Morre o professor Fidelis Dias Ferreira, uma referência em Porangatu

Ele estava internado no Hospital Amparo para se tratar de pneumonia. Tinha Alzheimer e Parkinson

Euler de França Belém

Quem viveu em Porangatu, ao menos entre as décadas de 1960 e 1970 (meu caso), sabe o que se dirá a seguir: Fidelis Dias Ferreira era mestre e, também, uma autoridade no colégio estadual onde trabalhava (pode-se acrescentar que era uma autoridade-símbolo na cidade). Professor de inglês, era uma referência de solidez e seriedade. Era exigente e, sim, justo. Sua cara fechada era muito mais o retrato de uma integridade absoluta do que de severidade desnecessária. Ele praticamente não brincava, dava aula em todos os segundos em que estava na sala. Era tanto respeitado quanto admirado. Muitos alunos agradeceram, mais tarde, seu rigor. Numa das clássicas Festa dos Porangatuenses (o Grande Encontro), organizada por Antônio Macedo — que, se não fosse médico, seria diplomata, tal a sua capacidade de ouvir e agregar —, conversei com Fidelis e percebi um homem bem-humorado, atento às coisas do mundo e inteligente. A faceta humana às vezes era escondida pela imagem de homem de aço.

Maria Ramalho Ferreira e Fidelis Dias Ferreira | Foto: Facebook

Fidelis Dias Ferreira mudou-se de Porangatu (onde nasceu) para Aparecida de Goiânia, acompanhando os filhos. Ele morreu no domingo, 30, às 22h45, aos 89 anos, no Hospital Amparo. Ele tinha Alzheimer e Parkinson, que o debilitavam há algum tempo. Uma pneumonia teria sido decisiva para seu falecimento. O corpo do professor está sendo velado na funerária Fênix de Aparecida de Goiânia e será enterrado, às 17 horas, no Cemitério de Aparecida de Goiânia.

O Professor (com P maiúsculo) Fidelis deixa a mulher (foram casados durante 53 anos), Maria Ramalho Ferreira, cinco filhos — Dayan, Fidélis Dias Ferreira Filho (o músico Fidel Ramalho), Maridelis (Lis Ramalho), Glemerson e Flávia —, oito netos e três bisnetos.

Lis Ramalho com o pai, Fidelis Dias Ferreira | Foto: Facebook

Repercussão

Antônio Macedo, médico: “Com pesar recebi a notícia do falecimento do amigo e ex-professor de inglês Fidelis Dias Ferreira. Meus sentimentos a todos seus familiares. Foi uma das personalidades que contribuiu na educação em Porangatu. Faz parte da História de nossa cidade. Descanse em paz na Glória do Senhor Jesus Cristo.”

Ivan Vieira, ex-vereador e radialista: “Com muito pesar recebo a triste notícia do falecimento do amigo-professor Fidelis Dias Ferreira. Ofereceu parte de sua vida a Porangatu no ofício de professor de inglês. Alma boa, coração enorme, apesar do jeito sério. Minha geração agradece pelo aprendizado. Apresento a esposa, filhos e netos nosso profundo pesar e que Deus o tenha ao lado Dele”.

Maria Helena Pinheiro, professora de inglês: “Muito sentida com sua partida. Além de ter sido meu professor, foi meu colega de trabalho por muitos anos. Cumpriu sua missão: de pai de família e educador. Que Deus dê a ele o descanso eterno em seus braços”.

Josias Leite de Freitas Junior: “Meus sentimentos a família. Professor Fidelis foi um grande referencial na educação em Porangatu, deixou um legado”.

Célio Rezende, publicitário: “Fui um adolescente rebelde, inclusive na sala de aula. Quando eu tinha 14 anos recebi um recado, escrito com caneta vermelha, no canto superior direito de uma prova aplicada e corrigida pelo professor Fidélis: ‘Forte é aquele que domina sua força’. Isso me impactou profundamente e várias vezes na vida me peguei repetindo esta frase para mim e para outros”.

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