A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Goiânia aprovou, nesta quarta-feira, 20, o projeto do vereador Lucas Kitão (Mobiliza) que institui o Memorial e Museu Césio-137 na Capital. A matéria, de caráter autorizativo, foi proposta em outubro de 2025, mas só foi aprovada na primeira comissão oito meses depois.

Com a aprovação, a proposta segue para votação em primeiro turno e, se aprovada, será encaminhada às comissões temáticas. Depois, passará por votação definitiva antes de seguir para sanção do prefeito.

O projeto tem como foco a preservação da memória histórica e cultural do que é considerado o maior acidente radiológico do mundo, ocorrido em setembro de 1987. Na ocasião, quatro pessoas morreram em decorrência da contaminação radioativa: Leide das Neves Ferreira, de 6 anos; Maria Gabriela Ferreira, de 37; Israel Batista dos Santos, de 22; e Admilson Alves de Souza, de 18 anos.

Para o autor do projeto, a aprovação representa um avanço no processo de conscientização e preservação da memória histórica sobre o acidente radiológico.

Segundo o vereador, a proposta surgiu após visitar o local em 2025 e encontrar o antigo loteamento das vítimas em estado de abandono. “Passei por ali ano passado e vi o terreno todo sujo e pensei: ‘Nossa, isso aqui precisava ter um memorial.’ Precisamos conscientizar as pessoas porque o acidente faz parte da história da cidade”, afirmou em entrevista ao Jornal Opção.

O parlamentar atribui a demora na criação de um espaço destinado à memória das vítimas a uma diferença geracional. Segundo ele, gerações anteriores evitavam tratar do tema, enquanto a atual busca enfrentar o assunto como forma de conscientização e de valorização da superação do povo goiano e do trabalho de quem atuou na linha de frente.

Ao contrário de um projeto com local definido e prazo de execução estabelecido, a proposta apresentada pelo vereador tem caráter autorizativo, permitindo ao Executivo implementar o memorial em local a ser definido.

O Memorial deve contar com área de exposição permanente com acervo histórico, documental e audiovisual, além de um espaço de homenagem com os nomes das vítimas, nos moldes de memoriais internacionais de desastres. O projeto também prevê áreas de convivência, auditório, centro de pesquisa e documentação, além de atividades em parceria com museus, universidades e organizações científicas nacionais e internacionais.

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