposta de Friboi. Deputado federal, o líder do Nordeste goiano pode ter dificuldade para se eleger, especialmente se o candidato a governador do partido, Iris Rezende, não decolar.
4 — Daniel Vilela (PMDB) — É citado por Friboi como seu golden boy. Deve ser um dos mais bem votados.
5 —Paulo do Valle (PMDB) — É o principal nome do empresário no Sudoeste goiano.
Para deputado estadual
1 — Leonardo Veloso (PRTB) — O líder político do Sudoeste é uma das apostas do grupo de Friboi.
2 — Gilsão Meu Povo — É um vereador muito popular em Aparecida de Goiânia.
3 — Ernesto Roller (PMDB) — O único problema, detectado por Friboi, é que o ex-deputado está muito entusiasmado com Iris, o que desagrada o empresário.
4 — Cairo Salim — O candidato tem o apoio do empresário e da Igreja Videira.
5 — Charles Bento — O vereador um dos principais aliados de Friboi em Goiânia.
6 – Nélio Freitas — Tem atuação forte em Luziânia e Orizona.
7 — José Henrique — É o nome de Friboi em Rio Verde. O ex-vereador é um político conceituado.
8 — Waguinho Siqueira — É uma das apostas do empresário em Goiânia. O deputado fazia parte do grupo de Iris Rezende e mudou de mala e cuia para o grupo de Friboi.
9 — José Essado — O ex-prefeito de Inhumas se tornou um dos avalistas de Friboi no PMDB.
O marqueteiro Paulo de Tarso, com o apoio de Carlos Maranhão, vai formular a campanha da chapa majoritária da base governista. Quer dizer, vai produzir a campanha do governador Marconi Perillo (PSDB), de seu vice José Eliton (PP) e do candidato a senador, Vilmar Rocha (PSD).
O vice terá, porém, seu próprio marqueteiro. Será Ademir Lima, conhecido como o Mago. Trata-se de um marqueteiro com experiências em várias campanhas políticas.
O marqueteiro e político Jorcelino Braga (PRP) deve produzir duas campanhas políticas este ano: a de Vanderlan Cardoso, seu aliado, e a de Iris Rezende.
Uma filha de Iris Rezende, Ana Paula, tem conversado com frequência com Jorcelino Braga a respeito de como será produzida a campanha. O aliado de Vanderlan não será o marqueteiro de Iris, e sim atuará, se atuar, como produtor. A Kanal Vídeo, empresa do presidente do PRP, tão-somente produzirá a campanha de vídeo do peemedebista.
O vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano (PMDB), disse ao Jornal Opção que os evangélicos representam hoje de 22% a 25% do eleitorado de Goiás. “Somente os evangélicos das igrejas Assembleias de Deus, em todo o Estado, representam 10% do eleitorado. Ou seja, aproximadamente, são 400 mil eleitores. Se a maioria decidir votar num candidato a governador, o eleitorado evangélico pode desequilibrar qualquer pleito.”
“A indicação de Luiz Carlos do Carmo como suplente de Ronaldo Caiado, além da defesa da família que o deputado federal tem feito, fortalece, e muito, a chapa majoritária de Iris Rezende (governador), Armando Vergílio (vice-governador) e Ronaldo Caiado (senador)”, diz Agenor Mariano.
Na OAB é assim: o vice não assume, em caso de renúncia do presidente. Na verdade, Os integrantes do Conselho Seccional se reúnem e elegem o sucessor para o mandato-tampão. A escolha se dá, de modo indireto, entre os conselheiros. Os nomes mais cotados são: Sebastião Macalé (é o candidato natural), Júlio Machado, Júlio César Meirelles, Flávio Borges, Pedro Paulo Medeiros
Se deixar a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás, para ocupar um cargo no governo Marconi Perillo em 2015 — claro que se o tucano for reeleito —, Henrique Tibúrcio (PSDB) passa a ser cotado para disputar a Prefeitura de Goiânia, ou então para ser vice de Jayme Rincon (PSDB).
O único problema é que, em 2016, a chapa não deverá ser pura e Rincon e Tibúrcio pertencem ao mesmo partido, o PSDB. É provável que o deputado federal Sandes Júnior, do PP, será indicado para a vice.
O fato é que o governador Marconi Perillo está preparando Tibúrcio para voos políticos bem altos.
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Marconi Perillo e Júnior Friboi: os dois podem ser aliados no primeiro turno ou, pelo menos, no segundo turno[/caption]
Marqueteiros, pesquisadores, pesquisadores e cientistas políticos não dizem que será barbada, mas concordam que há uma tendência de o governador Marconi Perillo (PSDB), candidato à reeleição, ser o líder no primeiro turno. A disputa pela segunda vaga ficaria entre Iris Rezende (PMDB), Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT). Com a tendência, dada a polarização histórica, de Iris ser o segundo colocado e, portanto, ser o nome para disputar o turno seguinte com o tucano-chefe.
Os mesmos especialistas avaliam que o segundo turno vai ser duríssimo para quaisquer candidatos que chegarem lá — Marconi, Iris, Vanderlan ou Gomide. No segundo turno há a tendência de uma candidatura encorpar-se mais do que a outra. É fato que, em 2010, as oposições se uniram, com Vanderlan Cardoso, Antônio Gomide e Iris Rezende — o candidato que disputou com Marconi —, mas nada adiantou. O tucano foi eleito, com uma votação apertada. Mas, como no futebol, 1 a 0 é o mesmo que 10 a 0. O que importa mesmo é ganhar, ser eleito. O resto são firulas acadêmicos ou filigranas úteis para jornalista escrever artigos especulativos.
O segundo turno tende a ser duro para Marconi se for formatada uma aliança que inclua Iris, Vanderlan e Gomide. Mas uma defecção está configurada de antemão. Se Iris for para o segundo turno contra Marconi, o empresário Júnior Friboi tende a pôr sua máquina eleitoral e financeira à disposição do tucano. Porque o objetivo do empresário, que se considera traído, é mais derrotar Iris, para assumir uma espécie de espólio do PMDB — com vistas à disputa de 2018 (quando Iris terá 85 anos e, certamente, não disputará mais eleições) —, do que derrotar Marconi.
Há um porém relevante. No segundo turno, ao contrário de no primeiro turno, o quadro nacional vai pesar em Goiás. A tendência é que o candidato do PSDB, Aécio Neves, dispute o segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e é praticamente certo que o senador mineiro terá o apoio do candidato a presidente do PSB, Eduardo Campos. Sendo assim, talvez seja possível que Campos “puxe” Vanderlan para uma composição com Marconi Perillo, com o objetivo de enfraquecer o PT e o PMDB tanto local quanto nacionalmente.
Portanto, não é provável que Marconi fique isolado, com sua aliança tradicional — com PSDB, PSD, PP, PTB, PR, os partidos mais sólidos de sua base política —, contra uma mega-aliança em torno de Iris Rezende. No caso de segundo turno entre Vanderlan e Marconi — Iris e Ronaldo Caiado ficam com o primeiro. Se o segundo turno for entre Marconi e Gomide, Iris tende a ficar com o petista, mas Vanderlan pode ficar com o tucano.
Num ponto todos concordam: o que importa mesmo, tanto no primeiro quanto no segundo turno, é o candidato — e não necessariamente suas alianças. Porque o eleitorado, cada vez mais independente, escolhe para governar não aquele político indicado pelos líderes, e sim aquele que avalia como mais capaz de governar e modernizar o Estado. Acrescente-se que, no segundo turno, as estruturas políticas e financeiras pesam menos.

