Sergio Moro suspeita que assassinato de ex-prefeito baiano tem a ver com a Lava Jato

Roberto do PT denunciou corrupção de 7 milhões de reais, envolvendo a Petrobrás, e apontou que dinheiro ia para o PT

A revista “Veja” que chegou às bancas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília na sexta-feira, 2, traz uma reportagem explosiva, “Morte na Lava Jato: a misteriosa execução de Roberto do PT”. O assassinato ocorreu no dia 17 de janeiro.

José Roberto Soares Vieira, o Roberto do PT, havia sido prefeito de Ourolândia, município do Estado da Bahia. Há dois meses, num depoimento à Política Federal, admitiu que, ao lado de um ex-sócio, havia se envolvido num “esquema que desviou mais de 7 milhões de reais dos cofres da Petrobrás”. O dinheiro, relatou à PF, “era repassado ao PT”.

Roberto do PT, tudo indica que prevendo que poderia acontecer-lhe o que ocorreu com o prefeito de Santo André, Celso Daniel — foi assassinado —, começou a tomar algumas precauções. Vendeu sua casa na região metropolitana de Salvador, passou a evitar atender telefonemas de estranhos e isolou-se. Chegou a arranjar um motorista-segurança. Ele estava se preparando para blindar seu Land Rover Discovery 4. Não deu tempo.

Ele deixou o veículo na loja de blindagem, que faria o orçamento, e alugou um automóvel Gol. Logo depois, foi assassinado na porta de sua empresa. O pistoleiro que o matou acertou nove tiros — o que comprova sua habilidade — e fugiu numa motocicleta.

Roberto do PT era uma testemunha privilegiada, até porque admitiu participação no esquema de corrupção que envolvia a Petrobrás. Por isso, no dia 26 der janeiro, o juiz Sergio Moro, reconhecendo a gravidade do caso, disse: “Não se pode excluir a possibilidade de que o homicídio esteja relacionado a esta ação penal [Operação Lava Jato], já que, na fase de investigação, o referido acusado aparentemente confessou seus crimes e revelou crimes de outros”. “Veja”, interpretando a fala do magistrado, acrescenta: “Moro levantou a suspeita de que esse caso seja a primeira queima de arquivo, ou assassinato por vingança, da Lava Jato. E tudo levar a crer que ele tem razão”.

Em depoimentos prestados pelas testemunhas, o pistoleiro é apontado como um homem de pele morena, que aparentava ter 35 anos de idade, 1,75 metro de estatura e tinha cabelo crespo ralo. Na ocasião do crime, ele usava óculos e trajava uma blusa azul suja de tinta e uma calça jeans surrada. Os investigadores estão cruzando essas informações e o retrato falado com a sua base de dados para identificar o assassino, que continua solto.

Leia sobre o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André, no link:

Celso Daniel foi assassinado porque tentou brecar o caixa 3. Queria deixar só o caixa 2, o do PT

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