Três erros contribuíram pra derrota de Vanderlan Cardoso na disputa pela Prefeitura de Goiânia

O político deixou de ser uma alternativa entre Iris Rezende e Marconi Perillo, aproximou-se de setores do PT e tornou-se aliado da esquerda socialista

Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

Orley José da Silva

Escrevo este artigo com a intenção de expressar minha visão acerca de um aspecto da última eleição em Goiânia. Não militei neste pleito. Fui um eleitor apenas, misturado aos demais e recebendo as mesmas informações, apelos e impressões passadas pelos candidatos. É, portanto, a partir deste olhar de eleitor-observador desapaixonado que faço minhas conjecturas. De boa vontade, espero contribuir para as análises que se fazem sobre as campanhas e os resultados dessa eleição.

Nos dois turnos, votei em Vanderlan Cardoso, do PSB. Foi uma decisão tomada bem antes do registro das candidaturas. Confesso, porém, que durante a campanha fui tentado a mudar de opinião nas duas votações. Não por causa dos outros candidatos, mas por algumas decisões equivocadas da sua campanha. Enumerei apenas três, mas poderia aumentar a lista, incluindo os erros de escolha discursiva, publicidade e marketing.

Apesar das derrotas, as duas últimas eleições para governador deixaram resultados positivos para a imagem política de Vanderlan. O eleitor goiano começou a enxergá-lo como alternativa à polarização entre Iris Rezende, do PMDB, e Marconi Perillo, do PSDB. A marca de político não profissional, empreendedor, arrojado, independente, com vocação para o protagonismo e com desejo de melhorar a qualidade da administração pública, foi imprimida com sucesso no imaginário dos seus eleitores.

Na eleição de Goiânia, especialmente, havia um vácuo (que não foi preenchido) esperando um candidato de confiança com essas qualidades. Haja vista a quantidade de votos nulos, brancos e abstenções nos dois turnos. Mas não foi com esse capital político que Vanderlan se apresentou ao eleitorado. A decisão de se tornar candidato oficial do governo estadual frustrou a expectativa da parte do eleitorado que é insatisfeita com os dois grupos antagônicos e desejoso pelo surgimento de uma terceira via competitiva.

Um acordo político desse tipo traz consigo bônus e ônus eleitorais no presente e no futuro. Não se pode negar os benefícios materiais e estratégicos de uma aliança como essa. Também, não se pode negar os prejuízos de assumir, em plena campanha, justificativas e defesas para o desgaste político e administrativo dos parceiros. Para consumir as energias, bastam os próprios problemas. Mais ainda: abrir mão de um projeto de protagonismo político em troca da imagem pública de um suposto papel subalterno.

Uma segunda falha importante foi a promessa de deixar à política educacional do município, inclusive a escolha do secretário, nas mãos do Sintego e do grupo congênere que atualmente aparelha e administra a Secretaria de Educação. Essa informação negativa circulou amplamente nas redes sociais dos milhares de professores e administrativos municipais em forma de imagens, textos e vídeos gerando revolta e indignação.

Isto porque o desejo predominante na categoria é justamente o contrário, ou seja, que a atual estrutura administrativa e educacional do município seja completamente libertada e desaparelhada do sindicato e do partido político oficiais. Além do mais, ao se esquivar do gerenciamento de uma área tão importante para a sociedade, passou a visão de um candidato a prefeito que não tinha quadros para gerir à educação e nem um projeto para a mesma. Para quem procurava conquistar votos, não foram compromissos coerentes.

Um terceiro equívoco, notado apenas pelo grupo de eleitores conservadores mais atentos, é o fato de um empresário cristão estar filiado a um partido socialista bem à esquerda, que faz parte, inclusive, da restrita família de partidos do Foro de São Paulo. Uma organização política que trama, além do apagamento dos valores da cultura judaica e cristã na sociedade, a sabotagem da democracia brasileira e a implantação de um socialismo radical.

Pois bem. Cabe agora ao Vanderlan voltar a remar. Não tudo de novo, mas a partir de um certo ponto. É possível que os próximos pleitos para o Executivo de Goiânia e de Goiás sofram alterações de nomes porque a política é dinâmica. A vontade do eleitorado também muda com facilidade. Ainda mais com a popularização das redes sociais da internet. Agora, mais do que antes, quem desejar permanecer em evidência na política deve errar o menos possível. E em política continua valendo o velho ditado: não é aconselhável errar o pulo, quando o cavalo passa em posição de montagem. Pode ser que ao voltar, ele esteja ocupado ou fora de alcance.

Orley José da Silva é professor em Goiânia, mestre em letras e linguística (UFG) e mestrando em estudos teológicos (SPRBC).

3 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
3 Comment authors

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Renato

Discordo.se fosse pra olhar partido.ai quem não ia era o Íris.PMDB do Renan e Sarney

Jaime Melo

Meu caro, apesar do descrédito dos partidos políticos no BRASIL, ainda há diretrizes e valores que orientam cerca de vários partidos. PMDB é um desses partidos que sempre possuíram uma posição centro-esquerda.

Edil Araújo

Ridiculo, em pleno 2016 o cara me fala de Foro de São Paulo.