Como a cassação de Renato Castro pode ser mantida pela Justiça, na segunda instância, vários políticos articulam para a próxima disputa eleitoral

Robson Tavares, Marcos Pernambuco, Marcus Vinícius, Múcio Santana, Lisandra de Castro e Mauricinho André Gomes: políticos que são cotados para a disputa da Prefeitura de Goianésia, se a cassação de Renato de Castro for confirmada em segunda instância

Diz o ditado que, rei morto, rei posto. O prefeito de Goianésia, Renato de Castro, do PMDB, embora cassado pela Justiça, permanece no poder. Como a denúncia que levou à cassação é muito grave, dificultando a ação dos advogados que o defendem, políticos da cidade apostam que se terá, brevemente, eleições para prefeito e começam a articular em busca de aliados.

Marcos Pernambuco, do PDT, é o líder do prefeito na Câmara. Mas, se novas eleições forem convocadas, deve colocar seu nome à disposição do partido e da sociedade. O presidente do PDT no município, Ismael Augusto, estaria sugerindo, inclusive, que ele tem respaldo da cúpula regional para a disputa.

O PMDB tem cinco nomes cotados, mas todos preferem, ao menos publicamente, manter certo silêncio, para não irritar Renato de Castro — que os adversários já chamam de Renato “Cassação” de Castro. O médico Marcus Vinícius, vereador mais bem votado da história de Goianésia, é cotadíssimo para a disputa. Ele é popular e tem uma imagem dita “irretocável”. Cadeirante, é dono de uma clínica popular. Apontado como principal vereador do PMDB, Lúcio Santana é outro postulante de peso. Especula-se que Renato de Castro articula três nomes: Fabiano Lopes, seu secretário de Infraestrutura, a médica Lisandra de Castro, sua irmã, e Pedro Antônio Gonçalves, seu secretário de Projetos. O pai de Pedro Antônio (Spock), Geovani Machado, é presidente do PMDB local. Amigo do prefeito, o secretário é mencionado por dois vereadores como “radicalizado nas redes sociais”, “elitista” e “pouco agregador”.

O principal nome da oposição é o médico Robson Tavares, do PSDB. Ex-vice-prefeito, na gestão de Jalles Fontoura, é visto, assim como Marcus Vinícius, como um político hors concours, quer dizer, sem desgaste. Citado mais como um “técnico” eficiente, é respeitado na sociedade. O tucano Otavinho Lage, com um investimento de 60 milhões nas suas empresas, já avisou que não será candidato e deverá apoiar Robson Tavares. O deputado estadual Helio de Sousa, do PSDB, também não disputará.

O superintendente da Secretaria de Planejamento e Gestão do governo de Goiás, Vandir Gomes, o vereador Mauricinho André e o delegado da Polícia Civil Marcos Antônio Maia — todos do PSDB — também são cotados para a disputa. Conhecido como Eliot Ness do Vale do São Patrício, Marcos Antônio elucidou 100% dos homicídios que investigou e prendeu vários traficantes de drogas. O policial é cotado tanto para a disputa da prefeitura quanto para a vice. No quinto mandato, Mauricinho André foi jogador e presidente do time do Goianésia. É popular. O que se comenta, nos bastidores tucanos, é que Robson Tavares será o candidato bancado pelos irmãos Otavinho Lage e Jalles Fontoura. Os demais tucanos, portanto, disputarão uma vaga de vice.

Renato de Castro jogou a toalha? Não, o prefeito está resistindo. Mas mesmo seus aliados, ao menos nos bastidores, não acreditam que não será cassado.