Sociedade deve entender que combate à corrupção deve ser mais amplo que o combate a políticos venais

A corrupção atinge vários setores da economia, reduzindo sua estabilidade. Mas há a corrupção do dia a dia, que inclui não apenas políticos

Greice Guerra Fernandes

Especial para o Jornal Opção

Derivada do latim, a palavra “corruptio”, de “corrumpere”, significa deitar a perder, estragar, destruir, desviar, corromper e adulterar. Baseado neste conceito, a corrupção pode ser traduzida em diversas ações que compreendam desde pequenos atos, como tomar o lugar de outra pessoa na fila, o famoso “fura-fila”, a grandes e escabrosos desvios de recursos públicos em um país, com o objetivo de obter vantagens e benefícios a um grupo que a pratica, ou a um indivíduo isoladamente, em detrimento dos outros.

A simbiose existente entre a política e a economia demonstra que qualquer forma de corrupção exercida nesta relação promove desastrosos impactos econômicos, políticos e sociais em uma nação.

No âmbito econômico, a corrupção acarreta o agravamento da miséria e pobreza, ocasionando baixos índices de crescimento e desenvolvimento social. Além disso, em um cenário de corrupção endêmica, as práticas corruptivas promovem a incerteza e insegurança nos mercados e seus agentes econômicos, tanto nacionais quanto internacionais, causando o encarecimento do crédito financeiro através do aumento das taxas de juros, e muitas vezes a inibição do mesmo por parte do setor financeiro. Dessa forma, tal situação implica na redução dos empregos, renda e investimentos, o que, por consequência, propicia a retração do PIB nacional. Todo esse quadro desfavorável aponta um total desajuste econômico, principalmente no patamar público, uma vez que a corrupção também contribui para o desequilíbrio das contas públicas, favorecendo o “esmagamento” ou até mesmo o desaparecimento do setor produtivo de um país.

Pintura de Igor Morski

Pelo aspecto social, a corrupção é mais perversa ainda, pois a população sofre com as deficiências de serviços básicos tais como: falta de hospitais, profissionais da saúde, escolas, saneamento básico, asfalto, e outros, uma vez que os recursos destinados a essas áreas se “perdem” no meio do caminho — não chegando ao seu destino final.

No cenário político, a corrupção abala a credibilidade e confiança da sociedade e da cadeia produtiva nas instituições, seus representantes políticos, e até mesmo no país, uma vez que são obrigadas a conviver quase que diariamente com escândalos políticos, e com a impunidade.

Por fim, a corrupção proporciona perdas de todos os lados em um país de um modo geral.

Vários e “gigantescos” são os desafios para o combate e extinção total deste mal. A culpa e responsabilidade não podem ser atribuídas somente ao Estado e seus governantes. É necessário que a sociedade contribua com sua parcela, revendo e praticando valores éticos e morais, desenvolvendo paralelamente um senso crítico “aguçado” que a capacite a escolher com mais sabedoria e discernimento quem a represente com maior eficiência e produtividade nas esferas políticas e governamentais.

Greice Guerra Fernandes é economista e analista de mercado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.