De tempos em tempos, a Prefeitura de Goiânia é assumida por um professor. E, à exceção de Nion Albernaz, prefeito da capital em três oportunidades (de 1983 a 1985, de 1989 a 1992 e de 1997 a 2000), desde a redemocratização eles foram petistas.

Mais do que isso: todos ligados à Universidade Federal de Goiás (UFG). O primeiro foi Darci Accorsi, que era lotado no Departamento de Filosofia do antigo Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL). Darci sucedeu Nion a partir de 1993 e deu sequência a um período de aprovação muito alta da gestão municipal, quando Goiânia ganhou o título de “cidade ecologicamente correta”.

O sociólogo Pedro Wilson – que, além de professor também do ICHL, havia sido professor e reitor da Universidade Católica de Goiás (hoje PUC-GO) – também deu sequência a outro mandato do (então) tucano Nion Albernaz, de 2001 a 2004. Uma das marcas de seu governo foi a revitalização da Avenida Goiás, com a transferência da Feira Hippie para a Praça do Trabalhador.

O último professor a ocupar a cadeira principal do Paço foi Paulo Garcia, que, além de médico neurologista, era efetivo da Faculdade de Medicina da UFG. Foi também o único da categoria a ter mandatos seguidos: assumiu em lugar de Iris Rezende em 2010, foi reeleito em 2012 e concluiu o mandato em 2016. Do trio, foi o que teve mais baixa aprovação ao fim do mandato, mas fez a cidade avançar na preocupação com outros modais além do carro – com avanço das ciclovias e dos corredores para o transporte urbano.

Pré-candidato do PT à Prefeitura, Edward Madureira seria o quarto petista professor à frente da administração. E também conectado intensamente à UFG, instituição que dirigiu por três mandatos (dois consecutivos, de 2006 a 2014, e o terceiro de 2018 a 2022).

O nome de Edward é dado como certo para concorrer pelo partido. Atualmente, ele é assessor da presidência da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência pública ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e com sede no Rio de Janeiro. Em meio às mudanças, o ex-reitor se mostra feliz com a nova ocupação, que o coloca em viagens recorrentes entre Brasília e a capital carioca. Mas, mesmo com todo o vaivém, a energia para gastar em Goiânia está reservada.