Com o resultado das urnas a cada ciclo eleitoral, o Poder Legislativo observa sempre ganhos e perdas com a eleição ou não de novos nomes ou a reeleição ou não da composição corrente de seu plenário. Não dá para negar, inclusive, que a não recondução de certos quadros às vezes se torna um alívio para a imagem da Casa.

Se o Legislativo em todo o País – seja na esfera municipal, estadual ou federal – tem realmente “parlamentares-problemas”, isso vem das contradições da própria democracia, que, como definiu bem o lendário primeiro-ministro britânico Winston Churchill, é o pior regime político, com exceção de todos os outros.

Nesse sentido, Goiás perde bastante com o fato de Elias Vaz (PSB) não ter conseguido chegar a seu segundo mandato na Câmara dos Deputados. Como parlamentar, o pessebista fez um trabalho intensivo de acompanhamento das ações da administração federal e ganhou notoriedade nacional ao denunciar aquisições questionáveis, pelas Forças Armadas, de grande quantidade de medicamentos para disfunção erétil e também próteses penianas.

Na semana passada, mais dois importantes atos do deputado goiano: um requerimento de sua autoria foi aprovado pelo plenário para exigir do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, explicações sobre a atuação (ou a falta dela) da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em atos considerados antidemocráticos. Elias também deu entrada no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma notícia-crime contra o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, por, segundo o deputado, “gerar especulações golpistas” com a divulgação de uma nota da pasta ressaltando que o relatório das Forças Armadas sobre a fiscalização das urnas não teria excluído o risco de fraude eleitoral, um dia após a entrega do documento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Elias Vaz será um deputado federal de mandato único? O tempo dirá. Se assim acontecer, ele poderá levar consigo que, enquanto teve esteve por lá, honrou o voto de seus eleitores com o melhor que poderia fazer na mais nobre das funções de um integrante do Poder Legislativo: defender o interesse público por meio de uma severa e justa fiscalização dos atos do Executivo.