Racha na OAB Independente faz surgir novo grupo de oposição

Insatisfeitos com o “loteamento” de cargos para composição da chapa para eleição do ano que vem, advogados deixaram Enil Henrique 

Márcio Messias Cunha, Ronivan Peixoto, Alexandre Caiado e Alexandre Pimentel: dissidência da OAB Independente | Foto: divulgação

As eleições 2018 da OAB-GO começaram mais cedo e teve nesse mês de dezembro o ápice das articulações e congeminações que podem determinar os grupos que montarão chapa para concorrer ao pleito que acontecerá em novembro do próximo ano.

Tudo teve início quando as oposições decidiram se unir contra o grupo que coordena a Ordem. Inicialmente havia três grupos contrários à atual diretoria sendo eles: OAB Forte; OAB Renovação e OAB Independente. Cada um deles indicariam um nome para posteriormente escolher um candidato a presidente que congregaria uma união. A Forte escolheu como candidato Pedro Paulo Medeiros e a Renovação, Manoela Gonçalves.

Contudo, o problema se deu na Independente, onde membros que ocupavam posição de destaque cobraram maior transparência nas regras para escolha do representante, ante a evidente falta de regras quanto quem poderia exercer o direito de escolha de tal nome do grupo.

Em princípio, o único que apresentou seu nome foi o advogado Márcio M. Cunha, ex-presidente da Associação Goiana de Advogados e colunista do Jornal Opção; entretanto, capitaneado pelo presidente da seccional da OAB de Anápolis, Ronivan Peixoto de Morais Junior, e pelo presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de Goiás (Saeg), Alexandre de Ramos Caiado, resolveu retirar sua candidatura.

Eles perceberam que todo o processo dentro da OAB Independente não se passava de um “jogo de cartas marcadas” pelo ex-presidente e candidato derrotado em 2014, Enil Henrique Filho, que já havia negociado uma vaga para si próprio no conselho federal, uma vaga de diretoria para o advogado Tabajara Póvoa e a presidência da Caixa de Assistência dos Advogados (Casag) para a advogada Ludimila Torres e ainda o apoio para a permanência do filho Enil Neto na OAB-Prev.

Enil Henrique fez uma reunião na última quinta-feira (28/12) com a presença de somente seis advogados que foram candidatos na últimas eleições e, na ocasião, aprovaram o nome de Tabajara como representante do grupo.

No entanto, o racha ficou evidente, pois, importantes nomes apoiavam a candidatura de Márcio M. Cunha, tais como o do atual presidente da ABA-GO., Rodrigo Guedes, e das principais lideranças como Alexandre Pimentel, Carlos Camarota, Alexandre Abreu, Arthur Rios, Nelson Meirelles além dos já citados Ronivan Peixoto e Alexandre Caiado, além de diversos presidentes de subseções que se solidarizaram e não concordaram com o método aplicado de negociação de cargos, considerando que a reunião serviria somente para indicar um nome como candidato e não para negociar postos ou colocações em uma futura chapa — isso seria decidido em 2018.

Sentindo-se traído, pois não autorizou lideranças a negociar cargos, Márcio retirou sua candidatura e resolveu ao lado de Alexandre Caiado de alguns dos demais, apoiar o nome do presidente da subseção de Anápolis, Ronivan Peixoto, para o cargo de presidente da seccional goiana.

Com as principais lideranças abandonando o barco de Enil e com pouquíssima representatividade, agora ele terá que remar muito para conseguir salvar-se em meio ao velho discurso de prestação de contas que assolou sua administração e segue até hoje.

Futuro 

Enil Henrique: o ex-presidente sofre com desgaste de prestações de contas questionadas | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Advogados avaliam que tanto a OAB Forte quanto a OAB Renovação devem ter bastante cuidado para não deixar esse novo grupo abandonar as trincheiras da oposição. Apesar de preferir estar do lado oposicionista, não descarta uma possível aliança com atual diretoria da OAB, comandada por Lúcio Flávio de Paiva Siqueira (da OAB Que Queremos).

O certo é que, dificilmente, esse novo grupo caminhará ao lado de Enil Henrique, até mesmo para evitar ter que dar explicações das prestações de contas — calcanhar de Aquiles do ex-presidente.

Nos bastidores, dizem que se essa onda de “OAB interior” pegar, o presidente da seccional de Anápolis poderá concretizar um antigo sonho das subseções do interior de ter um presidente que lute pelas prerrogativas dos advogados do interior do Estado — os que mais sofrem e precisam da Ordem.

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José Edivaldo Pereira Silva Sobrinho

Quero ver esta união é contra o absurdo que é o exame de ordem. Este recurso que alija milhares do mercado de trabalho e deixa cheio de dinheiro os cofres desta entidade chamada OAB.