Real Madri precisa de um Neymar, mas Zidane não aprova o bad boy sul-americano

O Barcelona pode levar o jovem “Neymau”? O time da Catalunha vai precisar de um substituto para Messi, que está envelhecendo

Cilas Gontijo

Neymar é um craque que, dentro de campo, resolve as paradas, com ou sem parças. Trata-se de um quase-gênio. O quase tem a ver com o fato de que, no momento, gênio mesmo só Messi. Porque o craque argentino, astro do Barcelona há anos, tem aquilo que se pode chamar de inteligência emocional sob equilíbrio. Ele joga muito bem e, com sua maneira tranquila de jogar e viver, põe o time da Catalunha no patamar dos melhores times europeus.

Neymar, o bad boy: de volta ao Barcelona? | Foto: Reprodução

Se Neymar é um craque, quiçá um cracaço, por que o galáctico Real Madri desistiu de contratá-lo? Desistiu mesmo? Nunca se sabe, porque o futebol, como dizem os torcedores e os narradores esportivos, é uma caixinha de surpresas. Até de pandora?

O presidente do Real Madri, Florentino Pérez, e o técnico Zidane são admiradores do futebol de Neymar. Leia de novo: do… futebol. A dupla já fez elogios desbragados ao jogador do Paris Saint-Germain e, claro, já demonstrou interesse em contar com seu futebol-arte.

Florentino Pérez postula que os problemas extracampo de Neymar não impedem sua contratação. E não falta ao Real Madri recursos financeiros para contratá-lo. A questão é: em campo, esquecendo a vida de estrela das camas — como o problema recente com a jovem Najila —, o atacante vai resolver os problemas do time, que, desde a saída de Cristiano Ronaldo, não é mais o mesmo? Na Espanha é assim: Real Madri e Barcelona não aceitam o segundo lugar (equivale ao último lugar) — só admitem o primeiro. Pois, sem um craque decisivo, desses que alegram a torcida e estufam as redes dos adversários, o Real Madri passou a ser o primeiro a ser chegar atrasado — sempre atrás do Barça.

Neymar: uma alegria quando chega e uma alegria quando sai? | Foto: Reprodução

O Real Madri precisa de um substituto para Cristiano Ronaldo, ou melhor, de um Messi para combater o Messi do Barcelona. Mais jovem, este jogador pode ser Neymar. Mas Zidane, que tem autonomia, tem uma opinião diferente. O técnico aprecia o futebol do brasileiro, mas reprova suas atitudes fora de campo. Receia que, se contratato, influencie negativamente o elenco do Real fora de campo e não o influencie positivamente dentro de campo.

Neymar, que alguns já chamam de “Neymau”, bateu num torcedor, na França, brigou com colegas de time, não se enturma com outros jogadores — é visto como egoísta — e recentemente sofreu denúncia de estupro. Por isso, mesmo que não o tenha vetado integralmente, Zidane não deu o aval para a contratação do bad boy sul-americano.

A direção do Real Madri promoveu uma enquete com seus milhares de torcedores e a maioria decidiu contra a contratação de Neymar. Aposta-se que, no fundo, o brasileiro seja apaixonado pelo Barça. Acredita-se que estaria mais interessado em voltar para o time catalão — com o objetivo de ser, adiante, o substituto de Messi — que está envelhecendo.

Patrocinadores do Real Madri também não estariam interessados na contratação de um jogador tido como “problemático”.

Conclusão: o Real Madri não vai contratar Neymar? Não é bem assim. Na verdade, se for contratado, no dia seguinte todo mundo estará aprovando e aplaudindo. Muita gente está contra porque não acredita que a contratação seja possível. Assim como Messi, Neymar é aquele tipo de jogador que, exagerando, cura até depressão. O sujeito vai para o estádio, triste e macambúzio, e, de repente, logo depois de um drible desmoralizador de Neymar, torna-se feliz e sai vibrando. O atacante da América do Sul não é medicamento, mas cura tristeza — aos menos daqueles que vão ao estádio. Alegra torcedores até do time rival. O gol é produção — necessidade para o título. Mas o drible é arte. Neymar, portanto, é um artista da bola — e, frise-se, os malabaristas do futebol são poucos, até muito poucos. Por que o Paris Saint-Germain voltou às bocas dos europeus? Por causa de Neymar.

Neymar, o bad boy, voltará ao Barcelona? É a pergunta de 1 milhão de dólares. Mas há quem acredite que, sim, retornará. Ele teria a ginga caliente do povo catalão, a rebeldia de um García Lorca. O fato é que não deveria ter trocado o Barça pelo, exageremos, anódino PSG.

Cilas Gontijo é comentarista esportivo.

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Gustavo

Messi é uma merda jogando na seleção Argentina, Neymar joga muito mais.