Revelação do The Intercept sobre Wilder e Ana Paula pode ser a nova dor de cabeça da dupla bolsonarista?
05 setembro 2026 às 21h00

COMPARTILHAR
O site The Intercept Brasil, famoso por suas profundas e excelentes investigações jornalísticas (quem não se lembra da Vaza Jato? E agora, mais recentemente, a ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro), trouxe na última sexta-feira, 4, um levantamento inédito que revela que 309 políticos de várias siglas protocolaram 4.896 requerimentos na Agência Nacional de Mineração, a ANM, em uma corrida para a exploração do subsolo brasileiro.
O engraçado: o site cunhou até uma denominação apropriada, a “bancada do subsolo”. E dois nomes conhecidos dos goianos têm destaque nesse levantamento: Wilder Morais e Ana Paula Rezende, respectivamente candidato a governador e vice do Estado de Goiás.
De acordo com o The Intercept, Wilder soma 24 requerimentos protocolados na ANM entre 1976 e 2021, tanto como pessoa física quanto jurídica. Na agência, 17 pedidos permanecem ativos.
Já sua vice, Ana Paula, está ligada, ainda conforme a investigação, a um histórico de 296 requerimentos na agência, registrados entre 1975 e 2024. “Todos os pedidos estão vinculados a duas empresas das quais Rezende é sócia: a Edifica Participações Ltda e a Ediminas Mineração Ltda.”, diz o site.
Em tempo: ter requerimentos na ANM não ilegal. Mas o próprio Intercept lembra: “há um possível conflito ético de políticos eleitos transformarem seus interesses comerciais privados em pauta de votação”.
A Ediminas, empresa que tem a filha de Iris Rezende como sócia, mantém 27 requerimentos ativos na ANM, alcançando territórios em Goiás e com o objetivo principal de explorar ouro.
Mas o ponto principal é: Ana Paula omitiu sua participação societária na empresa na declaração de bens enviada à Justiça Eleitoral neste ano.
Questionada pela excelente equipe do The Intercept, a assessoria de Ana, primeiro, negou. Depois disse que a Edifica e os processos estão inativos e que o sistema da agência reguladora estaria desatualizado em relação aos 27 requerimentos ativos da Ediminas.
Mas de novo, a pergunta: por que Ana Paula não declarou a Ediminas à Justiça Eleitoral? A própria reportagem, assinada pelo ótimo repórter Eduardo Goulart, “responde”:
“A assessoria afirmou que não possuía a informação no momento e que precisaria consultar sua equipe jurídica. Até o fechamento desta reportagem, nenhuma justificativa sobre a omissão de bens foi enviada”.
Necessário lembrar: não responder é, automaticamente, uma resposta. (T.P.)


