Bastidores
Ao permanecer neutro no segundo turno, Vanderlan Cardoso provou que não recebe ordens nem de Jorcelino Braga, um de seus principais conselheiros, nem do deputado Ronaldo Caiado. É mesmo independente. É o recado que quer passar para o eleitorado. Não aceita cabresto dos líderes regionais. Vanderlan Cardoso provou que não é um político teleguiado e, ao mesmo tempo, é democrata, pois liberou seus aliados para apoiarem quem eles quiserem. 99,9% dos aliados do ex-prefeito de Senador Canedo já estão na campanha de Marconi Perillo. Um vanderlanista avalia que, quanto mais fraco Iris Rezende sair desta eleição, melhor para Vanderlan Cardoso, que planeja disputar a Prefeitura de Goiânia.
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Sandes Júnior, suplente a deputado federal | Foto: Divulgação[/caption]
O governador Marconi Perillo disse, com todas as letras, que o deputado federal Sandes Júnior (PP), que ficou como primeiro suplente na eleição deste ano, não vai ficar um minuto fora da Câmara dos Deputados. Claro que se ele for reeleito para o governo.
O tucano-chefe tem afirmado que, além de leal, Sandes Júnior é um dos políticos mais municipalistas de Goiás.
Na semana passada, Iris Rezende confidenciou um aliado, amigo do peito, que, se for derrotado para o governo de Goiás, deverá ser candidato a prefeito de Goiânia. Por dois motivos. Primeiro, avalia que, se não tiver mandato em 2016, vai perder o controle do PMDB para Júnior Friboi. Segundo, acredita que, se não disputar, o PSDB do governador ganha a Prefeitura de Goiânia e as oposições vão chegar mais enfraquecidas no pleito de 2018. O argumento de Iris está prontinho para 2016: “As bases me convocaram e eu não tenho como não disputar”.
Dois deputados federais devem ser convocados para secretarias importantes do governo de Marconi Perillo, se este for reeleito. Um deles pode ser Marcos Abrão, cotado, ao lado de José Paulo Loureiro, o golden boy do marconismo, para a Secretaria da Fazenda ou para a Secretaria de Planejamento. A ressalva é que o PPS nacional conta com o deputado goiano para se fortalecer em Brasília. Alexandre Baldy (PSDB), embora queira passar pela experiência do Parlamento, pode ser convocado para uma secretaria com o objetivo de alavancar sua candidatura a prefeito de Anápolis. Há, porém, uma vantagem: os recursos do Orçamento da União podem ser liberados pelos titulares do cargo. No período de votar as emendas eles assumem e, depois, saem de novo.
Ao ser eleito com mais de 30 mil votos, Adib Elias provou que não está morto politicamente e que será um adversário temerário para o prefeito de Catalão, Jardel Sebba, na eleição de 2016. O problema-chave de Adib Elias é que é previsível e, assim, fácil de combater. Ele não é uma toupeira, mas às vezes age como se fosse. Seu estilo “trator” está superado.
José Taveira é cada vez mais citado como o nome forte para a Secretaria de Saúde. O nome de Leonardo Vilela, também mencionado para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, figura na lista dos cotados para a complicada secretaria. Acreditava-se que sem Simão Cirineu, o Cirinão, o Estado não conseguiria manter as contas ajustadas. José Taveira assumiu a Secretaria da Fazenda e não apenas manteve as contas em dia, como conseguiu organizá-las ainda mais. Não é à toa que ele é chamado, no governo, de “o Midas que deu certo”. O único que nunca esqueceu Cirinão é o próprio Cirinão. Taveira, por final, aprecia sua competência e descortino.
O deputado federal Thiago Peixoto teve uma votação menor do que a esperada. Por dois motivos. Primeiro, professores ligados ao Sintego produziram e divulgaram panfletos anônimos depreciando o líder do PSD, o que o prejudicou em todo o Estado. Segundo, Thiago Peixoto teria desacelerado a campanha, para economizar, antes da hora. Perdeu apoio para outros candidatos endinheirados.
O PT não se empenhou na campanha de Karlos Cabral e perdeu um de seus mais eficientes e qualificados deputados estaduais. Com a derrota, ficou muito difícil para Karlos Cabral articular uma estrutura para disputar a Prefeitura de Rio Verde em 2016.
Com as vitórias de Heuler Cruvinel para deputado federal e de Lissauer Vieira para deputado federal, o PSD de Rio Verde ficou muito forte. Será difícil, muito difícil, derrotar o candidato à sucessão do prefeito Juraci Martins, em 2016. Heuler Cruvinel — ou Lissauer Vieira —, com sua vitória maiúscula, credencia-se, desde já, como fortíssimo candidato a prefeito de Rio Verde na próxima eleição. O único concorrente do deputado federal é mesmo Lissauer Vieira. Mas ele devem trabalhar juntos.
Olavo Noleto (PT) perdeu sobretudo porque foi traído por vários prefeitos. Eles disseram que apoiariam o petista, mas, na surdina, trabalharam para outros candidatos, sobretudo para os endinheirados. Fica uma lição para Olavo Noleto: é preciso construir bases eleitorais próprias no interior e bem mais cedo. Um assessor diz que Olavo Noleto está “decepcionado” — teve pouco mais de 30 mil votos —, mas não magoado. “Olavo é de bem com a vida”, sublinha.
O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), não quer bancar a candidatura de Sandro Mabel para sucedê-lo. Seu candidato é mesmo o secretário Euler Morais (PMDB), seu braço direito. Porém, se o PT bancar Olavo Noleto, um político pelo qual Maguito tem o maior apreço, é provável que o prefeito banque Euler Morais para seu vice. Aí, em Goiânia, o PT lançaria o vice do candidato do PMDB a prefeito.
O vice-prefeito de Aparecida de Goiânia, Ozair José, saiu da eleição deste ano menor do que entrou. Ele estava crente que seria eleito deputado estadual e obteve uma votação pífia. Assim, dificilmente será candidato a prefeito em 2016. Até porque o prefeito Maguito Vilela, que aposta em Euler Morais, não vai bancá-lo. Isto é definitivo. Vigora a tese que apoiar Ozair é o mesmo que bancar os políticos que são rejeitados pelos eleitores, como Ademir Menezes e José Macedo. O PT também não tem qualquer simpatia pela candidatura de Ozair, por considerar que o político “está” no PT, mas “não é” do PT.
Com quase 60 mil votos, o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira (PT) é um candidato derrotado, mas não deve ser considerado um político derrotado. Ele fez uma bela campanha, gastando muito pouco e com cabos eleitorais não remunerados. Disputando mandato legislativo pela primeira vez, e filiado a um partido que lhe abriu poucos espaços, por considerá-lo cristão novo e não integrado a alguma tendência, Edward Madureira obteve uma votação espetacular. Se estiver atenta, a cúpula do PT deveria prepará-lo para disputar a Prefeitura de Goiânia, em 2016, porque ele tem imagem de gestor eficiente. Na próxima eleição, o eleitor goianiense certamente vai apostar naquele candidato que é considerado como gestor qualificado. É o caso do ex-reitor. Nem todos sabem, mas administrar uma universidade como a UFG é o mesmo que administrar uma prefeitura de médio porte.
Se a presidente Dilma Rousseff for reeleita, não será nenhuma surpresa se Edward Madureira for convocado para um ministério, possivelmente o da Educação. Porém, se o deputado federal Rubens Otoni assumir um importante cargo no governo federal — se a petista-chefe for reeleita —, o professor assume o mandato na Câmara dos Deputados. Antônio Gomide também é cotado para ocupar cargo importante em Brasília.
Conhecido como Leão do Norte, o ex-prefeito de Porangatu Júlio da Retífica é o político mais importante da região. Candidato a deputado estadual, obteve quase 28 mil votos, mas não conseguiu se eleger, devido ao quociente eleitoral. Por representar uma região que não tem muitos eleitores, Júlio da Retífica, se não sair do PSDB e se filiar num partido menor, será, em todas as disputas, o eterno suplente.

