Vitória de Policarpo para presidente da Câmara foi uma grande derrota de Iris Rezende

Nem Ronaldo Caiado, Wilder Morais e Samuel Belchior conseguiram ajudar Iris Rezende a eleger Andrey Azeredo. Ninguém tem condições de ajudá-lo

Fotos: arquivo

No livro “Sobre a China”, Henry Kissinger conta que os chineses, quando perdiam uma guerra, procuravam assimilar os inimigos e, dali a pouco, estavam influenciando-os. Aquilo que inicialmente havia sido uma derrota se tornava, a médio prazo, uma vitória — com o “vitorioso” assimilando sua cultura.

Pois em Goiânia, se o presidente eleito da Câmara Municipal, Romário Policarpo (Pros), não ficar esperto, o prefeito da cidade, Iris Rezende Machado (MDB), vai começar a dizer que foi responsável por sua vitória.

Hábil, o alcaide de 85 anos, tão logo foi anunciada a vitória de Romário Policarpo, pediu para se encontrar com o vereador e sua assessoria encarregou-se de divulgar a imagem do encontro.

Mas o que aconteceu de verdade é que Iris Rezende foi o grande derrotado e a oposição, com Romário Policarpo, foi a grande vitoriosa. O fato novo é que não se trata de uma oposição meramente política, do ponto de vista eleitoral. Na verdade, trata-se de uma oposição ao descalabro da gestão do decano emedebista, quase que inteiramente absenteísta. (Vale informar que José Vitti, presidente da Assembleia Legislativa, é um dos apoiadores de Romário Policarpo.)

Quando percebeu que não iria reeleger Andrey Azeredo (MDB) — que os colegas dizem que “dorme em pé”, de tão acomodado, insosso e incapaz de articular —, Iris Rezende desesperou-se. Pediu para assessores ligarem para Ronaldo Caiado e seus principais aliados, como o senador Wilder Morais (DEM) e o ex-deputado Samuel Belchior (MDB).

Numa reunião, Wilder Morais disse para o vereador Romário Policarpo: “Você não vai ganhar, pois oito de seus aliados já estão conosco”. O jovem vereador, determinado e posicionado, levantou-se e disse: “Se é assim, não entendo porque o sr. me chamou para conversar. Pois está dizendo que não precisa de ninguém”. O senador, em geral um político afável, tentou consertar a gafe, mas era tarde. Aliás, a articulação começara tarde e não havia mais como aumentar a musculatura da candidatura de Andrey Azeredo. Samuel Belchior disparou telefonemas, apelou para o emocional, chegou a falar em cargos tanto na Prefeitura de Goiânia quanto no governo de Ronaldo Caiado, mas os vereadores disseram “não”.

Não se pode atribuir a derrota de Iris Rezende a Ronaldo Caiado, que nem estava no Brasil. O fato é que, no momento, ninguém — nem Deus — tem condições de ajudar o prefeito de Goiânia. O prefeito comete um erro atrás do outro. Na semana passada, distribuiu uma carta, com ameaças explícitas, aos donos de casas e apartamentos (leiam o Editorial do Jornal Opção).

O fato é que Iris Rezende não é mais Iris Rezende. É um simulacro.

Por fim, anote: a derrota na Câmara Municipal supera, em termos políticos, a derrota de Iris Araújo, mulher do prefeito, para deputada federal. Mais: duas derrotas seguidas podem levar a uma terceira derrota, em 2020. Aí, para gáudio dos goianienses, Iris Rezende poderá pedir música no “Fantástico”.

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