Ronaldo Caiado não vai para o PMDB porque não quer ser o quatro moicano

O senador sabe que o PMDB triturou três outros moicanos: Henrique Meirelles, Júnior Friboi e Vanderlan Cardoso

Henrique Meirelles, Friboi, Vanderlan Cardoso: triturados pelo PMDB. Caiado será o próximo? | Fotos: Agência Brasil, arquivo/ Jornal Opção e Agência Senado

Há uma corrente do PMDB que ainda aposta que o senador Ronaldo Caiado vai se filiar ao partido. Mas aliados do presidente do DEM sugerem que ele não quer se tornar o “quarto e último dos moicanos”.

Político perspicaz, Ronaldo Caiado sabe que pelo menos três políticos tentaram ser candidato a governador pelo PMDB e foram barrados. O PMDB funciona assim: os chegantes não têm espaço para disputar cargos majoritários, que são reservados para aqueles que estão há mais tempo no partido e têm, por assim dizer, uma tradição peemedebista. O executivo Henrique Meirelles filiou-se ao PMDB com a promessa, endossada por Iris Rezende e Maguito Vilela, de que seria candidato a governador. Na hora agá, Iris Rezende puxou-lhe o tapete e, revoltado, ele mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo. Tornou-se um moicano “destronado” antes de ocupar o trono.

Em seguida, o empresário Júnior Friboi filiou-se ao PMDB, com festa e berrante, na Assembleia Legislativa — inclusive com a presença do presidente Michel Temer, na época vice-presidente —, para logo depois descobrir que Iris Rezende havia lhe puxado o tapete. Era mais um moicano que descia a ladeira.

O terceiro moicano foi o empresário Vanderlan Cardoso, que havia sido um excelente prefeito do município de Senador Canedo, nas proximidades de Goiânia. Filiou-se ao PMDB, acreditando que seria candidato a governador, mas descobriu, rapidamente, que havia sido conquistado para ser um eterno soldado. Jamais permitiriam que fosse candidato a governador. O feudo peemedebista era comandado, com mão de ferro, por Iris Rezende. O moicano caiu fora.

Pois Ronaldo Caiado teme exatamente isto: se tornar o quarto, quer dizer, o último dos moicanos. No DEM, faça chuva ou faça sol, ele será candidato a governador. Filiado ao PMDB, cedo descobrirá que, em 2018, terá de subir ao palanque do deputado federal Daniel Vilela, e não como candidato a qualquer coisa, e sim como apoiador, como coronel eleitoral. Hoje, quando o decano Iris Rezende quer de fato bancar um outsider como Ronaldo Caiado, ele não manda mais no PMDB. Quem dirige o partido é o maguitismo, ou seja, Daniel Vilela, seu presidente, e Maguito Vilela, pai do deputado e seu principal apoiador. E o maguitismo tem candidato a governador — exatamente Daniel Vilela, que se postula como símbolo da renovação. Ronaldo Caiado, tendo sido deputado várias vezes e agora senador, e com quase 70 anos, não tem condições de se apresentar como o “novo”. É o que se diz no PMDB.

Há, finalmente, uma diferença entre Ronaldo Caiado e Henrique Meirelles, Júnior Friboi e Vanderlan Cardoso: o senador é muito mais astuto politicamente.

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