Bastidores
O deputado federal e médico Célio Silveira insiste que não abre mão de uma coisa: de bancar Marcelo Melo para prefeito de Luziânia. O tucano deve apoiar a reeleição do deputado estadual Diego Sorgatto, da Rede, em 2018. Célio Silveira diz, sem receio de errar, que o vice-governador José Eliton e o ex-deputado federal Marcelo Melo são as duas grandes conquistas do PSDB nos últimos anos. “São forças qualitativas”, sublinha.
O prefeito de Nova Aurora, Vilmarzinho Carneiro, estuda a possibilidade de trocar o PT pelo PMDB. Ele estaria sendo pressionado pelo deputado estadual peemedebista Adib Elias. Vilmarzinho Carneiro é ligado aos deputados Rubens Otoni, federal, e Luis Cesar Bueno, estadual, porém, por contingências das alianças políticas da região Sudeste, tende a abandoná-los. O vice de Vilmarzinho Carneiro, José Roberto de Pádua, é do PMDB. Um primo deste, Júnior Pimenta, está, no momento, tentando puxar seu tapete, com o objetivo de ser o vice do prefeito na disputa de 2016. Mas é apontado como “impopular” por alguns peemedebistas. A oposição a Vilmarzinho Carneiro está cada vez mais articulada. Adriana Alcino, do PSDB e filha da ex-prefeita Neusa Alcino, está colocando seu bloco na rua. Fausto Ferreira, ex-PMDB, é cotado para disputar a prefeitura pelo PSDB. Ele teria apoio de políticos de Catalão. Foi ligado mas não é mais a Adib Elias. Segundo um tucano, o eleitorado o rejeita. O ex-prefeito Valderci Bernardes, do PDT, também pretende disputar. Mas depende do quadro de alianças políticas. Em Nova Aurora, como noutros municípios, não se ganha eleição sozinho. Odilon Pezão é o outro nome do PDT na cidade. O DEM pode emplacar a candidatura de Jerry Faleiros. Ele é ligado não ao senador Ronaldo Caiado, do DEM, e sim ao deputado estadual Bruno Peixoto, do PMDB. O fato é que o quadro político de Nova Aurora está “aberto”. Mesmo desgastado, o prefeito acaba sendo relativamente forte, dado o peso da máquina da prefeitura.
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Ruimar e Iris: registro do dia 14 de outubro | Foto: reprodução / Facebook[/caption]
O empresário Ruimar Ferreira, dono da barbearia New Star, garante: “Iris Rezende será candidato a prefeito de Goiânia. Ele me disse que, se eleito, quer fazer uma administração para ficar na história”.
Ruimar Ferreira diz que “Iris está animadíssimo. O PMDB, o que conta em Goiânia, circula pelo seu escritório.”
O médico Túlio Sérvio, tido como reserva moral da política de Senador Canedo, pode ser bancado para prefeito do município? Se quisesse, se mostrasse disposição — mas não mostra —, Túlio Sérvio poderia ser apoiado pelo prefeito Misael Oliveira. Como não tem vontade, o prefeito vai mesmo para a reeleição.
Numa prova de que sempre transforma aliados em adversários (e até inimigos), o empresário Vanderlan Cardoso (PSB), em 2014, optou por apoiar Simeyzon Silveira, por determinação de Ronaldo Caiado, a bancar a candidatura do médico e ex-prefeito de Senador Canedo Túlio Sérvio para deputado estadual. Em Senador Canedo, dos postes às lâmpadas, todos dizem nominam isto de “alta traição”. Humilde e pacifista, Túlio Sérvio não protesta publicamente, mas ficou chateado; afinal, é composto de carne e ossos.
O ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás Nailton Oliveira responde a processo por improbidade administrativa e, por isso, pode não disputar o comando do PMDB. Um dos problemas de Nailton Oliveira é que sempre fala como apadrinhado de Iris Rezende. Não parece ter identidade.
Um irista diz não ter dúvida: “Estão subestimando Nailton Oliveira, mas ele é o nome que Iris Rezende quer ver no comando do PMDB”.
O ex-deputado estadual Lívio Luciano, um dos principais iristas goianos, está na chapa de José Nelto na disputa pelo comando do PMDB. Porém, se o postulante a presidente for Iris Rezende, Lívio Luciano o apoia sem pestanejar. O ex-deputado é um dos iristas mais consistentes e modernos. E sempre joga limpo.
De um peemedebista: “Luis Cesar Bueno, antes de planejar disputar a Prefeitura de Goiânia, vivia adulando os peemedebistas, sobretudo Iris Rezende. Agora, está nos tratando com arrogância e displicência”.
Iristas apostam que, ao criticar Iris Rezende, inclusive contrariando a orientação de seu pai, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que cobra paciência, Daniel Vilela estaria sinalizando que pode deixar o PMDB para, em 2018, disputar o governo do Estado.
A ressalva é que Maguito Vilela não quer Daniel Vilela disputando mandato por outro partido. Ele sugere, em conversas com aliados, que o tempo de Iris Rezende está passando e, por isso, não é preciso confrontá-lo agora.
O tempo é o senhor da razão, sugere Maguito Vilela o filho.
Durante anos, Iris Rezende expurgou todos aqueles que o criticaram ou apenas não concordavam com suas diretrizes autoritárias. A lista é enorme: Mauro Borges, Henrique Santillo, Nion Albernaz, Lúcia Vânia, Irapuan Costa Junior, Henrique Meirelles e, mais recentemente, Júnior Friboi. Daniel Vilela pode ser a próxima vítima.
Nas conversas com aliados, Iris Rezende não tem economizado palavras negativas para nominar Daniel Vilela. Os termos mais leves são “garoto impertinente”, “topetudo”, “arrogante” e “surtado”.
Iristas sustentam que Maguito Vilela nunca desafiou Iris Rezende. “Em 1998, quando Iris disse que queria disputar o governo, Maguito praticamente rompeu com seus aliados, que exigiam um enfrentamento, e o apoiou”, afirma um irista. Mais duro do que Maguito Vilela, Daniel Vilela comemorou seu aniversário, na semana passada, e disse, para os aliados, que não se submeterá ao decano Iris Rezende. Daniel Vilela teria dito que ouve e respeita seu pai, Maguito Vilela, mas que não seguirá o caminho da submissão. “Em 1998, se Maguito Vilela tivesse disputado o governo, possivelmente teria sido eleito”, afirma um danielista. “Mas recuou, abrindo espaço para Iris Rezende, e o PMDB perdeu a eleição e nunca mais, desde então, fez o governador de Goiás”, acrescenta. Mas há quem acredite que, na hora agá, Daniel Vilela vai ceder, sobretudo sob pressão do pai.
Mais de um peemedebista teria ouvido de Daniel Vilela mais ou menos o seguinte a respeito de Iris Rezende, o velho cacique: “Vou enfrentá-lo e derrotá-lo para o bem do PMDB”. Iristas garantem que Daniel Vilela, depois das bravatas iniciais, vai recuar. Como todos os outros fizeram, no passado.
Um danielista aposta que a mão direita de Ronaldo Caiado agiu para lançar Iris Rezende para presidente do PMDB. Porque o democrata só tem alguma chance, na disputa pelo governo de Goiás em 2016, se Daniel Vilela não for candidato. Com Iris Rezende fortalecido, dificilmente Daniel Vilela será candidato a governador. O nome, evidentemente, será o de Ronaldo Caiado. O jornal ouviu um caiadista. “Ronaldo Caiado não se envolve nos assuntos do PMDB”, resumiu.

