PUC de Goiás demite 14 professores. O objetivo do reitor Wolmir Amado é reduzir custos

Os professores foram avisados por telefone e não receberam nenhuma explicação sobre a razão das demissões

A PUC-Goiás discute a precarização do trabalho, alguns de seus diretores fazem discursos idealistas e criticam o capitalismo com relativa ferocidade. Entretanto, no momento de preservar empregos, dando o exemplo aos demais capitalistas, a Pontifícia Universidade Católica não faz diferente dos capitalistas ditos “selvagens”.

Na quinta-feira da semana passada (30/7), o reitor da PUC, Volmir Amado, demitiu 14 professores. Segundo nota divulgada pela Associação dos Professores da PUC (Apuc), os professores receberam ligações telefônicas, pelas quais foram avisados que deveriam comparecer com urgência ao Departamento de Recursos Humanos. Sem saber o que estava acontecendo, os professores foram ao DRH e, lá, descobriram que estavam demitidos, sem nenhum alerta anterior e sem que os motivos dos cortes fossem esclarecidos. Estavam “demitidos” — só isso.

Em nota, a Apuc assinala: “A violência praticada por este ato da Administração Superior da Universidade em desempregar, sem justificativas, colegas que dedicam parte de suas vidas à instituição, intensifica-se pela forma e momento em que essas demissões ocorreram. Nossos colegas foram informados, por telefone, no meio da manhã do dia 29/07, que deveriam comparecer com urgência ao DRH (Departamento de Recursos Humanos) até o meio-dia. Chegando lá, receberam a comunicação de rescisão de contrato, sem que houvesse motivos que justificassem tal fato”.

Entre os demitidos estão alguns dos mais gabaritados professores de Goiás, alguns deles com doutorado. Em entrevista ao Jornal Opção Online, uma das professoras demitidas afirmou acreditar que a ação da Universidade foi uma forma de retaliação política, pois o grupo é, de forma geral, bastante engajado.

“Todos nós tivemos uma avaliação discente boa, com mais de 80% de aprovação. A demissão aconteceu sem progressão de advertências, todos somos assíduos e, se atrasamos, sempre é com justificativa, nós cumprimos nossas obrigações com afinco, e fomos demitidos sem justa causa, sem explicações”, argumentou.

Ainda de acordo com a professora, a mobilização em busca de esclarecimentos e de direitos está sendo feita pela Apuc em parceria com o Sindicato dos Professores do Estado de Goiás (Sinpro), mas alunos de unidades que foram afetadas pelas demissões já estão se manifestando também através de Centros Acadêmicos. “Tudo isso é muito humilhante para nós”, lamentou.

Comenta-se, nos corredores da PUC, que a Opus Dei começa a se fortalecer na estrutura da Universidade. Mas uma fonte interna frisa que as demissões decorrem de uma decisão do reitor Wolmir Amado [foto acima], com o objetivo de reduzir custos. O reitor estaria enfrentando uma luta pelo poder com a Opus Dei pelo controle da PUC-Goiás.

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