Artigo de Opinião

Encontramos 402 resultados
WhatsApp Image 2026-02-19 at 15.09.49
A qualidade da saúde começa na gestão

Vejo diariamente instituições com profissionais altamente capacitados que, ainda assim, enfrentam dificuldades causadas por falhas de planejamento

1770409420-1769634820-whatsapp-image-2025-12-15-at-13-38-31
Religião
Compêndio da Bíblia – 8. Rute

A narrativa começa em Belém de Judá, de onde parte uma família composta por Elimeleque, Noemi e seus filhos, Malom e Quiliom, em razão de uma severa fome

Opinião
Economia, Lazer e infraestrutura: Goiânia entre o desafio da expansão urbana e a Inércia Institucional

Guilherme Carvalho é professor da Faculdade de Ciências Sociais (UFG) e Diretor Executivo da Métrica Consultoria.

academicos-de-niteroi-lula-12-848x477
Silvio Santos, Chacrinha, Carmen Miranda e os atletas da Ucrânia

Articulista compara veto a gesto de atleta ucraniano nas Olimpíadas com desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula e discute limites entre arte e propaganda

cara de pau máscara 1301 por 867
O carnaval, a política do Brasil e a república do cara de pau

Djalba Lima

O cara de pau é um personagem antigo. Mais antigo que a República, mais longevo que qualquer Constituição. Ele atravessa regimes como quem atravessa a rua fora da faixa com a convicção de que a buzina alheia é exagero, e a lei, um detalhe.

No Brasil, o cara de pau não se esconde. Ao contrário, desfila.

O termo, como se sabe, nasceu da ideia da máscara – aquela face de madeira usada em rituais antigos para permitir o que, fora do rito, seria inaceitável. A máscara suspendia a vergonha, libertava o gesto, anistiava o excesso. No Carnaval, essa suspensão virou regra: durante alguns dias, tudo podia. O problema começou quando alguns decidiram não tirar mais a máscara na Quarta-feira de Cinzas.

Desde então, o país convive com uma fauna peculiar de personagens que agem como se a vida pública fosse um eterno bloco de rua.

Há, por exemplo, o Banqueiro Fantasma. Não aquele que aparece no noticiário sobre economia, ou que até aparece ensinando as pessoas a serem bem-sucedidas, mas que, de repente, passa a frequentar outras páginas – as de assuntos policiais ou judiciários. Antes, ele falava a língua da modernidade, da inovação e da eficiência. Mas seu rastro é feito de dívidas, ruínas silenciosas e vítimas invisíveis – sobretudo aquelas que confiaram economias de uma vida inteira à sua retórica elegante. Quando confrontado, não se explica: sorri. O sorriso é parte da máscara. Madeira bem polida.

Existe também o Magistrado do Espelho Fosco. Figura solene, vestida de neutralidade, capa preta, adepta do discurso da técnica e da institucionalidade. Seu problema não é o erro – é a convivência promíscua com aquilo a que deveria manter distância. Ele não vê conflito; vê coincidência. Não enxerga promiscuidade; chama de acaso. E, quando o reflexo ameaça ficar nítido demais, afasta-se do espelho dizendo tratar-se de zelo republicano. O gesto é correto. O contexto, constrangedor. Mas constrangimento, para o cara de pau, é artigo em falta.

E há ainda o Herdeiro do Estado, talvez o mais curioso dos espécimes. Ele discursa contra a dependência do poder público, exalta o mérito individual, critica o peso da máquina estatal. Faz isso, curiosamente, de dentro da própria máquina, sustentado por ela, cercado por parentes que também vivem – todos – do mesmo cofre que juram querer fechar. É o liberalismo financiado a contracheque. Um samba-enredo em que o refrão diz “menos Estado”, enquanto o carro alegórico passa inteiro pago pelo Estado.

Nenhum deles se percebe como caricatura. Esse é o ponto central. O cara de pau não se vê como vilão. Ele se vê como esperto. A ética, para ele, é um acessório opcional; a coerência, um luxo dispensável. Seu talento maior é transformar contradição em normalidade – e normalidade em virtude.

Por isso, talvez, o Brasil tenha produzido uma de suas mais sinceras análises políticas em forma de marchinha:

“Me dá um dinheiro aí.”¹ – Marchinha composta por Homero, Glauco e Ivan Ferreira.

Não há metáfora mais honesta. Não há programa mais explícito. O cara de pau não pede desculpas, pede verba. Não se justifica, solicita transferência de dinheiro. Não cora: cobra.

E o faz com naturalidade desconcertante, como quem acredita – talvez com razão – que o público já se acostumou. A repetição anestesia. O absurdo, quando diário, vira paisagem. A máscara cola no rosto. “Todos os políticos são assim”, dizem com naturalidade desconcertante aqueles que juram defender uma mudança apocalíptica dos costumes, mas não de seus ídolos.

Toda época estranha gera seus mitos. A nossa parece ter optado por um só: o da desfaçatez como método. Não se trata mais de desvio ocasional, mas de estilo. Não é exceção: é performance.

O problema não é que existam caras de pau. Eles sempre existiram. O verdadeiro sinal de anomalia histórica é quando eles deixam de causar espanto – e passam a causar tédio. Ou normalidade.

Quando isso acontece, o Carnaval não termina. Ele apenas muda de endereço: sai da avenida e entra nas instituições.

E a máscara de madeira, enfim, vira rosto – o rosto medonho da mentira.

Djalba Lima, jornalista, é editor de Relatos – A Estação da História. É colaborador do Jornal Opção.

Nota: ouça a música

¹ Ouça a música “Me dá um dinheiro aí” (https://www.youtube.com/watch?v=dPtz9WL6XNs).

torcida-4
Artigo de opinão
O mundo nos chama de latinos. Nós ainda não sabemos o que fazer com isso

Segundo pesquisa do projeto O Brasil, as Américas e o Mundo, apenas 4% dos brasileiros se reconhecem como latino-americanos. O dado contrasta com o novo protagonismo cultural da América Latina e revela um descompasso entre identidade interna e projeção global

Sem direito ao luto
Até o luto lhe foi tirado: quando uma mãe precisa fugir do enterro dos próprios filhos

O caso de Itumbiara reforçou o sistema patriarcal que vivemos, onde a dor feminina precisa se explicar e a violência não termina no disparo

Jeffrey-Epstein
Jessé Souza, Epstein e o antissemitismo

A divulgação dos arquivos Epstein reacende teorias conspiratórias, alimenta discursos antissemitas e provoca repercussões políticas e midiáticas no Brasil e na Europa.

secretario-da-prefeitura-de-itumbiara
Quando a culpa é sempre dela: a engrenagem moral que protege agressores

A cultura que desloca a responsabilidade do agressor para a mulher revela como o machismo estrutural ainda molda o debate público diante de tragédias familiares

WhatsApp Image 2026-02-12 at 12.36.17
Celebração
Assembleia de Deus Ministério Vila Nova celebra 65 anos de fundação em Goiânia

O ministério é oriundo da Assembleia de Deus da Rua 55, no Centro da capital, considerada a primeira do Estado de Goiás

jornais-empilhados-768x512
Se a mídia odeia fake news, por que publica horóscopo?

Diários que têm serviço de checagem de informação conservam a estupidez de iludir os crédulos com parvoíces

Lula da Silva e Ursula von der Leyen Foto de Ricardo Stuckert Presidência
O que Goiás ganha com o acordo Mercosul-União Europeia

A médio prazo, a previsão é que mais de 90% do comércio entre os dois blocos sofram redução ou eliminação gradual de tarifas, beneficiando o agronegócio e setores industriais de maior valor agregado

Opinião
Caso Banco Master: Tarantino na Praça dos Três Poderes

A opinião pública, indignada, mas ainda perplexa com os acontecimentos em Brasília, e com as informações trazidas à lume pela imprensa livre, exige apuração profunda

John Kennedy e seu filho na Casa Branca 1
Bloqueio a Cuba: a herança da Guerra Fria que persiste 64 anos depois

A história de Cuba revela algo maior: sanções prolongadas raramente produzem democracia; com frequência produzem escassez, endurecimento interno e narrativas de resistência

whatsapp-image-2025-12-21-at-15-35-23
Desenvolvimento
Goiás: a força que se consolida fora do eixo do Sudeste

Localizado no coração do país, Goiás deixou de ser apenas um corredor logístico para se tornar protagonista