PMDB vai bancar Daniel Vilela para não ter de apoiar Ronaldo Caiado

Vilelismo sugere que bancar o senador do DEM é o mesmo que entregar o comando do partido a Iris Rezende

Daniel Vilela, deputado, e Ronaldo Caiado, senador: o PMDB aposta no primeiro porque, sugere o vilelismo, apoiar o segundo para governador é o mesmo que devolver comando do partido a Iris Rezende Machado | Fotos: Agência Câmara/ Moreira Mariz

Antes da recente delação da Odebrecht, que mencionou o deputado federal Daniel Vilela e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela, existiam dois PMDBs: o de Iris Rezende, minoritário, e o dos Vilelas, majoritário. Agora, surgiu outro PMDB — o do deputado estadual José Nelto, com o apoio de políticos que estão se sentindo abandonados pelos Vilelas, que teriam, de repente, desaparecido do interior. O Jornal Opção sondou os bastidores dos três PMDBs, em busca de informações precisas, ou relativamente precisas (quando os políticos estão articulando, as informações raramente tão objetivas no geral).

Os três PMDBs concordam ao menos num ponto: o candidato a governador passa pelos Vilelas, que detêm o controle do partido.

Dois vilelistas disseram ao Jornal Opção que, com chuva, trovoadas ou sol, o candidato do PMDB a governador será Daniel Vilela. Por quê? Porque, sugerem, é o novo. O PMDB, na visão deles, perdeu cinco eleições seguidas porque não se renovou — em termos de ideias e nomes. O parlamentar, com pouco mais de 30 anos, seria o fato novo, uma espécie de Marconi Perillo (o de 1998) peemedebista.

Os vilelistas avaliam que a conexão de Daniel Vilela com a Odebrecht é mínima, ou “nem existe”. Na interpretação deles, há casos mais graves de “contaminação” e que a crise recente, longe de enfraquecer, vai reforçar a musculatura do deputado.

Por que Daniel Vilela “sumiu” do interior e, até, da mídia? Porque, afiançam os vilelistas, estava verificando o impacto da denúncia do delator da Odebrecht que mencionou seu nome e o de seu pai, Maguito Vilela. O vilelismo sugere que o desgaste existe, é um fato, mas o impacto “é menos forte” do que se imaginara inicialmente. A tese é: dada a sujeira “geral”, Daniel Vilela “persiste como um dos políticos mais limpos”. Sobretudo, insistem, como “fato novo”.
O vilelismo pontua que não se tornou hegemônico para “devolver” o PMDB ao irismo. Apoiar Ronaldo Caiado, sublinham, é o mesmo que entregar o partido ao controle de Iris Rezende.
O PMDB irista percebeu no suposto “enfraquecimento” dos dois Vilelas, Daniel e Maguito, uma oportunidade para fortalecer a candidatura de Ronaldo Caiado — neo-irista — a governador. Iris Rezende — neo-caiadista — teria chegado a sugerir que havia chegado a hora de o senador filiar-se ao PMDB. Mas o presidente do DEM, segundo um irista histórico, resiste a aderir ao peemedebismo, por suspeitar que, não tendo o controle do partido, Iris Rezende o deixe à mercê dos Vilelas.

O terceiro PMDB, controlado por José Nelto, é uma espécie de filial relativamente rebelde do vilelismo. O deputado era um dos principais articuladores da candidatura de Daniel Vilela, mas, ao percebê-lo enfraquecido, colocou seu nome à disposição do partido para disputar o governo, em 2018.

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