Petistas rejeitam Kátia Maria para governadora e querem composição

Militantes sugerem que o PT terá dificuldade para eleger um deputado federal e sugerem que talvez só Adriana Accorsi se eleja para deputada estadual

Katia Maria: militância não avalia sua candidatura como viável | Foto: Divulgação

O PT é um partido tão moderno quanto diferente dos demais. Há, claro, as decisões de cima para baixo, por exemplo, quando Lula da Silva impõe Fernando Haddad como candidato a presidente da República — e há quem diga que o economista estaria segurando a “vaga” para o chefão. Entretanto, no geral, as decisões são colegiadas, ocorrendo em congressos, e por isso, quase sempre, são mais demoradas.

deputada estadual, delegada Adriana Accorsi | Foto: Divulgação

Em Goiás, no momento, de acordo com cinco petistas, ao menos um de proa — todos pediram off —, “o partido está mais perdido do que cego em tiroteio de cegos”, frisam. “O cenário não é bom para o PT em Goiás. Sem as coligações partidárias, corremos o risco de não eleger nenhum deputado federal. A tendência é que apenas Adriana Accorsi, com alta capilaridade eleitoral em Goiânia, seja eleita para deputada estadual”, sublinha um petista. “Mas precisamos trabalhar, muito, para tentar eleger ao menos dois candidatos. Antônio Roberto, forte em Anápolis, talvez consiga ser eleito.” (Antônio Roberto é como o petista chama Antônio Gomide.)

Rubens Otoni, deputado federal do PT | Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

O petismo deve bancar, como estrelas, quatro candidatos a deputado estadual: Adriana Accorsi, Mauro Rubem, Selma Bastos e Antônio Gomide. “O partido deve pressionar Luis Cesar Bueno, mas não sabemos se quer disputar”, afirma um petista anapolino. “Há quem aposte que, politicamente, está aposentado. Mas, como se sabe, a política, quando entra no sangue de uma pessoa, não sai mais.”

Antônio Gomide: deputado estadual | Foto: Divulgação do PT

Quanto à disputa para o governo do Estado, o PT ainda não tem nenhum postulante que se possa chamar de “natural”. “O que nós, da militância, não queremos é que Kátia Maria seja candidata mais uma vez. Basta de lançar candidato só para competir, para fazer figuração. Ela ganha prestígio, passa a ser ouvida, mas não robustece o PT, em termos políticos e de inserção na sociedade. Estamos cansados de discurseira. O ideal é que o PT componha com algum partido que tenha condições de eleger o governador. Temos de parar de sermos exclusivistas. É preciso integrar frentes progressistas, em Goiás e no país. Por exemplo, se queremos derrotar o presidente Jair Bolsonaro, devemos debater com as esquerdas, mas sem chegar com candidato definido. O importante é fazer ‘figuração’ ou derrotar Bolsonaro? Se for vencer o candidato da extrema direita, o PT precisa compor com o PDT de Ciro Gomes, com o PC do B de Flávio Dino e com o PSB de Carlos Siqueira. O que nós precisamos, para 2022, é organizar uma frente ampla para superar os grupos reacionários que bancam o presidente”, analisa um petista, que já disputou vários mandatos. “Boulos fez alianças em São Paulo e quase foi eleito prefeito. Ele abriu um caminho e a cúpula petista precisa observar o que aconteceu lá, e com o máximo de atenção e urgência. O momento atual é de alianças. Ou vamos cometer o mesmo erro de 2018, quando não conseguimos o apoio de Ciro Gomes no segundo turno devido aos equívocos cometidos no primeiro turno? Em Goiás, por que não uma aliança com Daniel Vilela ou Gustavo Mendanha, ambos do MDB? Só não devemos compor com a direita reacionária, mas, com o centro político, não há nenhum problema.”

Mauro Rubem (PT): vereador em Goiânia| Foto: Renan Accioly

Um dos petistas afirma que, para mostrar sua força política, Kátia Maria deveria ser candidata a deputada estadual ou federal.

Selma Bastos: nome forte do PT no interior | Foto: Divulgação

O deputado federal Rubens Otoni pode ser candidato a governador ou, numa composição, a senador? “O PT está muito debilitado em Goiás para exigir participação em chapas majoritárias. Rubens é o político mais pragmático do PT no Estado. Portanto, deve disputar mandato de deputado federal. Acrescento que, ao contrário do que sugere parte da imprensa, inclusive o Jornal Opção, Rubens e Kátia Maria não falam mais a mesma língua política”, enfatiza um petista. “O PT critica a falta de renovação na política brasileira. Mas por que o PT de Goiás não quer se renovar?”, pergunta um petista.

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