Morre o ex-prefeito de Anápolis Adhemar Santillo

O ex-deputado federal estava internado, na UTI de um hospital de Anápolis, com tromboembolia

Onaide e Adhemar Santillo | Foto: Facebook

O ex-prefeito de Anápolis e ex-deputado federal Adhemar Santillo morreu na terça-feira, 9, aos 81 anos. Ele estava internado, na UTI do Hospital Evangélico Goiano, com tromboembolia, em Anápolis. Ele havia se tratado de Covid há pouco tempo.

Nascido em Ribeirão Preto, em 1939, era irmão do ex-governador Henrique Santillo. Veio para Anápolis ainda em 1942, onde foi prefeito de 1986 a 1988 e de 1996 a 2000. Ele também foi deputado estadual por três mandatos. Eleito pela primeira vez em 1970.

Adhemar era uma voz crítica da ditadura militar e deixa a esposa Onaide Santillo, ex-deputada estadual, filhos e netos.

Uma breve biografia de um combatente da ditadura

Adhemar Santillo disse uma vez a um repórter do Jornal Opção, brincando e, ao mesmo tempo, falando sério: “Sou goiano de Ribeirão Preto”. De fato, nasceu em Ribeirão Preto, em 13 de novembro de 1939, no ano em que começou a Segunda Guerra Mundial. “Por isso”, nos disse, “sou um guerreiro”. Acabou goiano, “por adoção livre e espontânea”, e, sobretudo, anapolino.

Adhemar Santillo mostra um de seus livros | Foto: Reprodução

Filho de Virgínio Santillo e Elídia Masschietto, de origem italiana, Adhemar mudou-se para Goiás, com a família, em 1942, com 3 anos de idade, e em plena Segunda Guerra Mundial.

Em 1966, Henrique Santillo, o irmão médico, e Adhemar Santillo participaram da fundação, em Anápolis, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Poderiam ter apoiado a Arena, partido que sustentava a ditadura civil-militar. Mas optaram por se filiar num partido da oposição. Vale frisar que, com os Santillo, estava Fernando Cunha — outro parlamentar que travou uma batalha feroz contra a ditadura.

Adhemar Santillo pertencia ao grupo dos autênticos no MDB — aquele que mais criticava e se posicionava contra a ditadura. Henrique, Adhemar e Romualdo eram conhecidos em Goiás, e até no Brasil, como Irmãos Coragem. Porque enfrentavam a ditadura em tempo integral, sem recuos. Henrique e Adhemar Santillo eram muito articulados nacionalmente e respeitados porque, além de críticos do regime militar, eram bem-preparados.

Depois de chefiar o gabinete da Prefeitura de Anápolis, foi eleito, em novembro de 1970, deputado estadual. Logo assumiu a vice-liderança da bancada do MDB na Assembleia. Fez escola no Legislativo estadual, por ser um político sempre posicionado e intimorato.

Adhemar Santillo e Romualdo Santillo: juntos, e com o acréscimo de Henrique Santillo, eram os Irmãos Coragem da política de Goiás: não recuaram ante a força da ditadura | foto: Facebook

Bem-sucedido na Assembleia, pois sua atuação conquistou os goianos, pela ousadia de um combatente vigoroso, Adhemar Santillo foi eleito deputado federal, em novembro de 1974. O MDB goiano conseguiu eleger inclusive um senador — Lázaro Barbosa. Era a hora do Manda-Brasa.

Na Câmara dos Deputados, Adhemar Santillo brilhou por ser um político posicionado e um crítico contundente da ditadura. Mas não era nenhum crítico aloprado. Era um articulador hábil, firme e diplomático. Sempre intransigente no combate à ditadura. Seu nome frequentou a lista de “cassáveis”, mas acabou sobrevivendo politicamente. No Legislativo em Brasília se tornou membro titular da Comissão de Serviço Público, suplente da Comissão de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste e segundo vice-presidente da mesa.

Dada sua atuação em defesa da democracia, que o tornou conhecido em todo o país, Adhemar Santillo foi reeleito em novembro de 1978 — quando a ditadura já está se abrandando, com a Abertura política gestada pelo presidente Ernesto Geisel e, em seguida, aprofundada pelo presidente João Figueiredo.

Em 1979, com a volta do pluripartidarismo, os partidos anteriores, Arena e MDB, foram extintos. A ditadura avaliava que, com isso, a oposição, notadamente o MDB, ficaria dividida e, portanto, fraca. Adhemar Santillo não hesitou um segundo e se filiou ao PMDB, o sucedâneo do MDB, ao qual seus integrantes acrescentaram o P de Partido. A rigor, era o mesmo MDB, mas menor porque alguns de seus membros saíram para fundar outros partidos, como PDT e PT.

Adhemar Santillo e Onaide Santillo: ele foi deputado federal e prefeito e ela foi deputada estadual por dois mandatos | Foto: Facebook

Os irmãos Santillo se filiam ao PT de Lula da Silva

Em 1980, logo no começo do ano, Adhemar e Henrique Santillo deixaram o PMDB e se filiaram ao PT. Havia uma divisão no PMDB: de um lado, o grupo de Iris Rezende, que planejava disputar o governo de Goiás em 1982, e do outro Henrique Santillo. Por discordar da hegemonia do grupo de Iris Rezende, que contava com o apoio do ex-governador Mauro Borges, os Santillo saíram do partido. Adhemar chegou a ficar filiado no PT por oito meses.

Como não se adaptaram ao radicalismo do PT, na época extremamente esquerdista, os Santillo voltaram ao MDB. Na Câmara dos Deputados, Adhemar Santillo assumiu a vice-liderança da bancada, membro da Comissão de Ciência e Tecnologia e membro da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou as altas de juros. Permaneceu, todo o tempo, como um crítico sólido da ditadura e respeitado por seus pares. Consta que até os parlamentares governistas paravam ouvi-lo (e também a Henrique Santillo, que brilhou no Senado, tendo inclusive enfrentado bravamente o senador Jarbas Passarinho, um dos próceres da ditadura.

Os meninos Adhemar e Henrique Santillo: os irmãos paulistas que se tornaram goianos | Foto: Arquivo da família

Em 1982, Adhemar foi eleito deputado federal pela terceira vez. Ele apoiou Iris Rezende para governador, em 1982. Eleito, Iris Rezende convocou Adhemar Santillo, com quem mantinha bom relacionamento pessoal e político, para a Secretaria da Educação. Aldo Arantes (goiano de Anápolis, e hoje com 82 anos), que era filiado ao MDB, mas de fato pertencia ao Partido Comunista do Brasil (PC do B), era o suplente e assumiu sua vaga na Câmara dos Deputados.

Eleito prefeito e derrotando a ditadura em Anápolis

Na ditadura, Anápolis, considerada área de segurança nacional, não tinha eleição para prefeito. O gestor era nomeado. Mas em 1985, com as eleições liberadas, Adhemar Santillo foi eleito prefeito do município. Pelo MDB. Sua vitória, maiúscula, era uma vitória da democracia, porque Adhemar Santillo era um símbolo da resistência democrática.

Na prefeitura, por desacordo político com Onofre Quinan (que foi vice-governador, senador e governador), Adhemar Santillo se filiou ao Partido Social Democrático (PSDB), que era dirigido pelo médico Otoniel Machado, irmão de Iris Rezende.

Em outubro de 1994, filiado ao Partido Progressista (PP), disputou mandato de deputado federal e ficou como primeiro suplente.

Em 1996, disputou a Prefeitura de Anápolis e foi eleito. A surpresa é que um dos derrotados por Adhemar Santillo — que obteve ao apoio do então senador Iris Rezende — foi seu irmão Henrique Santillo.

Adhemar Santillo não foi mais longe na política por causa de sua humildade, pois abriu espaço para o irmão Henrique Santillo ser senador e governador. Ao contrário de Henrique Santillo, que era mais reservado, Adhemar Santillo era aberto ao diálogo e era dotado de um humor refinado.

Ao deixar de disputar mandatos eletivos, Adhemar Santillo abriu espaço para sua mulher, Onaide Santillo, que foi deputada estadual por dois mandatos, eleita em 1994 e 1998. Era empresário em Anápolis. Era dono da Rádio Manchester. Amava política — sua grande paixão. Publicou livros contando a história de sua família e, também, causos políticos.

Goiás perde um dos grandes nomes de sua história. [A base para o texto — não para as opiniões — é o “Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro Pós-1930” (da Fundação Getúlio Vargas), cujo verbete é generoso com o político.]

Uma resposta para “Morre o ex-prefeito de Anápolis Adhemar Santillo”

  1. Avatar Luciano Lima disse:

    A rádio Manchester nunca será como antes, com essa perda lastimável dessa doença que veio pra levar pessoas do bem.. Toda manhã ouvia seus comentários e sempre o vi como uma pessoa íntegra e de muita honestidade… Um pena esta perda desse grande homem mm

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