Bastidores
O competente jornalista Henrique Morgantini, um dos mais cerebrais e perspicazes auxiliares do petista Antônio Gomide na campanha para governador, admitiu, num programa de rádio, que nem que vaca tussa em grego arcaico Iris Rezende terá condições de derrotar Marconi Perillo. Morgantini é anti-Marconi, mas é um analista racional e, às vezes, preciso. Além de ter um humor ferino e fino, como se fosse um britânico.
Um peemedebista tem uma teoria curiosa sobre Iris Rezende: “O nosso líder maior passa a impressão de que é incapaz de ouvir as pessoas. Seus ouvidos parecem tapados e ele só faz aquilo que quer. Pode ser um motivo de suas três derrotas eleitorais”.
Paulo Faria, marqueteiro, psicólogo e ator, e Pedro Novaes, geógrafo, conseguiram um feito: Iris Rezende perdeu, ao menos parcialmente, aquela cara de Urtigão do Cerrado e está com o rosto mais ameno e menos carrancudo. Mas a pancadaria excessiva, sem fatos comprovados, continua. Neste sentido, Iris, com o apoio de Jorcelino Braga — os dois disputam qual odeia mais o governador Marconi Perillo (um psicanalista diria que isto é amor, e até profundo) —, não ouve os marqueteiros que cobram moderação e uma campanha propositiva.
A tese de Iris Rezende é que, como a vaca já foi para o brejo, vai aproveitar para atacar o governador Marconi, gratuitamente, única e exclusivamente para provocá-lo e irritá-lo. Fica-se com a impressão de que o peemedebista-chefe está brincando de fazer política. Iris Rezende e Jorcelino Braga querem morrer abraçados, como em 2010. É o velho e indesejável abraço dos afogados.
Perguntinha solerte: o político que roubou 5 milhões de reais da Caixego era do PMDB ou de outro partido? Um livro que está sendo escrito por um jornalista vai contar toda a história da Caixego, dando nomes aos bois, sem dó nem piedade. Um peemedebista-sênior vai dizer: “A Justiça absolveu o acusado”. Vale acrescentar que às vezes culpados são inocentados — desde que se tenham bons advogados.
Na semana passada, Adriana Accorsi disse, a duas pessoas, que não renega o apoio do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, mas atribui a sua votação excepcional, mais de 40 mil votos, ao seu trabalho como delegada da Polícia Civil. Adriana Accorsi, do PT, já está sendo chamada de “a delegada Waldir de saia”. Ela não se importa com isso, mas prefere ser chamada de “a Brigitte Bardot da política goiana”. A deputada estadual eleita pretende disputar a Prefeitura de Goiânia — se contar com apoio amplo. Ela gostaria, por exemplo, ter um vice do PMDB.
A questão da segurança pública preocupa tantos os goianos que três delegados da Polícia Civil — Waldir Soares (federal), João Campos (federal) e Adriana Accorsi (estadual) — e um policial militar, o Major Araújo (estadual), foram eleitos para deputado.
A Polícia Militar lançou candidatos em excesso para deputado estadual e todos foram derrotados, exceto um, o Major Araújo, apontado como um dos parlamentares mais combativos por seus próprios pares. Falem mal ou bem do Major Araújo, mas ele é atuante e posicionado. Os militares gostam disso.
Não há a menor dúvida de que Manoel de Oliveira usou o assassinato de seu filho, Valério Luiz, para ser o candidato a deputado estadual mais bem votado desta eleição. Porém, Manoel de Oliveira não pode esquecer que, noutro pleito, recebeu uma votação monstro, mas, com uma atuação apagada e folclórica na Assembleia Legislativa, foi derrotado na eleição seguinte, recebendo uma votação pífia. A morte brutal de Valério Luiz merece a condenação de todos e os mandantes e executantes devem pegar as penas mais altas possíveis.
Prova de que o deputado federal Vilmar Rocha é um político diferenciado, moderno e nada rancoroso: o presidente do PSD perdeu a eleição para senador, depois de obter uma votação consagradora, mais de 1 milhão de votos, mas não anda lamentoso pelos cantos culpando os eleitores e os aliados. Nada disso. Vilmar Rocha é adepto da tese de bola para frente e afirma que só tem a agradecer aos eleitores e aos aliados. As pesquisas apontavam o parlamentar com menos de 20% das intenções de voto, mas, ao final, obteve quase 40%. É provável que, como mais dez dias de campanha, tivesse derrotado Ronaldo Caiado. Político moderno, democrático, Vilmar Rocha não tinha rejeição alta. Seu problema, até o final da eleição, é que não era muito conhecido do eleitorado. Este não chegou a avaliá-lo com precisão. Na medida em que eram acessados ou tocados pelas ideias de Vilmar, e pelo seu comportamento de democrata, os eleitores começavam a avaliá-lo positivamente. Na campanha, muitos sugeriram que o líder do PSD abaixasse o nível, mas ele disse “não” todas as vezes em que era instigado. Vilmar, civilizado e refinado, não aceita campanha afeita aos mais baixos instintos. Como qualquer político, ele queria e quer eleito, mas não a qualquer custo. Este é o verdadeiro e admirável Vilmar — um político de bem e do bem. Daqui a quatro anos, mais conhecido, Vilmar Rocha pode ser candidato a senador novamente.
Candidato a governador de Goiás, o peemedebista-chefe Iris Rezende faz o impossível para descolar sua imagem da do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, que é mal avaliado pela população. Iris Rezende evita até mesmo mencionar o nome de Paulo Garcia, para que os eleitores não identifique os dois como aliados e, nas visitas aos bairros, sempre faz questão de “esquecer” o petista. O peemedebista também faz questão de insinuar que Paulo Garcia não é um gestor eficiente. Iris Rezende garante que deixou 200 milhões de reais no caixa e o petista-chefe assegura que a prefeitura tem uma dívida de quase 400 milhões de reais. Quem está falando a verdade?
O prefeito de Anápolis, João Gomes, é empresário e um político atento. Ele sabe, como todos sabem, que o município não tolera Iris Rezende e o PMDB. Tanto que o partido morreu na cidade. Como quer ser candidato à reeleição em 2016, João Gomes disse que está apoiando a presidente Dilma Rousseff, mas não declarou voto em Iris Rezende. Na verdade, amigo pessoal o governador Marconi Perillo, seu voto pessoal vai para o tucano-chefe. Porém, devido a ser filiado ao PT, não vai fazer campanha direta para Marconi. João Gomes sabe que, se apoiar Iris Rezende para governador, pode encomendar caixão e vela preta como postulante à reeleição. O prefeito mostra que sua inteligência política é refinada e, sobretudo, demonstra personalidade para enfrentar setores do PT que, na prática, se tornaram servos do irismo.
O prefeito Paulo Garcia insiste que Iris Rezende (PMDB) vai ser eleito prefeito e que a presidente Dilma Rousseff vai ser reeleita. O petista garante que 2015 será o ano da “virada”. Com dinheiro em caixa, e apoio do governo federal, sobretudo se Dilma Rousseff for reeleita, garante que vai terminar as obras e construir outras, além de organizar o transporte coletivo da capital. Não se pode dizer que o prefeito Paulo Garcia é mal intencionado e corrupto. Não é. O que falta mesmo é um ajuste mais forte na máquina administrativa e coragem para afastar auxiliares que, mesmo improdutivos, passam o dia mentindo para o prefeito e dizendo que as coisas estão ótimas e que a culpada pela crise da prefeitura é imprensa.
O petista Gugu Nader, de Itumbiara, vai apoiar o governador Marconi Perillo no segundo turno. Modernidade. Gugu cansou de perder eleições e agora quer ficar mais próximo do governador goiano.
O presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, pode assumir chefia da Sudeco, em caso de vitória tanto de Aécio Neves quanto de Dilma Rousseff. O PHS, com cinco deputados federais, passa a ter força no Congresso Nacional.

