O ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio Monteiro foi convocado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para fazer parte do grupo da Defesa na transição. Auxiliares do petista afirmam que o ex-integrante da corte de contas é cogitado para comandar o ministério ao qual estão subordinadas as Forças Armadas. As informações foram divulgadas pela GloboNews nesta segunda-feira, 28.

Além dele, militares ligados a Lula também farão parte da transição. O ex-comandante da Aeronáutica Junito Saito, o ex-comandante do Exército Enzo Peri e o general G. Dias.

Lula espera que o grupo da transição faça uma ponte com os militares da ativa para estabelecer um diálogo com as Forças Armadas e criar um ambiente de cooperação com o futuro governo.

A equipe da transição também vem conversando com o ex-ministro da Defesa de Bolsonaro Fernando Azevedo e Silva e o ex-comandante do atual governo Edson Pujol. Os dois foram demitidos por Bolsonaro por não concordarem com o uso político das Forças Armadas.

Conciliador

Amigo de Lula, Múcio integrou o TCU entre 2009 e 2020. Foi indicado para o tribunal pelo petista, então em seu segundo mandato. Na ocasião, o ex-ministro era um dos auxiliares do petista no Palácio do Planalto, no comando da Secretaria de Relações Institucionais.

Além da confiança de Lula, Múcio tem boa interlocução com partidos -foi deputado por mais de vinte anos- e setores da máquina administrativa. Presidiu o TCU entre 2019 e 2020, primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro (PL), e se aposentou antes do prazo compulsório, de 75 anos. Ele tinha 72 anos na ocasião.

Em dezembro de 2020, durante o 4º Fórum Nacional de Controle, evento que ocorreu via internet e contou com a participação do chefe do Executivo, Bolsonaro afirmou que Múcio, a que se referiu como amigo, tem comportamento conciliador e que busca consensos.

“Eu sou apaixonado por você, José Múcio. Gosto muito de Vossa Excelência”, disse o presidente, que lamentou a aposentadoria precoce do então ministro, e afirmou que o ex-colega de Câmara seria bem-vindo se quisesse trabalhar no governo. Bolsonaro indicou o então ministro da Secretaria Geral da Presidência, Jorge Oliveira, para o lugar de Múcio.