Bastidores

Político com tráfego amplo na política nacional e que mantém trânsito livre no Judiciário afirma que a delação premiada de Marcelo Odebrecht, da empreiteira que leva seu nome, vai envolver um senador de Goiás e deputados federais do PMDB e do PSDB. Comenta-se em Brasília que o senador Ronaldo Caiado não está mais empolgado com o governo de Michel Temer. O líder do DEM até apreciaria o presidente, mas não sua equipe.

Num primeiro momento, Ronaldo Caiado envolveu-se 100% com o impeachment de Dilma Rousseff. Agora, talvez pelas denúncias que atingem a equipe de Michel Temer, debate menos o impedimento. Recentemente, não participou da reunião do presidente com os parlamentares goianos.

De um deputado peemedebista: “Não há como negar que o PMDB goiano está jururu, com dor de cotovelo, mão e joelho com o relacionamento altamente cordial entre o presidente Michel Temer e o governador Marconi Perillo. Até parece que, perto do gestor goiano, o peemedebista se torna tucano”. O mesmo parlamentar admite que, com apenas dois deputados federais em Brasília, e nenhum senador, o PMDB de Goiás não tem força alguma junto ao governo de Michel Temer. Marconi Perillo lidera uma bancada com dois senadores e pelo menos 13 deputados federais. Em Brasília as relações entre o presidente e líderes são mais positivas quanto maiores forem as bancadas estaduais.

O PMDB de Goiás esperneia, grita e clama por cargos federais. Mas não conseguiu nomear nenhum aliado para os escalões centrais do governo de Michel Temer. É provável que sobrem algumas vaguinhas no quarto escalão.

Com o PT fora do poder, e com o objetivo de reduzir sua pena, o publicitário abre o jogo e diz ter informações exclusivas para revelar ao Ministério Público de Minas e ao Ministério Público Federal

Apesar de sua importância como pioneiro dos eventos corporativos, do apoio aos negócios da iniciativa privada, ele morre praticamente esquecido

Deputados apostam que, neste momento, José Vitti tem condições de ser eleito presidente, atropelando Chiquinho Oliveira
O parlamentar goiano é muito ligado ao ex-ministro Mário Negromonte, hoje integrante do Tribunal de Contas da Bahia
[caption id="attachment_28308" align="alignleft" width="620"] Sandes Júnior, muito ligado a Mário Negromonte, está sendo investigado[/caption]
O PSDB de Giuseppe Vecci, pré-candidato a prefeito de Goiás, rejeita o deputado federal Sandes Júnior na vice.
O motivo é prosaico: Sandes Júnior, do PP, está envolvido na Lava Jato. Ele é um dos investigados. O parlamentar goiano é muito ligado ao ex-ministro Mário Negromonte (foto menor, abaixo). O hoje conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia é apontado como integrante de um esquema de recebimento de propina.
Se aceitasse Sandes Júnior na vice, Giuseppe Vecci teria de passar o tempo inteiro se explicando. Por isso, embora quisesse ser vice, Sandes Júnior foi rejeitado.
O senador Wilder Morais chegou a tentar impor Sandes como vice, mas, ante as informações de que está envolvido na Lava Jato, aceitou as ponderações da cúpula do PSDB.
Aos amigos e aliados, Sandes Júnior tem dito que não pode perder a imunidade parlamentar. Para não cair nas mãos de Sergio Moro.
Em contato telefônico, Sandes Júnior apresentou outra versão para o fato de não ter sido escolhido para vice. Mas o fato é que, dadas suas ligações com Carlos Cachoeira e envolvimento na Operação Lava Jato, o PSDB o vetou. Publicamente, a versão apresentada é outra. O que está dito abaixo contradita inclusive com o fato de que Sandes Júnior dizia, em entrevistas, que seria candidato a prefeito de Goiânia.
Versão de Sandes Júnior, deputado federal
“No dia 4 de julho começarei um programa na TV Serra Dourada, que se chama ‘Na hora do almoço’. Pela lei eleitoral, jornalista, radialista, tem que sair do ar no dia 30 de junho, como eu vou começar programa no dia 4 de julho se eu seria candidato?
Por isso que não sou vice do Vecci, não tem outro motivo. Ele me convidou para ser vice durante meu programa no rádio na semana passada. Eu que não aceitei, apenas por isso. Porque vou começar um programa na TV Serra Dourada e não vou deixar o meu do rádio.”
Nota de Giuseppe Vecci, deputado federal
“O PP foi o primeiro partido a ratificar apoio à minha pré-candidatura, ainda em maio, para iniciarmos a formação de uma grande aliança nas eleições municipais deste ano. É uma grandeza ter um partido como o PP, que possui em seus quadros políticos qualificados como o deputado federal Sandes Júnior, nos apoiando.
“Respeito muito o Sandes pela forma como ele representa importantes setores da sociedade, pela expressiva votação em Goiânia e como deputado federal, e pelo perfil municipalista e agregador. Por isso e pela amizade que nos une, jamais faria algum movimento para impedir a vinda de Sandes na vice. Entendo que o momento de definição de nomes para a vice não é agora, e sim até as convenções partidárias, mas tenho absoluta certeza que Sandes e o PP irão contribuir e somar muito na minha campanha.”

Criador da pílula do câncer, Gilberto Chierice foi procurado por Argello e Gleyb Ferreira da Cruz, braço direito de Cachoeira. Chegaram a formular contrato

[caption id="attachment_68321" align="alignright" width="620"] Heuler Cruvinel (Rio Verde), Luiz Teixeira (Niquelândia), Cristóvão Tormin (Luziânia) e Francisco Júnior (Goiânia): quatro apostas do comando do PSD[/caption]
Com forte presença em Goiás, dada a liderança de seu presidente Vilmar Rocha e do secretário de Desenvolvimento Econômico do governo do estado, Thiago Peixoto, o PSD vai bancar candidatos em cidades de grande, médio e pequeno porte. Listamos suas 10 principais apostas — o que não significa que todos são favoritos. Avaliações da cúpula apontam que, além dos mencionados na lista abaixo, o partido tem condições de eleger candidatos a prefeito em Orizona e Anicuns.
1 — Clenilda Melquíades
/Santo Antônio do Descoberto — É vista como uma pessoa politicamente respeitada no município.
2 — Cristóvão Tormin
/Luziânia — O favorito é Marcelo Melo, do PSDB. Mas os líderes do partido acreditam na sua capacidade de reação e dizem que há um “cartel de obras” a mostrar ao eleitorado.
3 — Dienes da Farmácia
/Bonfinópolis — A cúpula pessedista avalia que, com alguma estrutura, terá condições de elegê-lo.
4 — Francisco Júnior
/Goiânia — Está entre os últimos colocados nas pesquisas de intenção de voto. A cúpula do partido avalia que, como tem discurso e projetos, tende a crescer na campanha.
5 — Heuler Cruvinel/Rio Verde — Apontado como favorito, o deputado federal é a grande aposta do partido. É visto como “a renovação”.
6 — Júnior do Jonas
/Mutunópolis — É experiente, pois já foi candidato a prefeito. Perdeu em 2012.
7 — Luiz Armando
/Pirenópolis — O ex-prefeito é, na opinião dos dirigentes do PSD, um dos pré-candidatos mais consistentes. Seria experiente e popular.
8 — Luiz Teixeira
/Niquelândia — Os dirigentes do PSD frisam que, mesmo na crise, o prefeito permanece bem avaliado.
9 — Maks da Saúde
/Cristalina — Por enquanto, o favorito é Daniel do Sindicato, do PSB. Mas o PSD percebe Maks como uma força renovadora. O problema é o desgaste do prefeito Luiz Carlos Attié.
10 — Olegário Vidal
/Anápolis — Médico, professor da Faculdade de Medicina de Anápolis, é visto como um nome, senão competitivo, respeitável.

[caption id="attachment_64269" align="alignright" width="620"] Decano peemedebista Iris Rezende | Arquivo[/caption]
Há tempos políticos falam sobre o “asfalto sonrisal” do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB). O decano do populismo goiano ganhou o voto do eleitor goianiense com o discurso da Goiânia 100% asfaltada. Dentre todas as suas promessas da disputa de 2004, essa foi a única “cumprida” e a que garantiu sua reeleição em 2008.
O motivo das aspas em “cumprida” é simples: se Iris já era lembrado pelas rodovias sem acostamento que fez na época em que foi governador de Goiás, ficou conhecido agora como o prefeito do asfalto feito, mas que não dura, aquele asfalto que precisa de recapeamento constante.
A consequência disso é que o asfalto ruim gera aumento de gastos para os cofres públicos. Como? Ora, se há desgastes constantes, o poder público municipal precisa sempre fazer aquela tão conhecida operação “tapa buracos”, que só mantém o buraco fechado até que a próxima chuva chegue.
A verdade é que Iris diz que asfaltou toda a capital, mas não explica por que o asfalto se desmancha com facilidade. A resposta é simples: trata-se de um asfalto sonrisal. A espessura é fina e o material usado é tido como de baixa qualidade. Logo, ao menos 90% do asfalto de Iris deteriorou-se.
Veja o depoimento do empresário Rubens Braga, da Marca Sinalização e Serviços Ltda. (que tem um contrato de milhões com a prefeitura — a ser investigado), que presta serviços para a Prefeitura de Goiânia na área de sinalização de trânsito há mais de três anos: “O pavimento de Goiânia é terrível. É muita fissura e rachadura. Vou dar um exemplo: aquele ‘olhinho de gato’ que nós colocamos tem um pino de sete centímetros. Nós furamos o pavimento e preenchemos o furo e toda a base com uma cola de componente altamente resistente. Tem lugares de Goiânia em que nós fomos furar o asfalto e a furadeira saiu suja de terra. Então, o pavimento de Goiânia deve ter uns cinco centímetros de espessura. É muito fino, o que contribui para a durabilidade do produto que é aplicado”.
Explica-se aí o enorme gasto público com a manutenção do asfalto e a cidade cheia de buracos? Em grande parte, sim. O asfalto ruim faz parte da “herança maldita de Iris”.
Isso fora a dívida da qual todos falam ter sido deixada por Iris na Prefeitura, embora os peemedebistas neguem. O prefeito Paulo Garcia (PT) já falou ter herdado dívidas vultosas da gestão passada, embora não fale sobre a má qualidade das obras deixadas pelo antecessor na gestão municipal.
Mas a herança maldita recebida por Paulo Garcia foi além da dívida. Uma coisa é certa: o asfalto ruim aumentou tanto o buraco das contas quanto o das ruas. Iris vai negar, claro, e quando estiver em campanha dirá que foi o prefeito que asfaltou Goiânia. Se quiserem esvaziar o discurso do decano, os adversários terão que provar o contrário e mostrar que Iris foi, na verdade, o prefeito do asfalto sonrisal falsificado, aquele que nem precisa de água para derreter.

[caption id="attachment_68322" align="alignright" width="620"] João Campos, Magda Mofatto, Luis Cesar Bueno: nomes novos para a disputa do Senado[/caption]
1 — Jalles Fontoura/PSDB — Se Vilmar Rocha sair do páreo, o prefeito de Goianésia pode disputar; 2 — João Campos/PRB — O deputado une todas as correntes evangélicas; 3 — Jovair Arantes/PTB — Se for eleito presidente da Câmara dos Deputados, está cacifado; 4 — Júnior Friboi — Tem dinheiro, mas falta partido; 5 — Lúcia Vânia/PSB — Tanto pode disputar a reeleição quanto o governo/; 6 — Luis Cesar Bueno/PT — Não quer mais disputar mandato de deputado; 7 — Magda Mofatto/PR — Está montando uma estrutura gigante para disputar mandato de senador; 8 — Maguito Vilela/PMDB — Cotado tanto para o Senado quanto para o governo; 9 — Marconi Perillo — É hors concours. Aposta-se que vai disputar mandato em nível nacional. Se disputar o Senado, pode cair o número de postulantes; 10 — Sandro Mabel/PMDB — O presidente Michel Temer quer vê-lo no Senado; 11 — Vilmar Rocha/PSD — Seu sonho é disputar o Senado; 12 — Wilder Morais/PP — Tem dinheiro sobrando, mas pode faltar voto.

[caption id="attachment_59511" align="alignright" width="620"] Deputado estadual Adib Elias | Foto: Y. Maeda[/caption]
Depois de dialogar com a Procuradoria da República, o Tribunal de Contas dos Municípios vai repassar ao Tribunal Regional Eleitoral a lista dos políticos com contas públicas rejeitadas — os “populares” fichas sujas — no dia 2 de agosto deste ano.
O TRE junta as listas do Tribunal de Contas da União, do Tribunal de Contas do Estado e do TCM e decide quem não poderá disputar eleição no dia 2 de outubro deste ano. É o TRE, e não os tribunais de contas, que decide pela impugnação ou não de candidaturas. Rigorosa, a Justiça Eleitoral cobrou informações inclusive sobre as multas aplicadas aos políticos (vereadores e prefeitos). Sinal de que a mão será pesada com políticos corruptos ou desorganizados.
Nem todos os mencionados na lista do TCM estarão impedidos de disputar eleição (acrescente-se que algumas contas ainda estão sendo examinadas). Adib Elias, que tem contas rejeitadas, poderá disputar? É provável, mas com liminar.
O Palácio do Planalto informou ao governo de Goiás que o leilão da Celg vai sair a qualquer momento. O presidente Michel Temer comentou que assim como o governo goiano quer dinheiro para concluir obras, o governo federal precisa dos bilhões da privatização para ajustar suas contas.

[caption id="attachment_44216" align="alignright" width="620"] Foto: Alexandre Parrode[/caption]
O PMDB adotou a seguinte estratégia: nos municípios em que não tem candidato consistente vai bancar o postulante que tem condições de derrotar o candidato do governo do Estado. Em Itumbiara, o quadro é complicado. Porque, se José Gomes da Rocha (PTB) puder disputar — o deputado federal Jovair Arantes (PTB) garante que não há nenhum empecilho —, não há espaço para a renovação. O petebista pode encomendar o terno da posse. Bancado por uma aliança entre o PSB, o PPS e o PMDB, o ex-vereador Gugu Nader sustenta que lidera as pesquisas — desde que o nome de Zé Gomes não seja listado. “Acredito que, dada a movimentação política, o candidato será mesmo o prefeito Chico Balla. Eu tenho plenas condições de derrotá-lo”, afirma Nader.