Vereadores começam a articular sucessão na Câmara de Goiânia

Maioria dos parlamentares sugere que foi um erro eleger Andrey Azeredo presidente e quer vê-lo fora da mesa diretora

Iris e Andrey Azeredo: a relação dos dois é muito criticada pelos vereadores | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Se há uma coisa de que base, oposição e independentes não discordam na Câmara Municipal de Goiânia é a pífia gestão que vem fazendo o presidente Andrey Azeredo (MDB). Não por acaso, parlamentares já começam a articular sua sucessão.

Ainda embrionárias — afinal, a eleição é só no final do ano –, as conversas têm acontecido com cada vez mais frequência e já há até três “favoritos”. GCM Romário Policarpo (PTC), Welington Peixoto (MDB) e Milton Mercez (PRP) são os mais citados.

Fontes revelaram ao Jornal Opção que o acordo é para que a negociação seja feita entre os diversos grupos que hoje compõem o Legislativo, independente de partidos — leia-se sem a interferência de Iris Rezende (MDB) e companhia. Já foi montada uma frente com pelo menos 12 vereadores fechadíssimos para a disputa.

Uma coisa é certa: Andrey Azeredo nem deve tentar a reeleição. Afilhado político do casal Iris-Iris, o atual presidente teria transformado a Câmara em uma espécie de secretaria extraordinária da prefeitura e, não fosse o trabalho aguerrido da oposição, seria possível até fechar as portas do Legislativo (como bem sonha o prefeito).

No ano passado, ele devolveu surpreendentes R$ 17 milhões em recursos que deveriam ter sido usados para melhorar a tão precária estrutura da Casa. Vereadores, como Jorge Kajuru (PRP), tiveram que instalar wi-fi nos próprios gabinetes porque a internet não funciona. Além disso, uma assessora parlamentar foi vítima de uma tentativa de estupro dentro de um banheiro da Câmara no ano passado tamanha a insegurança no local. Sem contar as tentativas de manobra durante importantes votações, como a do decreto contra o IPTU do “puxadinho”, para beneficiar o Executivo.

Futuro

Milton Mercêz, GCM Romário Policarpo e Welington Peixoto: um deles deve ser o próximo presidente da Câmara | Fotos: Alberto Maia

Justamente pela atual falta de habilidade política, os vereadores tendem a escolher um nome mais articulado para o biênio 2019-2020.

É o caso de Welington Peixoto (MDB), que chegou a ser cotado para a eleição do ano passado, mas abriu mão pelo consenso. Tido como moderado, o emedebista tem bom trânsito com todos os outros parlamentares e não se curva à vontade de Iris e seus asseclas. Teria apoio da base, mas certa dificuldade com os novatos.

GCM Romário Policarpo (PTC), por outro lado, aglutinaria novatos, base e até oposicionistas. Isso porque, mesmo alinhado ao Paço, não se deixa intimidar. Contudo, há quem acredite que seria um presidente “linha dura” e não se envergonharia de tratorar votações.

Prata da casa, Milton Mercez (PRP) acumula experiência, independência e bom trânsito. Calmo, simples e verdadeiro (é o único que assume que representa o empresariado), o veterano passou a ser cogitado como uma forma de pacificar a Casa. Único problema é que seu poder de articulação é bem restrito.

Um repórter do Jornal Opção perguntou a dois vereadores se haveria possibilidade de Anselmo Pereira (PSDB) voltar ao comando da Câmara de Goiânia. A resposta foi um uníssono “não”. “Vamos citá-lo como possível nome, mas na ‘hora h’ o descartamos. É daquele tipo que se não estiver do seu lado, só atrapalha”, disse um deles.

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